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Sociedade

Estudo da Afrosondagem: PN discorda da catalogação de instituição mais corrupta

A Direcção Nacional da Polícia Nacional (PN) dá a devida importância ao estudo da Afrosondagem, que coloca a “Polícia” como “a instituição mais corrupta do país”, mas discorda dessa ilação. Do contacto directo e permanente com a população, a PN diz ter uma percepção “bem diferente” do estudo daquele organismo privado.
De acordo com um estudo da Afrosondagem, apresentado na semana passada, na Cidade da Praia, a Polícia é a instituição mais corrupta de Cabo Verde. Entretanto, segundo o mesmo inquérito, a percepção de corrupção “é baixa”, mas tem vindo a crescer.
Tal percepção atinge todos os sectores de actividade, sendo que a Polícia é considerada a instituição mais corrupta do país, com 19 por cento (%), contra nove pontos percentuais dos juízes e magistrados, apontados como os menos corruptos.
Diante disso, o subintendente Manuel Alves, porta-voz da PN, refuta a catalogação da Afrosondagem, por, no seu entender, padecer de “algumas imprecisões”, nomeadamente, ao falar da Polícia, sem especificar se é toda a PN ou se é apenas uma ramo dessa corporação, sem esquecer, por exemplo, a Polícia Judiciária.
“Não colocamos a hipótese de a PN ser uma instituição corrupta, quanto mais, a mais corrupta de Cabo Verde”, rebate Manuel Alves, que diz dar a devida importância ao estudo, embora discorde dos resultados em relação à Polícia.
“Esse qualificativo não cola, porque a PN, que trabalha em prol do interesse público, protegendo os cidadãos e os seus bens, prima por combater a corrupção e não pode, de maneira alguma, ser considerada uma instituição corrupta”, responde Manuel Alves.
Admite, contudo, que, como em qualquer outra instituição ou organização humana, possa haver entre os efectivos da PN situações de desvios comportamentais, mas “não se pode confundir a árvore com a floresta”.
Para o porta-voz da PN, não se pode falar de “ânimo leve” da existência de corrupção em Cabo Verde. “Tanto é que o país é frequentemente escrutinado, a nível das organizações internacionais, e aparece, entre os países africanos, sempre em destaque em matéria de transparência e de combate à corrupção”, salienta.
Outros indicadores
Segundo o mesmo estudo, os níveis de corrupção em Cabo Verde têm-se alastrado entre as instituições eleitas e entre as não-eleitas, o que chega para concluir que nenhuma delas está imune a esse tipo de percepção, cada vez mais crítico por parte dos cabo-verdianos.
Cerca de 15% dos inquiridos consideraram, também, que há corrupção entre os funcionários públicos em geral e entre os funcionários das Finanças em particular. Na política, foram os eleitos locais, como os presidentes e vereadores das autarquias, assim como o Gabinete do Primeiro-Ministro, que obtiveram a pior avaliação, com 15% dos inquiridos a considerarem que estão envolvidos em actos de corrupção.
O estudo revela, igualmente, que 34% dos cabo-verdianos se sentem impotentes perante o fenómeno, enquanto 55% afirmam poder fazer a diferença na luta contra a corrupção.
PM reage
Reagindo ao estudo da Afrosondagem, que revela que a corrupção aumentou em Cabo Verde, comparativamente ao ano de 2013, o Primeiro-Ministro (PMI) defendeu a necessidade de se “estimular as boas-práticas nas instituições e trabalhar para que o país tenha um Estado republicano que atenda a todos, com rigor e transparência”.
“Se há percepção de que uma determinada instituição pode ter ou não algum mecanismo de corrupção, caberá a todos os cabo-verdianos, o Governo, as instituições públicas e privadas, os cidadãos, trabalharem para eliminar quaisquer indícios de desvios em relação às regras normais de funcionamento da Administração Pública”, aconselhou José Maria Neves (JMN).
Por outro lado, disse ter outros dados que apontam Cabo Verde como um dos países “mais transparentes” de África, “sem corrupção”.
JMN disse, também, que é preciso analisar esses dados nesta perspectiva, independentemente de prestar sempre atenção a todos os estudos e indicadores que se apresentam a Cabo verde.
O papel da Comunicação Social na denúncia dos casos de corrupção foi, também, analisado no estudo, com 34% dos inquiridos a afirmarem que os “media” cabo-verdianos têm sido pouco eficazes nessa denúncia, enquanto 15% consideram que têm sido eficazes.
 

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