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Sociedade

Achada de São Filipe, Praia: Os dois lados do mesmo bairro

Sociólogo de formação, Elísio Semedo é um morador “atento” da ASF. Afinal, por alguma razão é o presidente do Centro Cooperativo de Formação e Superação Académica e Profissional da Achada de São Filipe e também responsável provisório da recém-criada União Desportiva da Achada de São Filipe (UDASF).

Como qualquer outra zona da Capital, diz o nosso entrevistado, ASF tem os seus “ganhos e desafios” e também os seus “encantos” e “particularidades”. “Hoje muito se brinca entre os são-filipenses que aqui temos de tudo, até cemitério. Temos lojas que nos abastecem, escolas e jardins infantis, quase todas as religiões, sendo que a maior parte da comunidade é católica; enfim, de um modo geral, não enfrentamos muitos problemas de água e energia eléctrica, como acontece em outras zonas, etc.”

Achada São Filipe é dividida em duas comunidades, a antiga que é menos desenvolvida, e a mais recente, por isso mais moderna, mais bem organizada e mais bem representada também. “As pessoas da comunidade antiga necessitam de muitos apoios para melhorar as suas condições de vida. Precisam, por exemplo, de calcetamento, de iluminação pública, porque correm mais riscos de serem assaltados à noite”, diz Semedo.

Para o nosso entrevistado, basicamente, “estes são alguns dos problemas urgentes a serem resolvidos” na ASF e que para isso há que arregaçar as mangas. “Acredito que trabalhando a comunidade mais antiga, principalmente, estaremos a cortar certas influências que, aos poucos, têm surgido no seio do nosso bairro no seu todo”, acrescenta.

Diante do quadro acima descrito, os moradores da parte antiga da ASF dizem ter esperança de, um dia, a Câmara Municipal da Praia regresse ao bairro para, “pelo menos”, melhorar as condições das estradas que dificultam o acesso às suas casas, sobretudo na época das chuvas.

“Neste momento só queremos o calcetamento antes da época das chuvas. Fizeram campos, praças, entre outras obras de lazer, do outro lado do bairro. Apesar de serem espaços para toda a comunidade, não deixamos as nossas crianças irem brincar no outro lado porque, além de se sentirem deslocadas, há o problema da insegurança que se vive hoje na Praia. Não tendo outras soluções, as nossas crianças brincam no meio desta terra abatida, os jovens ficam por aqui, desempregados, e caem nas más influências”, diz uma mãe chefe de família que não quis se identificar.

De novo com a palavra, Elísio Semedo refere que há jovens adultos que querem constituir família mas que continuam dependentes dos pais. “Não estudaram e tiveram filhos cedo, outros que já terminaram os estudos e, mesmo assim, estão desempregados”, situações estas que também precisam de uma atenção especial.

A solução estará no Desporto?

Enquanto sociólogo e ciente de que Achada de São Filipe precisa de um trabalho “contínuo” para despertar nas pessoas o “espírito de compromisso com a sua comunidade”, Elísio Semedo tem usado o desporto para atrair e mobilizar crianças, jovens e adolescentes para os ajudar a alcançar aqueles objectivos. Foi a pensar nisso que criou há cerca de dois anos, a União Desportiva da Achada de São Filipe (UDASF).

“O desporto é uma boa forma de atrair, sobretudo, jovens e crianças. Além de descobrir o talento desportivo que cada um pode ter, estaremos também a ensinar-lhes os valores sociais, entre outras coisas boas da vida. Com isso estaremos também a a contribuir para uma sociedade mais justa e unida”, almeja Elísio Semedo.

Neste momento, apesar da UDASF contar apenas com o futebol, o seu maior objectivo, segundo Elísio Semedo, é abranger todos os tipos e modalidades desportivas. Com isso, a ideia é contribuir para um desenvolvimento integrado, inclusivo e sustentado da comunidade de São Filipe através do desporto.

“Neste momento estamos a trabalhar com o que temos, focados no futebol, com equipas já formadas; no entanto, estamos também atrás de pessoas que queiram fazer parte do projecto, para trazerem outras modalidades. Queremos mais jovens, eu só estou à frente desta associação para os encaminhar. O objectivo é ensinar-lhes sobre o associativismo, pondo-os em contacto com pessoas que lhes podem ajudar e, mais tarde, deixar-lhes tomar conta de tudo”, esclarece Elísio  Semedo. 

Confiante de que ASF tem jovens com talento para o desporto, agora com dois campos desportivos, uma placa e praça de ginásio, o nosso entrevistado diz-se confiante de que esta área será a solução para trabalhar os recursos humanos de Achada de São Filipe e garantir um “bom futuro” da sociedade. Sendo uma solução viável ou não, Elísio Semedo diz ter “pelo menos” a força de vontade e um espírito solidário para melhorar o bairro a que pertence há cerca de 17 anos.

RM

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