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Fogo

Governo deve dar continuidade aos programas de sensibilização para gestão e conservação de valores ambientais – vulcanóloga

A vulcanóloga Sónia Silva afirmou esta terça-feira, que o Governo deve dar continuidade aos programas de sensibilização ambiental para a gestão e conservação dos valores ambientais, mas em conciliação com os interesses económicos da população de Chã das Caldeiras.
A especialista que falava à Inforpress, por ocasião do Dia Mundial da Terra que se celebra hoje, 22 de Abril, disse que o dia deve servir para refletir sobre a tomada de consciência e procura de soluções para problemas relacionados com as alterações climáticas, fenómenos extremos como o vulcanismo, a seca, os sismos e tsunamis, entre outros fenómenos que afectam as populações e a sua resiliência.
Tendo em conta que Chã das Caldeiras está inserida no Parque Natural do Fogo, a vulcanóloga defendeu que é necessário dar continuidade aos programas de sensibilização ambiental para a gestão e conservação dos valores biológicos, geológicos e paisagísticos, conciliando assim os interesses económicos da população que residia nessa localidade e que têm neste espaço geográfico o seu sustento económico.
“É preciso também desenvolver um programa que visa as actividades económicas e turísticas mas preservando os aspectos naturais de Chã das Caldeiras”, realçou a responsável sublinhando que é indispensável que as instituições públicas estejam articuladas, de forma a aproveitar melhor as sinergias e economias de escala, promovendo uma melhor eficácia na prevenção e nas intervenções.
Sendo o vulcão do Fogo activo, a vulcanóloga assegura que o futuro em termos de gestão sustentável deve seguir as recomendações da Associação Internacional de Vulcanologia Química do Interior da Terra (IAVCEI) e da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO).
“As recomendações visam a elaboração de mapas de perigosidade vulcânica para planificar e realizar um melhor uso do território, desenvolver um programa multidisciplinar para a vigilância vulcânica, monitorização geofísica, geoquímica e geodésica para melhorar e optimizar o sistema de detecção antecipada de sinais de alerta e realizar planos de emergência que visam educar a população perante o fenómeno vulcânico e minimizar a perda de vidas humanas”, acrescentou.
No seu ponto de vista, deve-se apostar também na sensibilização nas escolas, comunidades e divulgação de informação através de programas educativos na rádio, web, televisão, vídeos, redes sociais entre outros.
Uma vez que a população já está a voltar à localidade de Chã das Caldeiras, a especialista considera que devem ser implementadas alternativas para o assentamento urbano e a construção das vias de comunicação, de modo que estejam salvaguardadas as condições de segurança e bem-estar da população.
No que diz respeito às actividades de agricultura e pecuária, advogou que devem ser organizadas de modo que a população possa beneficiar dos rendimentos provenientes dessas acções.
No seu entender, a população pode tirar algum benefício, incluindo económico com os solos formados e as rochas vulcânicas, já que as lavas podem ser utilizadas como produtos de artesanato e decoração, prática que já vem sendo desenvolvida, mas salientou que é importante que haja medidas de protecção ambiental, no que concerne à geoconservação na sequência da sua exploração, contribuindo assim para a manutenção da biodiversidade e dos processos ecológicos dependentes da geodiversidade.
“A ocasião é também uma oportunidade no que concerne ao geoturismo e na divulgação científica envolvendo estudantes e cientistas numa melhor compreensão dos fenómenos vulcânicos”, referiu.
Para finalizar, Sónia Silva lembrou que o dia é promovido pelas Nações Unidas, e celebrado no mundo inteiro por organizações governamentais e não-governamentais, instituições, universidades e escolas no sentido de chamar a atenção para as questões ambientais do planeta terra, e de promoção e harmonia entre a terra com o ambiente, a sociedade e a economia.
O Dia Mundial da Terra, foi criado pelo activista ambiental e senador americano Gaylord Nelson em 22 de Abril de 1970, foi um dos principais precursores da luta pela preservação do meio ambiente na política dos Estados Unidos da América, e entrou para a história dos movimentos ecológicos.
Fonte: Inforpress

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