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Sociedade

Exposição de produtos apreendidos pela PN: 250 visitas e apenas um telemóvel entregue ao dono

A exposição dos produtos apreendidos pela Polícia Nacional (PN), na cidade da Praia, não está a corresponder às expetactivas no que toca à identificação e entrega aos seus potenciais donos. Em duas semanas, a exposição já recebeu mais de 250 visitantes, e, entre os milhares de produtos, apenas um telemóvel já foi entregue ao dono.
Isalinda Fortes, estudante universitária, foi vítima de assalto, em Janeiro deste ano, em que os ladrões lhe levaram o seu computador portátil, o telemóvel e a carteira com pouco menos de mil escudos. Na altura, Isalinda deu queixa na Esquadra de Investigação e Combate ao Crime (EICC) da Praia, para ver se os agentes da PN recuperavam os seus pertences. Sem resultado. A exposição foi a “ultima experança” desta jovem cidadã reaver os seus objectos.
“Desde Janeiro, já fui à EICC umas tantas vezes, mas sempre me diziam que tinha de esperar uma chamada a informar-me que os meus produtos foram recuperados, o que nunca aconteceu. Nesta exposição, não identifiquei nenhum dos meus pertences, portanto, já não tenho esperança de reaver os meus produtos”, lamenta Isanilda, depois de visitar a exposição da PN com milhares de objectos recuperados nas suas operações.
A casa de Jailson Fernandes foi assaltada, no mês de Julho passado, e os invasores levaram-lhe dois computadores e um televisor plasma. Jailson apresentou queixa e foi-lhe pedido para esperar porque os agentes estavam no terreno na tentativa de recuperação dos objectos, mas, desde então, nunca os conseguiu resgatar. Esta vítima também não identificou nenhum dos seus produtos na exposição da PN, mas critica o facto de a sua prima ter provado e identificado alguns pertences e a Polícia não os ter entregue.
“Disseram que a minha prima tinha que esperar uma assinatura para comprovar que o objecto já foi entregue ao dono, mas, no momento, a pessoa responsável não estava presente. Então, ela já foi lá duas vezes mas não consiguiu. Até agora não tomou os objectos. O horário de visita é curto porque estão abertos de segunda à sexta-feira, das 10 às 14 horas, e, além disso, chegam sempre muito atrasados”, critica.
Longe das expectativas
O Comandante da EICC, José Lima, reconhece que, em duas semanas, a exposição “não tem correspondido as expetactivas inicias”, que era de entregar o maior número possível de objectos recuperados aos potenciais donos. “Já tivémos mais de 250 visitas e a identificação e entrega dos objectos estão muito baixo. Apenas um telemóvel já foi entregue ao dono”, revela.
A exposição ainda não tem data de encerramento. José Lima admite que a maioria dos produtos pode ser leiloada e os artigos alimentícios poderão ser entregues à instituições sociais. “O leilão é uma das vias. Também podem ser revertidos a favor do Estado. Após a exposição, os produtos alimentícios vão ser entregues a instituições para efeitos sociais”, revela o Comandante da EICC.
Os objectos em exposição foram recuperados de 2011 a esta parte. A quantidade impressiona qualquer visitante. No total, segundo a PN, estão estimados em 25 milhões de escudos.

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