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Política

Janira Hopffer Almada, presidente do PAICV: “Estamos a trabalhar para a maioria absoluta”

Janira Hopffer Almada diz-se convicta de uma vitória do PAICV, com maioria absoluta, nas próximas eleições legislativas. Sobre o apoio a uma eventual candidatura de José Maria Neves às Presidenciais, a líder tambarina diz que é um assunto que será tratado no seu devido momento. Uma entrevista com “troco” ao rival Ulisses Correia e Silva, do MpD.
A NAÇÃO – Uma sondagem divulgada recentemente apontava uma vitória do PAICV sem maioria absoluta. Essa tendência mantém-se?
Janira Hopffer Almada – Para nós, o importante é que essa sondagem apontava para a vitória do PAICV. A nossa tendência tem sido crescente e, à medida que o tempo passa, o PAICV vai ficando cada vez mais forte, com uma penetração cada vez mais sólida na sociedade. Não só em reconhecimento do trabalho que já foi feito, mas, também, tendo em conta as perspectivas de novos horizontes que temos apresentado aos cabo-verdianos.
Mas com uma maioria relativa o PAICV correria o risco de não governar?
Estamos a trabalhar para ganhar com maioria absoluta e, contrariamente àquilo que de forma errónea e com objectivos bem concretos foi divulgado pelo MpD, o PAICV está à frente das intenções de voto. Seguramente, com a confiança dos cabo-verdianos, vamos conseguir, uma vez mais, uma nova maioria absoluta em 2016.
As sondagens também indicam que a UCID poderá melhorar o seu score eleitoral. Numa situação de maioria relativa, o PAICV estará disponível para uma coligação pós-eleitoral com a UCID?
Reitero a minha convicção na vitória do PAICV, nas próximas eleições, com maioria absoluta. O trabalho que estamos a fazer é para merecermos a confiança dos cabo-verdianos, para continuarmos o processo de transformação económica e social de Cabo Verde e, sobretudo, elevarmos o país para um novo patamar de desenvolvimento, marcadamente, com um crescimento económico robusto e com a aceleração da geração de emprego e para mais coesão social.
INOCÊNCIO E JÚLIO, MAIS-VALIAS
O processo de formação das listas do PAICV já está praticamente concluído. Mas em São Vicente foi preciso recuar na decisão de deixar Alcides Graça fora da lista. O que é que motivou esse recuo?
Em nenhum caso há recuos e avanços, há negociações. Negociações que colocam sempre o interesse supremo de Cabo Verde e do partido em primeiro lugar. Foi o que aconteceu.
Em São Vicente, o cabeça-de-lista, há muito definido, é o primeiro vice-presidente do partido, o eng. Manuel Inocêncio Sousa, pessoa em quem tenho total confiança. Pessoa por quem nutro uma extraordinária admiração e que tem sido fundamental, repito, tem sido fundamental para mim, enquanto líder do partido, neste um ano de mandato… Ele dá-me todas as garantias e é uma grande honra para o PAICV ter uma personalidade com o calibre, o percurso, o carácter, a capacidade e a competência de Inocêncio Sousa a liderar a nossa lista em São Vicente. Recordo que Manuel Inocêncio Sousa será, inequivocamente, o ministro mais empreendedor que todos os governos de José Maria Neves já teve.
Júlio Correia foi preterido no Fogo e, ao que tudo indica, vai aparecer num lugar de destaque em Santiago Sul. O que é que está na base dessa transferência?
Não há transferência e não há qualquer situação de que o camarada Júlio Correia tenha sido preterido. Ele é um grande deputado, tem exercido com muita acutilância e competência o seu mandato no Parlamento, em suma, é uma mais-valia para o partido, e o PAICV tem por norma valorizar as competências e as experiências. E é nessa perspectiva que nós encaramos a presença dele na lista por Santiago Sul, não como qualquer transferência, mas como uma mais-valia, algo que só reforça o PAICV.
SANTIAGO NORTE, ESPECULAÇÕES…
Santiago Norte corre o risco de ficar sem nenhuma mulher num lugar elegível. Isso não lhe preocupa?
Está a dar-me uma novidade, porque eu não sabia que Santiago Norte iria estar sem uma mulher nos lugares elegíveis. Pelo menos da lista a que tive acesso, enquanto presidente do PAICV, isso não corresponde à verdade. São especulações de pessoas que estão muito preocupadas com o nosso sucesso.
Isso quer dizer que Vanusa Cardoso estará entre os sete primeiros da lista de Santiago Norte?
Isso quer dizer que, no momento próprio, o PAICV publicitará as suas listas. O PAICV está um passo à frente, como sempre esteve, tendo já publicitado todos os cabeças-de-lista, a nível nacional e na diáspora, e já temos as listas praticamente fechadas. Estamos muito à frente de qualquer partido, em termos de organização, do cumprimento do calendário, para que possamos ter todas as questões devidamente alinhadas. Mas, no momento que o partido entender que será o mais conveniente, publicitaremos as listas na sua totalidade, integralmente.
AUSÊNCIA DE INDEPENDENTES
