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Cultura

Cai o pano sobre o AME: Edição 2016 será tripartida entre MC, Harmonia e WOMEX

Cai o pano sobre a III Edição do AME, na cidade da Praia já com a certeza da edição 2016 vir a ser realizada numa parceria público-privada tripartida. Ministério da Cultura, Harmonia e WOMEX, como no fundo já vinha acontecendo.
A informação foi avançada pelo “gigante” do WOMEX, Christopher que garantiu que a realização das próximas edições irá decorrer “mais ou menos como tem acontecido até agora”, escusando-se para já a avançar pormenores.
A terceira edição do AME terminou ontem à noite na cidade da Praia, na Praça Luís de Camões com a actuação de Tibau, artista cabo-verdiano da ilha do Maio, mas a sessão ficou marcada pelo discurso do Ministro da Cultura Mário Lúcio Sousa, que mais uma vez entoou a música de John Lennon “Imagine”, demonstrando que o “sonho” é possível. Mário Lúcio agradeceu à equipa que ao longo destes três anos fez com que o AME fosse possível, mas também a todos os produtores, programadores e artistas nacionais e estrangeiros que já colocaram a cidade da Praia na rota dos festivais da Worldmusic.
Mas Jorge Carlos Fonseca, Presidente da República, anfitrião do encerramento oficial do AME, acabou por protagonizar um dos momentos mais marcantes da noite, não por razões artísticas, mas políticas. O veto dos Estatuto de titulares de Cargos Políticos não passou despercebido aos cabo-verdianos presentes e mal começou a discursar, dizendo que hoje era um dia particularmente especial para ele, o público começou a aplaudi-lo de pé, sem que os estrangeiros percebessem muito bem o que estava acontecer.
Balanço positivo
Cai assim o pano sobre o AME. Quatro dias de muitos showcases, conferências, workshops e encontros profissionais. Os programadores dão nota positiva e falam de um período de amadurecimento. Eric Gbeha, veio pela segunda vez do Benin para participar no AME. Um habitué destes mercados de música do mundo, Gbeha acredita que são cada vez mais “necessários” eventos como o AME para promover e comercializar a música africana. “Acho que é o tipo de evento que os artistas, os músicos e os produtores africanos devem apoiar e participar”, defendeu em entrevista ao A NAÇÃO.
Este profissional da worldmusic tem uma visão muito determinada das potencialidades e do mercado que a música africana pode atingir. Contrariando, inclusive muitos que vêem, muitas vezes, a Europa como uma espécie de tábua de salvação para a comercialização dos ritmos africanos. “O problema não é fazer a música africana crescer na Europa. Acho que nós temos de ter criatividade para fazer com que os nossos artistas actuem em África. Isso é o mais importante. Há muitos que são reconhecidos lá fora, mas não dentro do nosso continente. Por isso é necessário que haja eventos em África que nos permitam programar esses artistas no continente, para que possam vir a ser reconhecidos cá”, argumenta.
Gbeha é director artístico do Africa Festival em Benim e também organiza o Salão Internacional da Música Africana (Sima), que depois dos Camarões e Senegal, acontece este ano no Benin. Habituado a trabalhar com o produtor Djo da Silva e a “comercializar” alguns artistas das ilhas, o nosso entrevistado afirma que Cabo Verde tem artistas “muito bons” e espera poder programar alguns para o Africa Festival deste ano.
Para os artistas nacionais e estrangeiros o AME representa uma oportunidade “única” de conquista de novos mercados. Que o diga Olavo Bilac, descendente de cabo-verdianos, há muito na estrada e que depois dos Santos e Pecadores se lança agora a solo.
O cantor, filho de pai da cidade da Praia e mãe de São Vicente, Olavo Bilac diz que sempre teve vontade de vir buscar inspiração às suas raízes, cantando inclusive em criolo a morna “Fruto Proibido”, muito aplaudida pelo público na Rua Pedonal, no espectáculo que antecedeu o encerramento do AME.
O público rendeu-se aos novos temas do cantor, do álbum “Músicas do meu mundo”, mas também a velhos sucessos como “Jardins proibidos” e “Fala-me de amor” numa versão reggae. “O povo cabo-verdiano está muito ligado a Portugal e á lusofonia e entendemo-nos muito bem”, disse.
Agora, é tempo de Kriol Jazz, hoje e amanhã, na praça Luís de Camões com nomes como Dino de Santiago, Richard Bona e Speranza Spalding, entre outros. GC
 

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