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Política

Saúde: Balanço satisfatório, mas com carência em recursos financeiros e humanos

Contudo, algo ainda falha nos cuidados prestados a nível da rede primária e na hora do cabo-verdiano efectuar as suas  consultas. Segundo o deputado do MpD, Arlindo do Rosário, o sector debate-se com a falta de recursos humanos e a sua deficiente distribuição pelas ilhas.
Dois hospitais centrais, na Praia e no Mindelo, quatro hospitais regionais no Fogo, Sal, Ribeira Grande de Santo Antão e Santiago Norte e uma rede de Centros de Saúde. Ou seja, os serviços estão mais próximos dos utentes, com prestações até há pouco tempo impensáveis em Cabo Verde, caso por exemplo da hemodiálise.
Contudo, é altura de se ter mais recursos, designadamente, humanos. A lista de espera dos pacientes, em diversos sectores da saúde, continua a ser longa. A própria ministra da Saúde, Cristina Fontes Lima, concorda: “Temos ganhos toda gente o diz. Mas, o grande desafio é que precisamos de mais recursos financeiros e humanos”. A ambição, segundo a governante, é diminuir a lista de espera, ter mais consultas especializadas nas ilhas e aumentar a resposta da atenção primária.
Arlindo do Rosário, médico e deputado do MpD, afirma que as desigualdades entre as ilhas nos acessos aos cuidados de saúde agravou-se. Pois, a falta de complementaridade da telemedicina com as visitas especializadas às ilhas, não cobertas por especialistas, tem servido para alargar a já longa lista de espera dos utentes. “A telemedicina não é uma panacéia para todos os problemas ligados às evacuações, servindo, em certos casos, para atrasar as respostas às situações que não podem ser resolvidas por essa via”, aponta.
DEGRADAÇÃO DOS GANHOS
Segundo o deputado do MpD, apesar dos anúncios do Ministério da Saúde sobre as realizações feitas, na prática, tem-se constatado uma progressiva degradação nos ganhos já conseguidos no sector nos anos anteriores. “Falamos na perda de qualidade dos cuidados prestados a nível da rede primária (unidades sanitárias, postos e centros de saúde), mas, também, hospitalares, da ineficácia dos programas de saúde pública traduzida na não melhoria dos indicadores ou mesmo deterioramento de alguns. Como os programas de luta contra a SIDA, a tuberculose e a incapacidade de responder eficazmente aos principais problemas de saúde pública como o alcoolismo”, afirma Arlindo do Rosário.
Desde 2010, a UNICEF vem apoiando o Governo, nomeadamente na diminuição da taxa de mortalidade infantil, sobretudo, os recém-nascidos. De acordo com Cristina Fontes, alcançar os objectivos não depende apenas do Ministério da Saúde, mas do comportamento das pessoas.
Para Arlindo do Rosário, o Governo não conseguiu melhorar os indicadores de saúde contidos nos objectivos do milénio, nomeadamente a mortalidade infantil, e, infelizmente, é muito provável que aquilo que parecia certo há já alguns anos, o atingir de todos os objectivos, não irá ser alcançado. Todavia, os indicadores de esperança de vida em Cabo Verde ultrapassam os 76 anos. A nível de África, é o mais bem posicionado.
PRECISÃO DE MEIOS
Cristina Fontes alega, ainda assim, que o papel dos recursos humanos e financeiros é essencial para que os resultados se tornem mais efectivos. “Chegamos a um ponto em que para continuar a avançar precisamos desses meios. Queremos ter um diálogo com o país para fazermos melhor. Queremos diminuir o tempo de espera e o estresse dos técnicos na carência de pessoal”, afirma Fontes Lima.
Arlindo do Rosário alega que o Ministério da Saúde, nesses anos todos, não tem conseguido aumentar o “tamanho do lençol”.  “Refiro-me, particularmente, aos recursos humanos ainda insuficientes, à má distribuição desses recursos pelo todo nacional, o que tem levado à concentração desses recursos nos maiores centros, ao orçamento deficitário do Ministério com sub financiamento do sector, a falta de uma melhor articulação com o INPS…”.
Enquanto isso, ainda há quadros no sector da saúde, nomeadamente médicos e terapeutas, que reclamam do salário mensal precário. O Governo, por sua vez, defende que os médicos ou “técnicos de saúde” já sabiam das condições ao integrarem-se no staff dos hospitais. “Registamos um descontentamento praticamente generalizado entre os profissionais de saúde que se debatem com dificuldades de aprovação das carreiras profissionais, de actualização salarial e de formação”, afirma Arlindo do Rosário.
Introduzida a hemodiálise, telemedicina e outras prestações, a meta até 2020, através de um trabalho de fundo, é acabar com o paludismo em Cabo Verde. Vias de acesso que ajudam a drenagem da água e 20 poços que precisam ser cobertos, para diminuição dos mosquitos, são questões que o Governo promete dar especial atenção. “É preciso que reforcemos o sector da saúde para podermos dar o salto que os cabo-verdianos querem”, frisa Fontes Lima.
O MpD, por outro lado, defende que é preciso aumentar o financiamento do sector tendo como fonte o orçamento geral do Estado, mas também outros meios de financiamento.
Denise Lobo

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