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Política

Iva Cabral pede retirada da estátua em memória do pai e combatentes

A filha mais velha de Amílcar Cabral, a historiadora e investigadora Iva Cabral, pede às autoridades a retirada da estátua levantada em memória do pai, na Várzea, em frente à Biblioteca Nacional, na cidade da Praia.
Iva Cabral faz tal pedido na sua página do Facebook, após ter ouvido, estes dias, uma entrevista concedida à Televisão de Cabo Verde pelo ministro da Cultura, Mário Lúcio Sousa, sobre as festas do 40º aniversário da independência nacional, na qual a transferência (provisória) do mercado do Platô para o local é abordada.
Iva considera um desrespeito um memorial, considerado património de Cabo Verde, tenha que dividir o espaço com vendedores de verdura, carne, peixe e outros frescos, por decisão da Câmara Municipal da Praia (CMP).
“Já tinha ouvido falar sobre a eventualidade desse ‘arranjo’ urbanístico, mas tinha decidido não entrar de novo na luta pela dignificação da estátua do meu pai, achando que já o tinha feito varias vezes e tinha a esperança que vozes se levantassem para demonstrar o absurdo dessa combinação”, afirma.
A filha de Amílcar Cabral já foi abordada, inúmeras vezes, inclusive pelo A NAÇÃO, sobre questões que norteiam a preservação do memorial que, amiúde, já foi vandalizado e até roubado.
“Quando um político e homem de cultura diz que o problema da coabitação de um ‘Memorial’ com um mercado (…) é estritamente técnico, já que o dever do Instituto do Património Cultural é apenas preservar o monumento/património nacional, eu não posso concordar, não posso ficar calada!”, diz indignada.
E, por causa do que a CMP pretende fazer, Iva Cabral desafia: “Por isso, acho que seria mais digno, mais corajoso, que os decisores tivessem a coragem de retirar essa estátua que nada representa e só traz transtornos e embaraços a quem devia ter dever de defender a memória histórica deste povo”.
E mais, acrescenta:  “Seria mais digno para a figura de Cabral! A existência de um memorial é uma escolha política! Se os políticos cabo-verdianos não acham útil a existência de um lugar de memória, não defendem a sua dignificação, acham normal a coexistência no mesmo espaço de um Memorial (memória) e de um Mercado (comércio) deveriam tomar a única decisão que a meu ver é coerente: libertar a estátua, transforma-la de novo em nada, derreter o bronze!”.
Recorde-se que A NAÇÃO já tinha levantado o problema da divisão do espaço onde fica o Memorial Amílcar Cabral e o mercado provisório que irá receber vendedeiras do mercado do Platô, desde Fevereiro, mas tal foi adiado.
Algumas vozes, inclusive o ministro da cultura Mário Lúcio Sousa, posicionaram-se contra a iniciativa da CMP, garantindo que providências iriam ser tomadas. Uma delas, sabe este jornal, foi uma providência cautelar do IPC, junto do Tribunal, para que a transferência não aconteça.
Essa acção do IPC já mereceu críticas de Ulisses Correia e Silva, enquanto presidente da CMP. As obras continuam e tudo indica que o Memorial Amílcar Cabral vai ter mesmo como paisagem em volta vendedores de verdura, peixe, carne e outros frescos. Aliás, pergunta-se como serão as actividades previstas por altura da comemoração dos 40 anos da independência de Cabo Verde, nomeadamente colocação da coroa de flores e outros actos.
CG

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