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“É preciso trabalhar melhor a integração dos cabo-verdianos no sector do turismo e da economia local na economia do turismo” – Victor Fidalgo

Assinala-se hoje, 27, o Dia Mundial do Turismo. Cabo Verde vive actualmente com a sua economia ancorada no Turismo que contribuiu entre 23 a 24% para o PIB do país.

Assinala-se hoje, 27, o Dia Mundial do Turismo. Cabo Verde vive actualmente com a sua economia ancorada fortemente no Turismo que contribuiu entre 23 a 24% para o Produto Interno Bruto (PIB) do arquipélago. Números que podem ser ainda mais elevados, sobretudo se a economia local integrar ainda mais a própria economia do turismo.

Apesar de, nos últimos dois anos o turismo de natureza, o turismo rural e o ecoturismo terem vindo a conquistar mais espaço em ilhas sobretudo como Santo Antão e Santiago, o turismo de massas continua a dominar o produto turístico do destino Cabo Verde, com enfoque nas ilhas do Sal e Boa Vista, que juntas detém praticamente mais de 90% das entradas turísticas do país.

Na óptica do consultor e especialista em turismo, Victor Fidalgo, para que o turismo continue a crescer de forma mais sustentável, Cabo Verde precisa “repensar” a qualidade do produto turístico que quer.

Nesse contexto, destaca uma série de medidas a se ter em conta. Desde logo a questão do urbanismo.

“A qualidade passa pela revisão do índice de ocupação do solo e de edificabilidade. Pois, neste momento, a ganância ou desconhecimento está a tentar-nos a permitir sobre ocupação do solo ou excesso de construção por m2. Também precisamos de ordenamento urbanístico adequado, pois temos ainda muitas carências nesta matéria”.

Não menos importante é a “melhoria” da governação do sector do turismo aumentando a sua governabilidade. “Às vezes temos a impressão que todos querem ser ministro do turismo”, alerta.

Outro dos pontos a ter em conta, do ponto de vista deste especialista é a “melhor gestão da distribuição nos mercados internacionais”, o que no seu entender passa por “um melhor critério na aceitação de certos investimentos, com uma clara visão de diversificação do produto”

Victor Fidalgo defende ainda que é preciso continuar a melhorar as condições de prestação de serviços pelos cabo-verdianos.

“Nomeadamente, definir um verdadeiro programa de melhoria do destino, o que passa por uma revisão dos critérios de arrecadação e distribuição das receitas provenientes do turismo”.

A segurança é outro factor crucial para o desenvolvimento e aumento da qualidade do destino. ”

É preciso continuar a melhorar a segurança das pessoas e bens, e as condições de habitação dos cabo-verdianos que prestam serviços no sector, etc. Ou seja, Cabo Verde, dentro do nicho “sol & praia”, deve criar um subproduto próprio. Esse é o maior desafio para o nosso crescimento”, alerta.

Por fim, para que esse desenvolvimento seja também mais inclusivo Victor Fidalgo defende que é necessário  um “esforço específico e melhor orientado na integração dos cabo-verdianos no sector do turismo e da economia local na economia do turismo”, assim como uma “melhor organização dos pontos turísticos com valor histórico e cultural”.

GC

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