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Política

MpD quer INE dotado dos órgãos previstos na lei

O MpD exigiu esta sexta-feira novamente que o Governo dote o Instituto Nacional de Estatística dos órgãos previstos na lei e pediu que o INE passe a divulgar simultaneamente dados em sentido restrito e amplo do desemprego no país.
Em comunicado de imprensa, o Movimento para a Democracia propõe que o INE tenha um conselho de administração, um vice-presidente e um conselho fiscal”, salientando que o partido e o país merecem saber qual é o número de desempregados que, pelo facto de não procurarem trabalho no período de referência do inquérito, não constam da estatística de desempregados.
O INE, lê-se no comunicado, deve continuar a divulgar o desemprego em sentido restrito, respeitando as recomendações internacionais da Organização Internacional do Trabalho e divulgar, ao mesmo tempo, o desemprego em sentido lato, “abrangendo ou quantificando todos aqueles que são de facto desempregados, assim como os desempregados desencorajados e os trabalhadores a tempo parcial que desejam ter emprego a tempo inteiro”.
Só assim será possível compreender a verdadeira dimensão do desemprego no país, defendeu o maior partido da oposição, ao lembrar que Cabo Verde regista um alto nível de desemprego, uma alta taxa de desemprego jovem com tendência ascendente e um alto nível de subemprego.
Cerca de 36.000 cabo-verdianos estão no desemprego, 35% na faixa etária dos 15 aos 24 anos e 25% na faixa dos 15 aos 34 anos, representando mais de 16% da população activa, destaca, para acrescentar que, em 2013, havia 68.500 pessoas no subemprego, quando, em 2012, eram 42.000, ou seja, 54% dos cabo-verdianos, 105.000 pessoas em idade activa, estão ou no desemprego ou no subemprego, sublinha o comunicado.
Para o MpD, “Cabo Verde vem registando um crescimento efectivo do subemprego, do emprego precário, da pobreza empregada e da precarização, com o aprofundamento dos desequilíbrios regionais e sociais e a consequente degradação da situação de segurança”.
Afirma, neste particular, que é a pobreza e a pobreza empregada que estão na base da desertificação de certos municípios, como os do Fogo, da Brava, do interior de Santiago e de Santo Antão.
“Estes são os resultados do pacto nacional do emprego. Da inteira responsabilidade do Governo de Cabo Verde e da ministra do Emprego, Dra. Janira Hopffer Almada”, critica a oposição, para notar que os dados apresentados sobre o mercado de trabalho retratam, “ainda assim”, apenas uma parte do problema.
No entender desse partido, a metodologia aplicada pelo INE não retrata fielmente a situação real, uma vez que considera desempregado toda a pessoa com 15 anos ou mais que durante o período do inquérito não tinha trabalhado pelo menos uma hora na semana de referência e não tinha um trabalho de que esteve ausente na semana de referência.
Outras condições dessa metodologia, refere o comunicado, é a pessoa estar disponível para trabalhar nas próximas duas semanas, ter procurado activamente um emprego nas últimas quatro semanas que precedera a semana de referência do inquérito.
Mas quem não tiver procurado activamente um emprego nas últimas quatro semanas que precedera a semana de referência do inquérito não é considerado desempregado, sublinha MpD, para quem fazer isto em Cabo Verde é manter um número elevado de desempregados fora do radar estatístico.
“É assim que temos taxas de desemprego inferiores a 10%, nomeadamente em Santa Catarina do Fogo, Mosteiros, Calheta de São Miguel e Santa Catarina de Santiago. E uma taxa de desemprego nacional na ordem dos 16%, apenas”, sublinha o comunicado, explicando que o facto de uma pessoa não estar a trabalhar em Cabo Verde não significa, necessariamente, que seja considerada como desempregada, o que não devia estar a acontecer.
O apelo do MpD é no sentido de conhecer, por isso, a verdadeira e toda a dimensão do problema do desemprego em Cabo Verde para que possa ser combatido “com sentido de urgência”, porque o país precisa de emprego para jovens, de rendimento para as famílias, de segurança para as pessoas e de dignidade para todos.
Fonte: Inforpress

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