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Fogo

Prejuízos gerados pela erupção vão afetar inflação e desemprego – PM

A erupção vulcânica na ilha do Fogo vai ter um “grande impacto” na inflação e no desemprego em Cabo Verde, disse hoje em Lisboa o primeiro-ministro cabo-verdiano.
José Maria Neves, que falava à entrada de um encontro com a comunidade cabo-verdiana que decorreu ao início da noite na universidade Lusófona, acrescentou que os prejuízos com a erupção ultrapassam os 50 milhões de euros, mas assegurou que a ilha do Fogo será reconstruída.
“Os prejuízos são enormes, ascendem a mais de 50 milhões de euros, os dados provisórios do primeiro levantamento, mas estamos empenhados, no momento pós-erupção, fazer a reconstrução da ilha”, disse.
Segundo José Maria Neves, a erupção vulcânica “vai ter um grande impacto na inflação porque a Chã das Caldeiras é um dos celeiros de Cabo Verde. Vai ter um grande impacto na produção agrícola e vinícola e no desemprego. Aquelas pessoas desalojadas e que viviam da produção agrícola e da indústria agroalimentar vão ter algumas dificuldades”, acrescentou, na fase final da sua vista a Portugal onde participou na III cimeira luso-cabo-verdiana e visitou diversas regiões do país.
“Mas estamos empenhados e vamos criar o gabinete de reconstrução da ilha do Fogo para no pós-erupção fazermos o nosso trabalho de casa e podermos reconstruir a ilha”, prometeu.
José Maria Neves revelou ainda que no quadro do programa indicativo de cooperação para 2015 com Portugal, vão ser aplicadas verbas no desenvolvimento da ilha do Fogo.
“Portugal foi o primeiro país a acudir Cabo Verde, enviou uma fragata, depois duas ambulâncias, e os municípios através da UUCLA, da Associação nacional de municípios ou individualmente estão a mobilizar recursos para continuar a apoiar Cabo Verde”, salientou.
O chefe do governo cabo-verdiano, que manifestou a disposição de transmitir uma “mensagem de grande otimismo” para a sua comunidade, recordou que em 2015 de celebram os 40 anos da independência do arquipélago e referiu-se a um país novo.
“Transformámos Cabo Verde de um país impossível num país possível. A probabilidade de Cabo Verde ter sucesso era 1975 era mínima, e hoje Cabo Verde tem uma grande confiança no futuro, sobretudo temos muito menos dúvidas e mais certezas quanto ao futuro”, ressalvou.
“É essa a mensagem de muita confiança e otimismo que vou trazer aos cabo-verdianos, dizendo-lhes que temos de continuar a este ritmo para no horizonte de 2030 termos um Cabo Verde desenvolvido, moderno, competitivo e que possa das condições para que todos vivam com muita dignidade”.
A deslocação a Portugal foi definida como “muito produtiva”, com José Maria Neves a sublinhar o sucesso de mais uma cimeira bilateral.
“Projetámos o futuro, novas áreas de cooperação, particularmente no domínio do mar, das energias renováveis, do agronegócio, com uma forte orientação para o fortalecimento de parcerias entre as empresas cabo-verdianas e portuguesas para impulsionar a afirmação e desenvolvimento do setor privado, que deve assumir cada vez mais protagonismo neste processo de construção de parcerias entre Portugal e Cabo Verde”.
As áreas do ensino superior, ciência e inovação, e a área cultural também foram temas abordados entre as duas partes.
Neste âmbito, visitou a universidade de Aveiro “que tem uma cooperação importante com Cabo Verde no domínio das tecnologias informacionais e do hipercluster do mar que estamos a construir em Cabo Verde”, para além de deslocações a Coimbra e Viseu.
Nesta última cidade, o chefe do governo cabo-verdiano discutiu com responsáveis locais o reforço das relações com os municípios portugueses, sublinhando o seu “papel importante” na consolidação do sistema democrático.
“O poder local é um pilar importante do Estado de direito democrático em Cabo Verde, mas também um contributo enorme para o desenvolvimento social do país e mobilizar apoios para a ilha do Fogo, que está em erupção. Este ano foi muito seco e explosivo em Cabo Verde”, concluiu.
O vulcão da ilha do Fogo entrou em erupção no dia 23 de novembro e até agora não provocou vítimas, tendo destruído Portela e Bangaeira, as duas povoações de Chã das Caldeiras, planalto que serve de base aos vários cones vulcânicos da ilha.

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