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Economia

Santa Catarina: Empresário aposta na produção de ananás em João Gago

Pedro Cabral Monteiro é um empresário e agricultor santacatarinense que está a apostar no cultivo de ananás e outras espécies fruteiras, nomeadamente goiabeira, mangueira e citrinos, na localidade de João Gago, “Djangago”, na Ribeira da Barca, concelho de Santa Catarina. Com as chuvas deste ano, perspectiva uma boa produção de ananás.
Pedro Cabral Monteiro, 57 anos, é um ex-emigrante na Suíça, que regressou a Cabo Verde, há 14 anos, para investir no país que o viu nascer. Primeiro abraçou a produção de blocos para a construção civil e depois o fabrico de grogue, marca Djangago, com cana cultivada na sua propriedade. Ainda na agricultura, para fazer a diferença, decidiu apostar na fruticultura, neste caso ananás e diversas espécies de citrinos.
Em conversa com A NAÇÃO, aquele empreendedor conta que a ideia de produzir ananás partiu de uma amiga, engenheira agrónoma, que o desafiou a experimentar essa fruta.
“Aceitei logo o desafio”, recorda. “Em 2012, comprei 4200 plantas para introduzir nas parcelas de terreno que, na altura, se encontravam tomadas por acácias. Mas estes três primeiros anos a ‘coisa’ serviu mais para experiência. Por isso, os resultados da produção e os lucros não foram por aí além, uma vez que a planta, no primeiro ano, precisa adaptar-se ao clima e ao solo para crescer, e só depois começar a reproduzir”.
Pedro revela igualmente que, das 4200 plantas introduzidas, numa primeira fase, apenas cerca de 1500, introduzidas numa das encostas, conseguiram vingar e dar frutos. “Apesar da seca em 2014, que teve influência negativa na produção, consegui colher alguma quantidade de ananás. Essa produção serviu para consumo próprio, oferecer aos amigos e ainda vender, a 300 escudos o quilo, o que me gerou uma receita em torno dos 70 mil escudos”, conta.
Mas para este ano, com as chuvas registadas, Cabral Monteiro mostra-se optimista. “De antemão, eu sabia que apostar na produção de ananás é um investimento a médio e longo prazo, porque o resultado nunca é imediato. Este ano, com as chuvas, há condições para uma melhor produção com frutos com mais volume e mais peso”.
Comparativamente ao ananás importado, o nosso entrevistado garante que o que produz é bem mais doce e menos ácido. “Além disso, chega ao mercado mais fresco em relação ao que vem do exterior, já que este, normalmente, passa vários dias no barco até chegar a Cabo Verde, chegando muitas vezes desidratado”.
Animado com as chuvas deste ano, Pedro Cabral Monteiro avança que já pensa aumentar a área de cultivo, dado que já dispõe de boa quantidade plantas, além da experiência acumulada. “Há muita procura de ananás no mercado nacional e quase ninguém o produz. Futuramente, conto cobrir todo o perímetro de produção de frutas com estufas, para assim evitar invasão de pragas”.
MDR, um parceiro
De acordo com o nosso entrevistado, neste seu empreendimento, o Ministério do Desenvolvimento Rural (MDR) tem sido um “grande parceiro”, fornecendo-lhe as plantas, normalmente, a “bom preço”. “No caso do ananás, compramos 50 escudos cada planta, com instalação de rede gota-a-gota. Posso dizer que esse preço foi quase uma oferta. Recentemente, o MDR ofereceu-me cerca de 300 plantas de goiabeira que estou a introduzir numa parcela de quatro hectares de terreno”.
CUIDADOS A TER
De acordo com Pedro Cabral Monteiro, a produção de ananás não exige muito tratamento, mas requer “cuidados específicos”, sobretudo com o solo. “Inicialmente, porque eu não sabia, mais de metade das 4200 plantas coloquei-as num terreno bastante ‘pesado’, tipo ‘chão de massapé’, aí não produziu praticamente nada; ademais, boa parte foi levada pelas cheias, isso porque foram plantadas numa ribeira. Ou seja, apenas as 1500 plantas fixadas numa encosta deram resultado. Hoje, não só estão a produzir frutos, como também já têm muitos rebentos que servem para plantar num outro espaço”.
