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Azáguas & o renovar da esperança no mundo rural agricola familiar

Com mais ou menos chuva temos de garantir produção agrícola local para todos os cidadãos, deixando para trás e tempo de má memória a irresponsabilidade colonial (...)

Por: José Valdemiro Lopes

Que este novo ano de “AZÁGUAS” continue, no mesmo ritmo e moldes, até ao fim do ciclo e que seja sempre igual a boa realidade atmosférica de precipitações pluviais, registadas, em todas as ilhas, que vivemos, desde os primeiros dias de Setembro 2018 até este dia seis de Setembro, quinta-feira, data da redação desta reflexão, é a esperança que vivem e esperam que continue, na continuidade, nossos agricultores-criadores e suas famílias, em todos os cantos e cutelos deste arquipélago e seguramente que, eles não vão esquecer, facilmente, a má experiencia, vivida, pela esta classe do sector primário, como, resultante e constrangimento proporcionado pelo, “muito mau ano agrícola de 2017”, um episódio quase extremo, que mergulhou as famílias, rurais cabo-verdianas, mais intensamente que os mais outros dos extractos sociais da população na “crise social” quase que endêmica, que afecta e fustiga injustamente, a maioria dos cidadãos nestas nove ilhas habitadas.

Pagamos todos, directa ou indirectamente com a subida (por falta de controle!) de preços de produtos alimentares básicos de primeira necessidade… a realidade socioeconômica vindo da falta de chuva, atingiu duramente, os agricultores-criadores, que viveram: falências, vendas de seus animais a desbarato, empobrecimento, desemprego… e felizmente que não ouvimos falar de suicídios…

Entre chuva vem ou persistência da seca, a realidade climática geoestratégica que é a nossa obriga-nos a refletir sobre “que modelo agrícola para Cabo Verde nesta era moderna e em pleno século vinte um !”, o certo é que  a resposta tem de vir de especialistas da área, mas não é aventurar, se, perguntarmos, porquê, continuar, sem conseguir-se, bons resultados, nem atingir objetivos, o modelo agrícola tradicional (já cultural) !!  As instituições públicas e governamentais da área, devem orientar as famílias rurais que laboram para a própria sobrevivência, a inovar e abandonar práticas que não criam valores e empobrecem, segundo informações de especialistas, o solo arável e o próprio agricultor, que procura solução á questão fundamental, já mais acima mencionada, a da sua própria sobrevivência e saída da situação de pobreza e dependência…

Novas práticas agrícolas, nestas ilhas, deverão garantir a salvaguarda da biodiversidade, proteção do meio ambiente, e implantação de culturas agrícolas que demandam menos água e de resultados cíclicos de curto prazo, criando valor, com impacto na segurança alimentar e insistimos, traduzindo-se em resultados reais, de saída da pobreza… constatamos ganhos com a instalação quase generalizada do sistema de rega gota-a-gota, mas os técnicos e profissionais da agricultura devem ir mais longe e posicionar-se, mais perto dos agricultores com o objetivo de inverter a rota da fatalidade, herança colonial, e apostar em resultados adequados para se poder transformar, talvez de maneira profunda a agricultura cabo-verdiana, para podermos responder á demanda interna, atingir os novos nichos criados pela indústria turística nacional sobretudo nas ilhas da Boavista e Sal.

O tratamento e reutilização de águas usadas deveria generalizada em todas as ilhas.

O cabo-verdiano actor do seu próprio percurso existencialista de vida, é homem impregnado de cultura e está integrado no seu meio ambiente geográfico e climático, assumindo mudanças de atitudes e transformações no seu quotidiano e o residente, no campo como o morador da urbe deverá viver em harmonia com e respeitando a natureza e o meio ambiente, … ao agricultor caberá a responsabilidade de praticar uma nova agricultura na ótica de criação de valores, com produtos saudáveis, com o objetivo de se poder alcançar segurança alimentar a toda a população destas ilhas e operando práticas agrícolas que garantem respeito e preservação da nossa biodiversidade… estamos noutra era, com a cara sempre voltada para a frente e para o progresso, vamos todos dizer não ao fatalismo e nunca mais,  “… as cabras não irão  ensinar-nos a comer pedras …” Com mais ou menos chuva temos de garantir produção agrícola local para todos os cidadãos, deixando para trás e tempo de má memória a irresponsabilidade colonial que deixava os naturais destas boas nove ilhas habitadas perecer vergonhosamente de fome ou a embarcar para o sul, sob a forma de escravatura moderna chamada de “contratados” nas roças de algodão,  café e cacau…tenho familiares que sabem melhor que a minha pessoa o que isso significa!

Todas estas nove ilhas habitadas, são ilhas agrícolas de Santo Antão á Brava. Em São Vicente, há uma boa rede organizada de produtores agropecuários, do Madeiral á Ribeira Vinha, em passando por Calhau e Mato Inglês … A  Associação Comunitária da Ribeira Vinha, tem brindado os são vicentinos, com feiras agrícolas e culturais, há já vários anos e festejarão em Outubro próximo, mais um aniversário de existência as feiras organizadas no próprio local tem sempre sucesso garantido e é sempre organizado em parceria com associações agrícolas da ilha vizinha de Santo Antão, a ACRV (Associação Comunitária de Ribeira Vinha), aliou-se também com uma associação agrícola da ilha de Sanicolau, que marcará presença nas futuras feiras a realizar-se, em São Vicente. A Feira Agrícola da Ribeira Vinha tem vinculo cultural forte: musica, teatro, dança, exposição e venda de gado, caprino, suíno e bovino, exposição de artesanato, venda de produtos agrícolas a preço promocional, serviços de restauração para todos os gostos e bolsos, almoço self-service, pratos a peso, petiscos e fritos, grogue, pontche, exposição de aves e outros animais, sorteios, palestras e etc. A feira acontece sempre num domingo, reunindo em bom convívio são vicentinos, turistas, e outros de passagem, na ilha, de manhã até ao anoitecer … Aguardamos, ansiosamente a reinstalação da Rede de Produtores Agropecuárias Locais de São Vicente (REPAL-SV), que a partir da Central de Actividades, em Cham de Críquete (Mindelo), irá promover de maneira moderna e profissional a concentração, comercialização e distribuição dos produtos agropecuários, agroalimentares ou transformados, retomando o fornecimento de gêneros alimentícios para escolas, hospital, hotéis … fortalecendo a união entre produtores agrícolas e pecuários, com ações e campanhas de formação e capacitação continua dos agricultores de São Vicente … A FICASE, sabe muito bem do que estamos falando …

Miljvdav@gmail.com

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