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Economia

Turismo no Sal: Época alta arranca com velhos problemas

Lixo, cães vadios e falta de iluminação pública continuam a ser o calcanhar de Aquiles da imagem turística da ilha do Sal. Velhos problemas que subsistem no arranque de mais uma época alta do turismo em Cabo Verde, naquela que é a principal porta de entrada de turistas no país.
Há cerca de duas semanas aterrou no aeroporto internacional Amílcar Cabral, no Sal, o primeiro charter carregado de turistas nórdicos para passarem férias naquela que é a ilha mais turística do país. Arrancou, assim, mais uma época alta, depois de um Junho, Julho e Agosto muito “ameno” por aquelas bandas, a chamada época baixa, onde predominam sobretudo turistas espanhóis e portugueses, aqueles que menos gastam fora dos hotéis.
Agora, as esperanças estão voltadas para a época alta que vai até Abril/ Maio de 2016. Os operadores estão expectantes se o início desta nova época alta também irá, ou não, contribuir para o aumento dos indicadores do turismo de 2015, tendo em conta que em 2014 os números foram decepcionantes.
Aliás, houve até uma certa estagnação de 2014 para 2015, no sector. Os dados do Instituto Nacional de Estatística (INE) mostram que no primeiro trimestre de 2015, os estabelecimentos hoteleiros acolheram 162.604 hóspedes, o que significa uma variação positiva de 0,1%, face período homologo do ano anterior. Em termos absolutos, entraram nos estabelecimentos hoteleiros apenas mais 136 turistas do que em igual período de 2014.
Falta de preparação
Daí que seja de se esperar que a ilha do Sal, a par da Boa Vista, enquanto uma das principais ilhas de acolhimento dos turistas que aportam o arquipélago, reúna as condições necessárias para deixar uma “boa imagem” a quem nos visita e servir de cartão postal para atrair muitos mais.
Mas, ao que tudo indica, parece que não. É que, conforme Manuel António Lobo “Patone”, proprietário do Hotel Odjo d´Água e acérrimo defensor de uma cidade limpa e bonita para atrair visitantes, a ilha continua a enfrentar velhos problemas. Falta de iluminação pública, lixo e a presença de cães vadios nas ruas e nas praias de Santa Maria continuam a ser as maiores dores de cabeça para os operadores locais que lidam diariamente com turistas e que vendem o destino Cabo Verde.
Até porque é a imagem do país que está em causa e já diz o ditado que uma imagem vale mais que mil palavras. “Não houve preparação da cidade para a época alta e este ano o cenário está pior. Há poucos dias tivemos uma maré de esferovite que inundou a praia, que veio de uma obra qualquer em construção. Temos a cidade com lixo e entulhos”, denuncia o empresário. A isso acrescem o não menos eterno problema dos cães vadios que, como é do conhecimento público, costumam atacar turistas nas praias.
Iluminação é crucial
Patone, que recorre muitas vezes às redes sociais para denunciar problemas que afectam o turismo no Sal, mostra-se ainda apreensivo com a falta de iluminação pública no Passeio Turístico, muito frequentado por turistas, a pé, à noite, para fazerem a ligação entre os seus hotéis e o centro da cidade. “O passeio tem 59 lâmpadas fundidas e apenas 16 estão activas. Antigamente chamava-se a ELECTRA e os seus técnicos vinham repor com alguma rapidez, agora não. Não sei o que se passa”, desabafa. Além deste longo passeio, também a nova Avenida dos Hotéis encontra-se com lâmpadas fundidas.
Além disso, a praça central de Santa Maria, outro local de passagem obrigatória para quem visita Santa Maria, encontra-se também em obras, quando, segundo a mesma fonte, estava previsto “estar pronto” a tempo do arranque da época alta, que acaba de arrancar.
À praça junta-se o pontão de Santa Maria, muito procurado, como é sabido, mas que depois do furacão Fred ficou em mau estado. “Alguns empresários juntaram-se para fazer alguns reparos, ao nível das tábuas, mas o pontão está lastimável e apresenta até perigo para quem lá vai. Se vier uma maré alta pode voltar a provocar danos na estrutura”, acautela o empresário. A falta de iluminação no pontão também não abona a favor de quem lá vai.
Já em relação ao lixo, um outro dos problemas prementes de Santa Maria, além do cenário que é facilmente perceptível a quem passa, o empresário lastima o facto de ainda se encontrarem na praia de Santa Maria lixo da época do festival, de Setembro passado. “Ainda há lá muitas garrafas e aquilo está muito sujo”, alerta.
Patone adverte que, nestas condições, o destino assim “não tem qualidade” e que se está a passar uma “má imagem” do turismo no país e, em especial, do Sal. E que quem de direito faça o que é preciso fazer para Santa Maria ser um melhor cartão postal do turismo cabo-verdiano.
GC

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