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Familiares de baianos presos em Cabo Verde pedem liberdade até novo julgamento

Na carta, as famílias afirmam que os baianos são inocentes. Eles alegam que há a ausência de parâmetros legais na condução do processo

Os pais de Rodrigo Dantas e Daniel Guerra, velejadores baianos que foram condenados por tráfico internacional de drogas em Cabo Verde, na África, pediram em uma carta divulgada na sexta-feira (9) que os dois aguardem o julgamento da segunda instância em regime domiciliar. Um recurso oficial será ingressado na Justiça na próxima semana.

O primeiro pedido já realizado à Justiça não foi concedido por haver sido considerado um risco de fuga. Os pais negam esse fato e argumentam que os familiares residem atualmente em Cabo Verde. Rodrigo chegou a ficar quatro meses em liberdade condicional em Cabo Verde mas foi preso novamente em dezembro do ano passado.

Rodrigo e Daniel foram condenados a 10 anos de prisão pela Justiça de Cabo Verde em março deste ano acusados de estarem portando 1.100 kg de cocaína em um barco. De acordo com eles, o inquérito elaborado pela Polícia Federal brasileira foi desconsiderado pela Justiça.

Na carta, as famílias afirmam que os baianos são inocentes. Eles alegam que há a ausência de parâmetros legais na condução do processo. Os pais ainda reclamam que os proprietários da embarcação em que os baianos trabalhavam como velejadores nunca foram procurados pela Justiça de Cabo Verde. A embarcação pertence a um inglês conhecido como Geoge Fox que está sendo procurado.

“No que tange a presunção de inocência, infelizmente essa nunca esteve a favor de Daniel Guerra e Rodrigo Dantas. Desde quando a substância foi descoberta pela polícia, ambos foram tratados como culpados pela situação, de modo que a aceitação de provas e a condução da investigação foram prejudicados. Ora, como profissionais devidamente contratados, não há como recair sobre eles a culpa integral, sem que os proprietários da embarcação sejam efetivamente investigados e questionados”, diz a carta.

Eles alegam que a droga teria sido acondicionada na embarcação em um momento de reforma. E que os dois apenas tiveram acesso ao barco para auxiliar a movimentação do veleiro de um local a outro. Os pais ainda denunciam que o processo está parado “há meses” na procuradoria do Tribunal de Barlavento.

“Destaca-se também que o convívio familiar é um direito internacionalmente respeitado. Na situação de Daniel Guerra e Rodrigo Dantas, brasileiros recolhidos em outros país, a efetivação desse direito seria mais efetiva com a concessão do regime domiciliar, uma vez que as famílias enfrentam barreiras culturais, geográficas e econômicas para estarem junto de seus filhos”, pedem.

Na manhã desta sexta-feira (9), os familiares e amigos de Rodrigo Dantas fizeram uma manifestação durante o II Congresso Internacional de Segurança e Defesa que ocorreu na Faculdade de Administração da Universidade Federal da Bahia (Ufba).

A tentativa era de entregar o relatório da Polícia Federal brasileira e da embaixada do Brasil ao comandante da Polícia Nacional de Cabo Verde, que participaria do evento mas cancelou sua participação por motivos de saúde.

Lembre o caso
Rodrigo Dantas e Daniel Dantas foram contratados pela empresa Yatcg Delivery Company para entregar um veleiro que estava sendo reformado em um estaleiro em Salvador na Ilha de Açores, em Portugal. O gaúcho Daniel Guerra, que também está preso, se juntou aos baianos em Natal.
O veleiro foi inspecionado no Brasil em Salvador e Natal, sem irregularidades.

Já em Cabo Verde, na África, uma tonelada de cocaína foi encontrada no veleiro em um piso de concreto e cimento na embarcação, quando ele passou por outra inspeção.

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