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Perdas com Angola são a factura que mais pesa no capital do Novo Banco

Auditoria determinou ajustamentos de 4937 milhões. As perdas com Angola pesam 2750 milhões de euros nas necessidades de capital do Novo Banco. Instituição herda crédito fiscal de 2800 milhões.
A auditoria ao património transferido para o Novo Banco conclui que da aplicação da resolução ao Banco Espírito Santo (BES) resultaram necessidades de ajustamento de 4937 milhões de euros, que estão refletidas no capital da nova instituição. Após o efeito fiscal, estes ajustamentos representam 3725 milhões de euros em termos consolidados.
O principal ajustamento prende-se com o reconhecimento no capital do Novo Banco das necessidades relativas a perdas com o empréstimo concedido à participada de Angola que foram estimadas em 2750 milhões de euros. O montante corresponde às aplicações feitas pelo BES no BESA (Banco Espírito Santo Angola), que passou chamar-se Banco Económico. Esta imparidade foi revista em baixa na sequência da reestruturação do banco angolano que resultou numa redução do crédito do Novo Banco em cerca de 80%, quando antes a perda estava reconhecida a 100%.
A inexistência de uma provisão nas contas do antigo BES para reconhecer perdas na operação de Angola tem sido uma das opções mais questionadas na comissão parlamentar de inquérito aos atos de gestão do banco.
Em comunicado divulgado esta quarta-feira ao início da noite, o Banco de Portugal divulga os resultados da avaliação de ativos efetuada pela auditora PwC. O capital do Novo Banco acomoda ainda um reforço das imparidades na carteira de crédito de 1204 milhões de euros e 759 milhões de euros resultantes da revisão em baixa do valor dos ativos imobiliários.
O exame levou à revisão dos créditos a 2933 devedores do Novo Banco que representam 51% do valor nominal do crédito total. Foram ainda realizadas 1537 avaliações à carteira de ativos imobiliários, que correspondem a 910 imóveis.
A PwC conclui que o Novo Banco tem um rácio de 9,2% de fundos próprios de nível 1, o que significa que o capital injetado na medida de resolução, 4900 milhões de euros, acomoda já estes ajustamentos, e assegura o cumprimento dos rácios legais. O valor dos reajustamentos aos ativos efetuados nesta auditoria representa 6% do valor contabilístico à data da aplicação da medida de resolução.
O balanço do Novo Banco beneficia ainda de ativos por impostos diferidos que foram transferidos do BES. O montante líquido ascendia a 2,8 mil milhões de euros e será deduzido do pagamento de impostos sobre lucros futuros, o que irá beneficiar o futuro acionista da instituição.
200 AUDITORES E 30 MIL HORAS DE TRABALHO
Os trabalhos de auditoria que passaram a pente fino os ativos do Novo Banco envolveram mais de 200 auditores em mais de nove países e representaram cerca de 30 mil horas. Trabalharam ainda neste projeto sete empresas de avaliação imobiliária.
Para o balanço consolidado da instituição contaram o Novo Banco e as sucursais na Madeira, Cayman, Espanha, Reino Unido, o Banco Espírito Santo de Investimento e sucursais, o BES Vida, a ESAF (empresa gestora de fundos de investimento), o Banque Espirito Santo et de la Vénétie, a Espírito Santo Ativos Financeiros, a ES Tech e Venture (capital de risco) e fundos de gestão de património imobiliário.
O Novo Banco divulgou ainda o balanço a 4 de agosto que assenta num ativo consolidado de 72465 milhões de euros e capitais próprios de 5577 milhões de euros. A carteira de crédito ascendia a 43,8 mil milhões de euros, dos quais 72% representa empréstimos a empresas. Os recursos de clientes totalizavam 46,2 mil milhões de euros.
Fonte: Observador

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