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Economia

Santiago: Hortaliças dão lugar a cana-de açúcar por falta de mão-de-obra

A falta de mão-de-obra que vem afectando o país, de forma transversal, leva agricultores a procurar cultivos que exigem menos braço e manutenção, como é o caso da banana e da cana-de-açúcar.

O problema é nacional. Em todas as regiões agrícolas e zonas rurais, os produtores debatem-se com a falta de mão-de-obra, consequência da debandada de jovens que tem sido registada, seja por migração interna, seja por conta de emigração. Muitos produtores têm optado, por isso, por cultivos que exigem menos mão-de-obra e menos esforço de manutenção, como é o caso da banana e da cana-de-açúcar.

Emileno Ortet

Emileno Ortet é um exemplo disso. Recentemente trocou toda a produção de hortaliças por cana-de-açúcar, em cerca de dois mil metros quadrados de terreno, na localidade de Rui Vaz, zona alta do município de São Domingos, ilha de Santiago.

Na base desta decisão está a falta de mão-de-obra, sobretudo a qualificada. Segundo diz, quem sabia que já foi embora e os que ficaram, que não tinham o hábito da lavoura, vão fazendo alguma coisa, mas não têm prática no sector. “Eu produzia tudo aquilo que é hortaliças, mas, derivado, especialmente no último ano, de muita dificuldade em encontrar pessoas para trabalhar, decidi agora fazer produção de cana”, revela. 

Com a cana-de-açúcar este produtor tem “muito menos custo” do que o que tinha com hortaliças, pois precisa de menos mão-de-obra. A mão-de-obra está cada vez mais escassa e cara. Entretanto, o preço de um dia de trabalho – está por 1500 escudos, mais café e almoço – segundo diz, não é problema. 

“Se tenho uma mão-de-obra cara, mas com qualidade, não é um problema. O que temos é um serviço caro, sem qualidade. Escassa, cara e com pouca qualidade, não compensa”, explica. 

Se com a produção de hortaliças precisava manter, pelo menos, um trabalhador fixo, com a cana de açúcar, feita a plantação e fora a colheita, que é anual, só precisa do trabalhador uma vez ao mês para fazer a limpeza, já que a rega é feita a gota-a-gota.

O que para quem produz é uma simplificação, para o país pode ter outras consequências se esta tendência se generalizar. As hortaliças podem ficar mais caras no mercado, e a disponibilidade de álcool, a preço acessível, vai aumentar consideravelmente, conforme alerta o produtor.

Falta formação profissional

Na base deste problema, segundo Emileno Ortet, está a falta de qualificação de mão-de-obra para a agricultura, através de formações profissionais, já que, actualmente, quem quiser obter conhecimento no ramo, terá de fazer um curso de pelo menos quatro anos. “Temos formação profissional em várias áreas. Num sector básico como a agricultura não temos, o que torna a prática mais difícil”, refere.

Um contra-senso, já que, segundo diz, o Governo tem feito avultados investimentos no sector agrícola, como é o caso dos projectos de dessalinização para aumentar a disponibilidade de água para a agricultura. 

“Quando são feitos esses investimentos e não se aposta na qualificação da mão-de-obra, eles correm o risco de ficarem sub-aproveitados. Não conseguimos acompanhar. Mais tarde podemos vir a ter meios para produzir, mas não temos a mão-de-obra necessária para isso”, alerta.

Procura por conhecimento 

No seu caso, diz, os conhecimentos que vai adquirindo para modernizar a sua produção agrícola ou para a jardinagem, ramo que também actua, é graças a programas de formação online.

“Sou uma pessoa muito curiosa, o que me leva a aprender muito, através de programas e formações online, como no Brasil, e através de muitos amigos a nível mundial com quem aprendo muito a nível de técnicas de manejo, cultivo e combate à pragas”, revela, sem desconsiderar aquilo que aprendeu, também, com o pai.  

Natalina Andrade

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