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Santo Antão: Emigrante aposta em sabonetes biológicos para ajudar crianças carenciadas

Em Fevereiro de 2018, Inês Silva deu início à produção dos primeiros sabonetes biológicos, a partir da Ribeira das Patas.

Inês Silva, uma cabo-verdiana radicada nos EUA, inaugurou em Abril uma fábrica de sabonetes biológicos na localidade de Ribeira das Patas, Santo Antão. A meta a curto prazo, segundo a mentora desta iniciativa, é exportar os produtos para o mercado dos Estados Unidos de América.

Em Fevereiro de 2018, Inês Silva deu início à produção dos primeiros sabonetes biológicos, a partir da Ribeira das Patas. Passados apenas dois meses, a fábrica, com o nome “Paradise sabonetes”, abria as portas oficialmente, empregando cinco pessoas, incluindo a sua proprietária, Inês Silva.

Inês Silva nasceu na Brava mas emigrou para os Estados Unidos da América, ainda, com cinco anos. Tornou-se dentista de profissão e “descobriu” a ilha de Santo Antão e as suas maravilhas, numa missão solidária feita em 1991.

Em 2002, após frequentar uma formação em ciências de sabonetes, regressou a Santo Antão, para estudar as possibilidades de montar uma fábrica nessa ilha. “Santo Antão apresentava boas condições em termos de matérias-primas, mas também a nível dos transportes. Há facilidade de transportar o produto para outras ilhas”, diz.

A produção da fábrica é essencialmente biológica, recorrendo a matéria-prima que pode ser facilmente encontrada na ilha: leite de cabra, babosa (aloé vera), argila, enxofre. A estes juntam-se também o óleo de coco, azeite doce e ainda o hidróxido de sódio.

A argila é um recurso que abunda em Santo Antão e é muito usada para tratamentos medicinais e estéticos, muito porque favorece a reprodução celular integral, afinando e clareando a pele, promove a esfoliação da pele e do couro cabeludo, absorve toxinas e impurezas, promove a reconstituição dos tecidos entre outros benefícios. Em mercados internacionais esse recurso, por não abundar, é muito caro.

Apoio aos mais carenciados

Tendo em conta as limitações financeiras de muitas famílias de Santo Antão, Inês Silva, que já se encontra na reforma, direccionou os lucros da sua fábrica à crianças carenciadas, no domínio da educação.

“Após pagamentos das despesas de produção, todo o lucro reverte-se a favor de crianças em Santo Antão. Primeiramente, queremos ajudar as crianças desta ilha, mas lá mais para a frente crianças de outras ilhas serão igualmente contempladas”, argumenta.

Expansão

A produção destes sabonetes iniciou-se em Santo Antão mas rapidamente expandiu-se a outras paragens, nomeadamente nas ilhas de São Vicente, Santiago e Sal. A nossa entrevistada acredita que não tarda muito o seu produto poderá já estar em lojas nas ilhas do Maio e da Boa Vista.

Dado a sua ligação com os EUA, Inês Silva vê a exportação para o mercado americano como uma boa oportunidade de negócio também, uma meta a curto prazo. “Muitos cabo-verdianos nos EUA já têm conhecimento do produto e no final de Outubro deste ano iremos exportá-lo para os EUA. Há 28 lojas crioulas na Nova Inglaterra, prontas para comprar este sabonete”, assegura.

Além de todo o mercado nacional e dos EUA, Inês aponta para a Europa, lá mais para a frente. Países como Portugal e Espanha figuram entre os favoritos, mas esta empreendedora garante que da França já há interessados nos produtos.

A “Paradise Sabonetes” emprega actualmente cinco pessoas, um número que tende a aumentar em função do aumento do volume de negócios. “Pretendemos ter um número de funcionários a volta dos 30”, conclui.

JF

 

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