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Economia

Bunkering: Petrolíferas perspectivam recorde de vendas em 2015

O fornecimento de combustível a navios estrangeiros, bunkering, está a tornar-se um negócio “robusto” para a Enacol e a Vivo Energy. Tanto assim é que o volume de vendas, neste ano, deve ultrapassar o recorde, a rondar 89 mil toneladas de combustível, fornecidas em 2011.
A fazer uma aposta clara no mercado do bunkering, a Enacol acaba de firmar um acordo com a Lubmarine, uma referência mundial do mercado de lubrificantes, que vai permitir à petrolífera de Cabo Verde reforçar o fornecimento a armadores internacionais. Essa parceira ajusta-se a uma ideia de que há perspectivas para o “aumento continuado e robusto dos volumes vendidos” de combustível a navios estrangeiros, neste, e nos próprios anos, a partir deste arquipélago.
De resto, o bunkering tem sido assumido pela Enacol “como um negócio estratégico no seu crescimento”, como refere a responsável por este sector naquela empresa, Janine Fonseca. “Por isso temos feito significativos investimentos, tanto nos recursos humanos como em infra-estruturas”, avança.
Em 2011, as duas petrolíferas, Enacol e Vivo Energy, realizaram um recorde de vendas no sector de bunkering, em parte reflexo da parceria entre a Enacol e a internacional AEGEAN. Os números rondaram as 89 mil toneladas de combustível que foram fornecidos a navios que atravessam o Atlântico. Mas o acordo não vingou por muito tempo e, em consequência, o volume de negócios diminuiu para pouco mais 55 mil nos dois anos seguintes, 2012 e 2013.
Maior operação de bunkering
Mas, desde 2014, nota-se agora uma retomada gradual, tendo a Vivo Energy realizado logo no início desse ano a maior operação de bunkering do arquipélago. O fornecimento foi feito ao segundo maior navio grua do mundo, Saipem 7000, que recebeu nos seus tanques 6,5 mil toneladas de combustível, cerca do dobro da quantidade transaccionada antes pela Enacol e mais do triplo da maior operação do género da própria Vivo Energy.
Foram necessários quatro dias para se realizar a operação, que se revelou um teste para a toda logística não só da empresa fornecedora como do próprio Porto Grande, em São Vicente, e a autoridade reguladora, a Agência Marítima e Portuária. Superado esse teste, as petrolíferas reforçaram a aposta no desenvolvimento do mercado e os resultados começam a aparecer. De resto, a previsão é de que no final deste ano os números apontem para um “crescimento robusto”, a ponto de superar o recorde de vendas registado em 2011.
Concorrência
Ainda assim, Janine Fonseca, da Enacol, acredita que uma estratégia sustentável mostra-se como uma necessidade e, ela, passará por uma aposta em “condições internas que garantam volumes crescentes no tempo e ancorados a Cabo Verde”.
Para isso, pede-se, refere uma nota da Enacol, “uma melhor regulamentação, consolidação das melhores práticas da indústria, adequação permanente dos meios logísticos e humanos às exigências da actividade, protecção ambiental, simplificação dos processos administrativos e regulatórios”.
Até porque, diz quem actua no sector, a concorrência, principalmente de Las Palmas e Dakar, não dorme. E quando vêem Cabo Verde a crescer nesse ramo de actividade, tendem a reforçar as suas ofertas para atrair clientes como Saipem 7000.
Entretanto, nesses tempos em que a economia do mar é vista como saída para Cabo Verde, muitos acreditam que o bunkering pode desempenhar um papel importante para o Porto Grande reassumir protagonismo que teve no passado, quando os navios a carvão precisavam entrar para abastecer na baía de São Vicente. Mas isso só se concretizará na prática se existir “uma estratégia bem montada e o profissionalismo necessário”, como já disse João Carlos Silva, da Vivo Energy.
O bunkering movimenta milhões de dólares em todo o mundo e abrange não só o fornecimento de fuel, mas também de lubrificantes. A grande aposta do no momento é o trading de fuel com baixo teor de enxofre. A União Europeia já tem legislação que favorece o uso de fuel com baixo teor de enxofre, e a América do Norte também, pelo que Cabo Verde pode aproveitar para fomentar o negócio com esse tipo combustível, oferecendo melhores preços do que Dakar.

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