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Economia

Aviação civil: Receitas da FIR Oceânica do Sal em queda

As receitas da FIR Oceânica do Sal, explorada pela ASA – Aeroportos e Segurança Aérea de Cabo Verde, têm vindo a decrescer desde 2012. Este, que é tido também como um dos serviços exportados pelo arquipélago, representou apenas cerca de 2 milhões e 700 mil contos em 2014. Em 2015 as perspectivas não são animadoras e a tendência é para continuar em queda, ainda que a uma taxa menos expressiva (-2%), comparativamente ao mesmo período do ano passado.
Os serviços prestados pela FIR Oceânica do Sal passam pelo controlo de trafego aéreo às operadoras que sobrevoam o espaço aéreo gerido por Cabo Verde. Este é um dos domínios exportados pelo arquipélago em termos do sector da aviação civil e que, à partida, se enquadram no cluster do Aero-negócios.
Porém, os números avançados pela empresa ao VALOR deixam transparecer que neste particular a FIR Oceânica do Sal já viveu dias melhores. Segundo Janine Cabral, coordenadora do gabinete de comunicação e marketing institucional, o valor médio dos ganhos da ASA, com a exploração da FIR, rondou em média cerca de três milhões de contos, nos últimos três anos.
Mas, como atesta aquela fonte, em 2014 o valor das receitas atingiu os cerca de dois milhões e 700 mil contos. “O serviço de trafego aéreo na FIR tem registado algum decréscimo desde 2012, apresentando uma queda em torno de -5% , -8% e -12% em 2012, 2013 e 2014, respetivamente”, afirma Janine Cabral.
Essa responsável alega, contudo, que se registou uma evolução recente, durante o terceiro trimestre de 2015, mas que, no entanto, os dados deixam transparecer a “manutenção” do cenário decrescente, “apesar dos esforços da ASA, no sentido de reverter esta evolução”. É que os dados deste período confirmam “a mesma tendência de diminuição, porém, ainda que a uma taxa menos expressiva (-2%)” comparativamente ao mesmo período de 2014.
Constrangimentos
Os números reflectem alguns dos constrangimentos que a ASA enfrenta e que têm impedido o desenvolvimento deste serviço no arquipélago. É que, como argumenta Janine Cabral, os maiores desafios que se colocam à empresa, na exploração da FIR, são as estratégias de eficiência económica adoptadas pelas próprias operadoras.
“Numa perspectiva de contenção de gastos operacionais, elas optam por operar rotas mais curtas no espaço aéreo de Cabo Verde, o que provoca, consequentemente, uma diminuição das receitas provenientes da exploração da FIR”, argumenta.
A isso, acresce o facto de “os novos sistemas de vigilância e de comunicação, que permitem maior automatização do serviço e cobertura radar, em áreas onde o serviço é deficiente ou inexistente, aliado à evolução da aviónica”, que têm permitido que “as aeronaves escolham o melhor trajecto a seguir, contornando questões meteorológicas e optimizando os custos com as taxas de rota, através da utilização dos percursos que melhor lhes convém”.
Dado o impacto directo que estas condicionantes têm tido nas receitas da FIR, a ASA tem vindo a monotorizar esses factores, de forma a “conhecer e acompanhar” as tendências do mercado, para tomar “decisões comerciais” em maior “conformidade”.
Futuro
Perante este contexto de adversidade, as perspetivas de negócio para o futuro têm de continuar a ser minuciosamente planeadas, tendo em conta que são serviços que se regem por altas normas de segurança. “O serviço de tráfego aéreo prestado na FIR Oceânica do Sal é uma actividade de segurança nacional, que deve ser prestada com os mais altos níveis eficácia, de forma contínua e sustentável e, ajustada à demanda em todo o espaço aéreo sob a jurisdição de Cabo Verde”, lembra Janine Cabral.
Aliás, toda a actividade da FIR Oceânica do Sal é gerida segundo o Plano Director da Navegação Aérea, que, entre outros, “aponta os caminhos a seguir em termos de estratégia de operações, investimentos, posicionamento do produto e definição de políticas de taxas e incentivos comerciais, padrões de qualidade e fiabilidade do serviço, definidos e exigidos internacionalmente”.
O plano em questão está ainda integrado no Master Plan da Navegação Aérea, que, segundo a nossa fonte, é o instrumento de gestão estratégica de toda a actividade da empresa e onde estão expostos “os guidelines em termos de posicionamento da empresa, estratégias e técnicas para enfrentar os desafios a médio e longo prazo do sector”, como os recursos humanos, a tecnologia e a flexibilidade, entre outros.
 

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