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Moçambique: ONU pede intervenção urgente em Cabo Delgado 

A Alta-Comissária das Nações Unidas para os Direitos Humanos pede medidas urgentes para proteger a população na Província de Cabo Delgado, no Norte de Moçambique. 

Michelle Bachelet – citada pelo pt.euronews.com – diz receber informações preocupantes do terreno que dão conta de violações sucessivas dos direitos humanos pela mão de fundamentalistas islâmicos.

“A situação é desesperante tanto para os que estão presos nas zonas afectadas pelo conflito, com poucos meios de sobrevivência, como para os deslocados,” declarou Rupert Colville, porta-voz da Alta Comissária, numa conferência de Imprensa,  sexta-feira, 13, em Genebra, na Suíça. “Aqueles que ficaram estão privados das comodidades básicas e correm o risco de serem mortos, agredidos sexualmente, abusados, raptados, ou recrutados à força por grupos armados”, diz a ONU.

A Alta Comissária reitera o apelo de várias organizações nacionais e internacionais. “Todas as alegadas violações e abusos do Direito Internacional dos Direitos Humanos e do Direito Internacional Humanitário cometidos por Grupos Armados e Forças de Segurança devem ser investigados de forma completa, independente e transparente pelas autoridades competentes. Os responsáveis devem ser responsabilizados”, remarca Bachelet.

Por seu turno, a  Conferência Episcopal de Moçambique classificou a situação no Distrito de Muidumbe, em Cabo Delgado, como “crítica” e “muito instável”.

“A percepção que temos é que é uma situação bastante desoladora, que necessita de uma intervenção um pouco contundente para clarificar o que se passa, mas, primeiramente, há que encontrar um modo de acolher toda essa gente” em fuga do Distrito, referiu João Carlos, Bispo de Chimóio (Capital provincial de Manica, no Centro de Moçambique), em conferência de Imprensa, em Maputo – a Capital daquele País Lusófono do Oceano Índico.

O Prelado fala em actuação contundente no sentido de que “é preciso ter coragem”, para chegar a alguns lugares e a testemunhas mais bem informadas, que possam esclarecer “uma situação que muda de uma hora para outra”.

Nas duas últimas semanas, uma série de ataques terroristas voltaram a varrer várias aldeias. Há relatos de casas e instalações públicas queimadas e dezenas de pessoas raptadas ou mortas – nalguns casos por decapitação.

A ofensiva dos terroristas em Cabo Delgado já terá feito dois mil mortos e 435 mil deslocados.

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