Dos nomes que têm vindo a público, nota-se a ausência de independentes nas listas do PAICV, em lugares elegíveis. É uma estratégia, ou tem a ver com pressões internas?
Estranha-me essas especulações, porque, salvo o devido respeito pela opinião contrária, as listas não foram ainda divulgadas pelo PAICV. Qualquer conclusão é, à partida, errónea. O que posso salientar é que houve um esforço para as listas serem representativas da sociedade cabo-verdiana: uma grande presença de mulheres, de jovens, enfim, uma renovação conjugada com experiência e percurso.
Mas haverá, ou não, independentes?
O PAICV teve sempre o cuidado de ter independentes nas suas listas e, naturalmente, teremos independentes lá onde entendermos que será melhor opção, sem prejuízo de eu realçar, aqui, que nós contamos com todos da sociedade.
SAÍDA DO GOVERNO
Para quando a sua saída do Governo para se dedicar exclusivamente ao Partido?
Muito brevemente.
Este brevemente é para quando?
Muito brevemente, mas, também, como sempre faço, anunciarei, nos devidos termos, a minha saída do Governo.
Em relação ao presidente da CMP. Não acha que já era tempo de Ulisses Correia e Silva pedir a suspensão do cargo?
Eu não me concentro no Ulisses Correia e Silva. Concentro-me no trabalho que tenho a fazer enquanto líder do PAICV para vencer as eleições, desempenhando as minhas funções como ministra da Juventude, Emprego e Desenvolvimento dos Recursos Humanos o melhor que sei e posso. Naturalmente que não vou reagir às criticas que Ulisses Correia e Silva me fez na entrevista que concedeu a este Jornal, falando da juventude, da formação profissional e do emprego, porque penso que a capacidade governativa dele pode ser avaliada enquanto ministro das Finanças que foi nos anos noventa e, salvo o erro, terá sido o pior ministro das Finanças que este país já teve, uma vez que deixou Cabo Verde num completo descalabro, a tal ponto que o PAICV teve que fazer um árduo trabalho, a partir de 2001, para resgatar a nossa credibilidade internacional, primeiramente, que estava de rastos, e, em segundo lugar, restituir a confiança dos cabo-verdianos.
JMN, SEM TENSÃO
Quais têm sido os seus pontos de tensão com o actual Primeiro-Ministro?
Não existe nenhuma situação de tensão conforme pretende fazer crer alguma oposição. As competências do presidente do partido e do primeiro-ministro estão devidamente clarificadas, assim como o primeiro-ministro não ocupa o espaço da presidente do PAICV, a líder do partido não deve e nem tem que ocupar o espaço do primeiro-ministro. Sempre demonstrei que não tenho sede do poder, não quero ser primeira-ministra sem ser eleita. Quero merecer a confiança do povo para assumir as funções de primeira-ministra, caso assim entender, e espero que o povo venha a escolher o PAICV para continuar a liderar a governação do país.
FINANCIAMENTO ELEITORAL
Em 2011, o PAICV contraiu um empréstimo à banca de 147 mil contos para financiar a campanha. Vai manter esse valor ou pretende aumentá-lo nestas eleições?
Vamos assumir os custos da campanha, sem perder de vista que Cabo Verde é um país com poucos recursos. Só podemos gastar o que podemos pagar. Posso garantir que não haverá excessos por parte do PAICV nesta campanha e todos os gastos serão escrupulosamente controlados, todas as contas serão milimetricamente justificadas junto das autoridades competentes.
O presidente da UCID disse, numa recente entrevista ao A NAÇÃO, que o dinheiro é que ganha as eleições. Concorda?
Cada um deve ser responsabilizado por aquilo que diz. Pessoalmente, a experiência que tenho tido é que o que ganha as eleições é o trabalho e as propostas para o futuro que são apresentadas. É com o trabalho que pode existir vitória. Nós não entramos nesse jogo de levantar suspeições e de propalar difamações e calúnias, porque não é, a nosso ver, o caminho que deve ser seguido na política.
O PAICV já começou a pensar nas eleições autárquicas? Haverá renovação?
O PAICV sempre actua com planificação e com organização, mas a competência para decidir as candidaturas é dos órgãos partidários, nomeadamente as estruturas regionais e nacionais. Também aqui no momento próprio o PAICV, no seu todo, se pronunciará através dos seus órgãos, estatutariamente previstos, sobre esta questão.
PRESIDENCIAIS
E em relação às presidências. José Maria Neves é o candidato do PAICV?
Também aqui o PAICV, no momento próprio e através dos órgãos próprios, decidirá o candidato a ser apoiado para as eleições presidenciais. Tenho um profundo respeito pelo Dr. José Maria Neves, por todo o contributo que vem dando ao processo de transformação económica e social do país, sobretudo porque penso que todos devemos reconhecer que ele é o obreiro-mor da agenda de transformação que tem garantido a Cabo Verde um grande e extraordinário reconhecimento ao nível nacional e internacional.
 

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