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São Vicente

Zé Catana julgado pelas mortes de Alice e Maria de Chandim

O primeiro “serial killer” de Cabo Verde vai a julgamento esta quarta-feira, 11, em São Vicente, sob acusação de assassinar Alice Reis e Maria Chandim, na zona de Fernando Pó.
O Ministério Público vai pedir a condenação Zé Catana pelo assassinato de Alice Reis e Maria Chandim, duas mulheres com quem lidava antes de rumar à Cidade da Praia, onde esquartejou e vendeu a carne de José dos Anjos, que o havia acolhido. O julgamento, marcado para 11 de Março, fará regressar assim à ilha do Monte Cara aquele que é considerado o primeiro “serial Killer” de Cabo Verde, devido aos crimes hediondos que tem no seu histórico.
Zé Catana já havia estado em São Vicente, entre os meses de Dezembro de 2013 e Fevereiro de 2014, sob o interrogatório da Polícia Judiciária (PJ) e do MP, depois de na Praia mencionar as mortes de Alice e Maria Chandim a inspectores da PJ.
Já em São Vicente, ele voltaria a admitir às autoridades, num primeiro momento, ter matado as duas mulheres. Depois, negou tudo, passando a brincar de “gato e rato” com os policiais. O certo é que os três mantinham uma relação de amizade, quando moravam na zona de Fernando Pó, periferia de São Vicente; porém, desde Julho de 2012, ninguém sabe do paradeiro de Alice do Reis. Maria Chandim faleceu em Agosto desse mesmo ano.
Apesar de o jogo de “gato e rato”, as autoridades consideram que há indícios de que Zezinho assassinou Alice dos Reis depois de uma discussão que tiveram e enterrou o corpo em local desconhecido. Terá também matado Maria Chandim após esta ameaçar contar o que fez à amiga, embora a autópsia ao corpo dessa falecida vendedeira de peixe aponte para um ataque cardíaco.
O psicopata
O MP quer agora descobrir onde Zé Catana enterrou os restos mortais de Alice do Reis e pode recorrer à exumação do cadáver de Maria Chandim para entender a sua morte. Se ficar provado que Catana matou essas duas mulheres, ele pode incorrer a uma pena de 15 a 25 anos, pelos crimes de dois homicídios agravados e outra por ocultação de cadáver. E ele já está a cumprir a pena máxima admitida em Cabo Verde, de 25 anos, na Cadeia de São Martinho, pela morte de José dos Anjos Pires, na ilha de Santiago.
Foi este último caso que, a 13 de Junho de 2013, trouxe à tona crimes macabros praticados por Zé ou Zezinho Catana, tido como um psicopata, natural de Santo Antão.
Catana foi detido pela PJ após terem sido encontrados ossos humanos na zona de Terra Branca, perto da residência de José dos Anjos, pedreiro, natural da ilha de Santo Antão, e que se encontrava desaparecido. Aliás, chocou a forma como revelou à polícia ter assassinado, esquartejado e vendido a carne do colega de quarto como sendo de carneiro. Os moradores da zona quase o lincharam quando a polícia apareceu com ele no local para a investigação do caso.
O cadastro de Zé Catana também estende-se a Santo Antão. Nessa ilha, chegou a ser acusado, em 1980, de tentar matar um indivíduo. Este levou 75 pontos, mas conseguiu escapar da morte. Três meses depois, cometeu um assassinato também em Santo Antão, esmagando a cabeça da vítima com uma pedra de 15 quilos. Mesmo no período em que estava a cumprir a pena de prisão, terá violado uma idosa de 94 anos durante uma licença de fim de semana.
No momento em que se discute o aumento da pena máxima, de 25 para 35 anos, o caso de Zé Catana pode ser apontado como paradigma. Isto é, se a sociedade cabo-verdiana está ou não livre de indivíduos como Catana, que, condenado mais de uma vez, é posto em liberdade e volta a cometer o mesmo tipo de crimes.

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