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Cultura

Morre o ensaísta e poeta Arnaldo França

O poeta, ensaísta e professor Arnaldo França faleceu no início da tarde desta terça-feira, 18, na cidade da Praia, aos 89 anos. Há muito que se encontrava doente e recolhido em casa.
O decano das letras e intectualidade de Cabo Verde, Arnaldo Carlos de Vasconcelos França, nasceu na cidade da Praia a 15 de Dezembro de 1925. A sua estreia literária aconteceu estudante, ainda, no Liceu Gil Eanes, nos anos quarenta do século passado. Com outros colegas ajudou a criar, no Mindelo, a Academia Cultivar, responsável pelo jornal “Certeza”.
França foi aduaneiro, poeta, ensaísta, professor, Secretário de Estado das Finanças e Ministro das Finanças, e também editor da emblemática revista Raízes, que se publicou nos primeiros anos da independência de Cabo Verde. As suas funções foram reconhecidas, em vida, por várias entidades públicas.
De resto, como uma das figuras mais respeitadas de Cabo Verde, Arnaldo França tem uma obra poética e ensaística de “grande” qualidade, embora por compilar em livro. A sua maneira modesta e tímida ter-lhe-á inibido nessa tarefa. Com a sua morte, espera-se que essa compilação venha a acontecer.
Tido como uma “enciclopédia”, como ensaísta e crítico literário, Arnaldo França escreveu sobre António Aurélio Gonçalves, Januário Leite, Guilherme Dantas, Jorge Barbosa, Luís Loff de Vasconcelos, Arménio Vieira, Teixeira de Sousa, Germano Almeida, entre outros vultos. Um dos seus trabalhos mais importantes foi fixar alguns inéditos de António Aurélio Gonçalves, entre eles o romance “Recaída”, salvando-o assim do provável esquecimento.
Arnaldo França era também um amante do português e do crioulo. Traduziu textos de autores portugueses para a língua cabo-verdiana como Fernando Pessoa, Luís de Camões e Sophia de Mello Breyner Andersen, e fez o inverso traduzindo versos crioulos de Corsino Fortes para a língua portuguesa, por exemplo.
Como poeta, Arnaldo França fez parte de várias antologias, no país e no estrangeiro, a mais célebre das quais “No reino de Caliban”, organizada por Manuel Ferreira, de quem era amigo pessoal desde os tempos da Academia Cultivar.

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