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Literatura: “Uma história Inacabada” de Euclides Fontes lançada esta quarta-feira

O autor fala sobre a obtenção da independência de Cabo Verde e realça o papel dos cabo-verdianos que não lutaram na Guiné, mas que tiveram um papel fundamental para a obtenção da independência.

Uma história Inacabada” é o título da obra de Euclides Fontes, falecido em 2010 antes de terminar o livro, e que será lançada nesta quarta-feira, na cidade da Praia, pela Livraria pelo Cardoso e pelos familiares.

Em conversa com a Inforpress, um dos apresentadores da obra Aristides Socorro Pereira explicou que se trata de um livro de memórias e de biografia que conta não só a vida do próprio autor, mas apresenta elementos sociais e políticos que repercutiram na vida do mesmo, como o período crítico da luta pela independência de Cabo Verde.

“O livro não se centra na pessoa do autor, mas essencialmente nos factos políticos da vida do autor. É o papel dele e o papel da população na luta pela liberdade e independência”, disse, assegurando que o livro faz referência à vida pessoal do autor, a infância dele em Calheta, as pessoas que ele amou e ainda lembra a deportação dele para Angola, as privações e as torturas por que passou.

Para o apresentador, este livro ficará como “referência no mundo da literatura político nacional”, uma vez que é um dos primeiros livros que narra a história dos militantes que na luta pela independência de Cabo Verde e da Guiné-Bissau foram deportados para Angola.

Até então, indicou, existem apenas obras que dão testemunhos dos combatentes que passaram pelo Campo de Concentração do Tarrafal de Santiago, como “Testemunho de um Combatente” de Pedro Martins” e “Cabo Verde: Os Bastidores da independência” de José Vicente Lopes.

Ao longo das mais de 120 páginas, as pessoas vão poder constatar uma análise feita pelo autor sobre a obtenção da independência de Cabo Verde, em que este realça o papel dos cabo-verdianos que não lutaram na Guiné, mas que tiveram um papel fundamental para a obtenção da independência no país.

Para Aristides Socorro Pereira, esta obra vai provocar um longo debate porque a originalidade e o interesse deste livro é demonstrar com denúncia, teorias, raciocínio, factos, livros e arquivos como a população participou no processo da independência.

“Esses debates existem, mas não tinham um livro como esse que, em 120 e tal páginas, argumenta e apresenta a tese de que a independência de Cabo Verde é ganha pela própria população cabo-verdiana, dentro de Cabo Verde, pela agitação social que faz, pressionando o Governo colonial a decidir a favor da independência” enfatizou.

Uma história inacabada, porque precisamente o autor não conseguiu terminar o último capítulo, onde começou a escrever sobre um grupo de elementos do Partido Africano da Independência de Guiné e Cabo Verde (PAIGC) que em 1979 foram postos de lado ou saíram do partido.

Isto é, o autor propunha-se discorrer sobre o regime de partido único e o impacto desse regime na sociedade cabo-verdiana.

“O livro termina nesta parte onde ele tem que imigrar para os Estados Unidos da América por ter entrado em conflito com o sistema e, infelizmente, devido a uma doença prolongada ele não conseguiu dar mais elementos sobre essa parte do que poderá ter levado à ruptura” explicou.

Euclides Fontes, que faleceu nos Estados Unidos da América no dia 09 de Março de 2010, conta ainda nesta obra as perseguições da Polícia PIDE, a prestação do serviço militar em São Vicente, onde descreve os abusos e restrições a que os recrutas estavam sujeitos e o seu internamento forçado no campo de Concentração de São Nicolau.

Inforpress

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