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Economia

Crescimento económico: BCV revê “ligeira” alta

O Banco de Cabo Verde (BCV) acaba de rever em “ligeira” alta o crescimento económico para 2015. O Banco Central alerta, no entanto, que a evolução da procura externa líquida deverá conter um maior dinamismo económico.
De acordo com o relatório de política monetária do BCV, que acaba de ser entregue ao Governo, esta revisão em alta das projecções de crescimento está relacionada com a evolução recente dos indicadores económicos e financeiros nacionais. A isso junta-se o enquadramento externo e a consequente actualização das hipóteses subjacentes às projecções macroeconómicas.
Perante isso, as projecções apontam para um crescimento real do Produto Interno Bruto (PIB) no intervalo de 2,5 a 3,5 por cento (%) e uma inflação média anual entre 0,2 e 1%.
OPTIMISMO DO BCV
Este optimismo do BCV, em relação ao crescimento económico está outrossim relacionado com a evolução dos preços, “reflexo em boa medida da transmissão aos preços domésticos da acentuada queda dos preços das matérias-primas energéticas, e o seu impacto esperado no rendimento real disponível das famílias e nos custos de produção”.
O Banco Central prevê, ainda, que a “reduzida” inflação venha a compensar a diminuição dos rendimentos agrícolas, suportando, a par do aumento das remessas dos emigrantes e das transferências da Administração Pública, um aumento do rendimento disponível real das famílias e, consequentemente, um crescimento ligeiramente superior do consumo privado em 2015.
A formação bruta de capital fixo, impulsionada pela execução de projectos infraestruturais, maioritariamente públicos, deverá, na óptica do BCV, permanecer como a componente mais dinâmica da procura agregada em 2015.
“Acresce-se que o crescimento do investimento directo estrangeiro, no sector hoteleiro principalmente, e alguma recuperação do investimento empresarial do sector privado nacional, em função de algum alívio nas restrições financeiras, tanto a nível internacional como a nível interno, bem como nos custos com a importação e com a energia e água, deverão reforçar a dinâmica da formação bruta de capital fixo”, revela o relatório .
Segundo o documento, as exportações de bens deverão registar, em termos nominais, uma redução na ordem dos 5% (por cento) neste ano (+35 por cento em 2014). Paralelemente, as importações deverão crescer para acomodar o aumento da formação bruta de capital fixo e, em certa medida, para compensar a redução da produção agrícola interna.
A diminuição dos preços, tanto das matérias-primas (incluindo de bens alimentares), como dos preços no consumidor e no produtor nos principais mercados fornecedores do país, deverá, entretanto, atenuar em alguma medida o crescimento nominal das importações.
O relatório de política monetária destaca, ainda, que o sector da construção deverá continuar a impulsionar o crescimento económico em 2015, a par dos contributos positivos das manufacturas, da agricultura e das pescas.
Por sua vez, a perspectiva em torno de uma evolução mais favorável das actividades turísticas, mercantis e não mercantis, deverá suportar um maior crescimento do sector dos serviços em 2015.
AGRAVAMENTO DAS CONTAS CORRENTES
No que concerne às contas externas, a evolução prevista das componentes da procura, não obstante o antecipado aumento dos donativos (em resultado, em parte, das ajudas aos deslocados de Chã das Caldeiras e para a recuperação das infraestruturas destruídas pela erupção vulcânica) e das remessas dos emigrantes, deverá traduzir-se num agravamento do défice da conta corrente em 2015.
O financiamento da economia com recursos externos deverá continuar a processar-se, principalmente pela via do endividamento público, junto a parceiros multilaterais e bilaterais, não obstante o previsto aumento dos influxos de investimento directo estrangeiro.
A balança de pagamentos deverá permanecer excedentária e as reservas internacionais líquidas deverão garantir cerca de cinco meses de importações de bens e serviços projectadas para 2015.
Projecta-se tanto um crescimento do crédito concedido pelos bancos ao sector público administrativo como às empresas. Aqui favorecido pelo afrouxamento monetário, em curso desde Maio de 2013, e reforçado pelas medidas mais recentemente adoptadas pelo BCV.

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