Outras espécies
Paralelamente à produção de ananás, Pedro aposta também no cultivo de mangueira, laranjeira, limoeiro, goiabeira etc. Toda essa exploração é feita com base em espécies melhoradas, com recurso a enxertias e alguma assessoria do MDR. No total, Pedro Cabral Monteiro cultiva uma área de 14 hectares de terreno, repartidas entre a fruticultura e a parcela dedicada à cana sacarina e produtos hortícolas.
Em termos de postos de trabalho, emprega, em João Gago, em tempo fixo, sete chefes de família, e à volta de 30 outros efectivos em regime temporário, consoante a época de cultivo.
Homem experiente, Cabral Monteiro acredita que a agricultura, mais concretamente o agronegócios, tem um grande potencial em Cabo Verde. Dono de 14 hectares de terreno, o seu sonho é ir mais além, desde que para isso consiga mobilizar os meios necessários. No seu dia a dia, conta com o apoio do MDR, mas sempre que necessário avança com os próprios meios e recursos, por exemplo, no combate às pragas e outros males.
“A agricultura, em Cabo Verde, também pode ser rentável. Mas para isso os agricultores precisam também de ser ousados, não esperar apenas que o MDR ou o Estado venha a resolver os nossos problemas. Não vale a pena plantar e depois ficar à espera que o Estado venha a zelar pela nossa produção”, frisa.
PECUÁRIA, UMA OUTRA APOSTA
Para além da agricultura de regadio, Pedro Cabral Monteiro é também um criador de animais. É dono de uma manada de cerca de 50 cabeças de gado bovino, que actualmente pasta na zona de Charcos e Achada Leite, Santa Catarina. Para ele, se no ano passado a grande preocupação era falta de pasto, hoje é a onda de roubo de animais para abate e venda de carne clandestina que o deixa com o credo na boca.
“Só neste ano, num curto período de tempo, já me roubaram sete cabeças de animais de grande porte, sendo três vacas e quatro bois, dos melhores que eu tinha no curral. Apesar de apresentar queixas às autoridades, até ainda, a Polícia não apanhou os ladrões. Mas também isso não faz me desistir”, conclui.
Lei do grogue veio valorizar o produto
Pedro Cabral Monteiro é produtor do grogue engarrafado “Djangago”, vendido principalmente em Santiago. Instado a pronunciar-se sobre a nova lei que veio regular o sector, em vigor desde Agosto, ele responde positivamente. “A nova lei veio valorizar ainda mais um produto genuíno de Cabo Verde. Quem sempre produziu grogue com qualidade não tem nada a perder, pelo contrário, vê finalmente o seu trabalho e esforço valorizados”.
Para este operador, como estava o sector não podia continuar. “Havia quem produzia aguardente durante todo ano, sem cana, o que resultava claramente num produto final com pouca ou nenhuma qualidade e vendido a qualquer preço”.
E mais: “Sabemos que boa parte dos consumidores, sobretudo jovens, consomem álcool para se embriagarem, pouco se importando com a qualidade mas sim com o preço e a acessibilidade. Preferem comprar garrafinhas para consumir em vez de bom grogue, em consequência, hoje temos muitas pessoas debilitadas por causa disso”.
O único senão, no entender deste produtor, é o período estipulado pelo Governo para o início do trapiche. “Com a nova lei devemos começar a produção a partir de 1 de Janeiro até 31 de Maio; pessoalmente, defendo que devia ser a partir de Novembro, período em que a cana começa a florar, sinal de que já está madura, sendo este precisamente o período em que tem sempre mais água. Esperar até Janeiro a cana perde muita água”, conclui.            SM

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