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Sociedade

Ex-Comandante Regional da PN do Sal punido com vinte dias de suspensão

O Sub-intendente Elias Silva acaba de ser punido pela Direção Nacional da Polícia Nacional (DNPN) com 20 dias de suspensão, em sequência do processo que decorre desde o mês de Abril, relacionado com as declarações que fez enquanto Comandante Regional da Polícia Nacional do Sal. “A lei cabo-verdiana é amiga das armas”, disse, na altura, acabando por ser afastado do cargo.

Elias Silva diz estar de “consciência tranquila” de que não cometeu nenhum crime, tanto é que, ao A Nação, avança que vai recorrer às instancias superiores. “Há duas formas de combate: com lei, que é o que vou fazer, e com força, que é o que a DNPN está a fazer. Estou convencido de que não cometi nada de anormal”, afirma, garantindo que vai levar esta forma de luta “até as últimas instâncias”.

Indignado com este caso, aquele Sub-intendente da PN assevera que a actual DNPN “já entrou na história como aquela que mais castigou a Polícia e atingiu as suas famílias”, com as sucessivas punições de que tem sido alvo os agentes policiais, nos últimos tempos. “A maior parte das punições que esta direcção aplica é com reflexos no salário, porque querem atingir as famílias dos oficiais da PN. É isso que lhes dá satisfação”, admite.

Antecedentes

Entretanto, ao A Nação, Elias Silva revela que há antecedentes em todo este caso. As suas declarações, no Sal, enquanto comandante regional, terão sido “a gota de água” que originou a sua destituição e consequente punição de 20 dias de suspensão.

Conforme conta, na noite antes de ser oficializado como comandante regional do Sal, em Setembro do ano passado, a DNPN pediu-lhe a declaração do seu discurso de tomada de posse. Como acreditou que não havia nada de errado no discurso, Elias Silva enviou o documento.

“Tendo o discurso na mão, eles mandaram-me alterar várias coisas. Não aceitei e considerei ser uma mordaça e censura. A partir daí, criou-se um mal estar, a ponto de eu telefonar para Praia dizendo que possivelmente eu não ia tomar posse. Tomei posse por um fio”, lembra.

Meses depois, acabou por acontecer o mesmo quando Elias Silva ia dar posse a comandantes na ilha de São Nicolau. “Queriam influenciar o meu discurso e, a partir daí, as relações não foram as melhores”, diz, realçando que, durante o tempo em que esteve no Comando do Sal, não recebeu “nenhuma visita de um superior hierárquico”.

Por outro lado, tendo processo disciplinar pendente, Elias Silva não pôde ser promovido, ao contrário do que aconteceu, nos últimos dias, com 844 efectivos, dos quais 565 promoções e 279 progressões. “Tive cerca de 58 dias em casa e, só depois da promoção dos efectivos, agora em Agosto, é que começaram a tomar posição sobre o caso que iniciou em Abril, para eu ficar logo fora da lista de promoção, intencionalmente”, alega.

Perante esta situação, Elias Silva manifesta-se grato com a solidariedade que tem recebido dos cabo-verdianos, dentro e fora do país, e mesmo de estrangeiros.

O caso

Recorde-se que a destituição do ex-comandante da PN no Sal, veio na sequência das declarações que proferiu a propósito da onda de assaltos registados na ilha do Sal, ao criticar a lei cabo-verdiana em vigência, dizendo que a mesma “é amiga das armas”. Elias Silva fez essas declarações, mais precisamente aquando do assalto à mão armada na zona do Monte Leão, onde um jovem disparou contra um carro de turistas.

Na altura, reagindo à essas declarações, o ministro da Administração Interna declarou que “polícia não critica justiça”. “Nesta matéria só tenho uma coisa a dizer: polícia não critica justiça, não há mais nada a dizer, pois a instituição policial tem regras próprias as quais deve seguir…”, disse Paulo Rocha.

Elias Silva ingressou na Policia Nacional em 1989. Em 1991, foi nomeado Comandante da Guarda Presidencial, cargo que desempenhou durante 10 anos. Em 2001 foi colocado no Palácio de Governo como Chefe de Segurança do Palácio até 2007.

Em 2007 é nomeado Comandante da Proteção de altas entidades no Comando das Unidades Especiais até 2014, quando passou a ser chefe da Divisão de Estudos e Planeamento na Direção de Operações da Policia Nacional.

Em Setembro de 2017 tomou posse como Comandante Regional da Policia Nacional na ilha do Sal, acabando por ser destituído do cargo em Abril de 2018. O Comissário João José Teixeira é agora o Comandante Regional da PN do Sal.

ACN

 

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