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Turismo: um escape “rápido” para o mercado de trabalho  

Hermes é recepcionista no Iberostar, Boa Vista.

Hermes Neves, natural da freguesia de Santa Isabel, na ilha da Boa Vista, é um dos 25 alunos que integrou uma edição piloto do curso de Gestão Hoteleira, na Escola de Hotelaria e Turismo de Cabo Verde (EHTCV), em parceria com a Uni-CV (Universidade Pública de Cabo Verde).

O objectivo inicial deste curso é que, no final, os alunos possam vir a obter uma Licenciatura. Ou seja, na prática, parte da formação do curso foi realizada na EHTCV e a outra será concluída na Uni-CV. Conforme informações avançadas por Sérgio Sequeira, PCA da EHTCV, os alunos deste curso já seguiram para estágio curricular e a maioria está a trabalhar neste momento no Sal e Boavista”. Contudo, diz não conhecer ainda a data prevista para que se inicie o complemento da formação na Uni-CV.

Mas, mesmo sem complemento, o jovem Hermes Neves mostra-se muito satisfeito com a formação. “Sendo Boa Vista uma ilha com forte desenvolvimento ao nível do turismo, optei logo por estudar numa escola que me possibilitaria obter competências técnicas e práticas adequadas ao mercado turístico. Há cada vez mais procura pela mão de obra qualificada”, conta.

Hermes, que é recepcionista no Iberostar, é da opinião de que, para que a ilha se possa desenvolver, de forma mais sustentável, é preciso investir mais nas infraestruturas. “Ao nível da saúde, educação, segurança, estradas e também o aeroporto precisa de ser ampliado e de iluminação, para que haja mais diversidade de aeronaves e aumento do número de turistas”, indica.

A essa lista acrescenta ainda a necessidade de se adequar melhor os salários praticados. “As autoridades locais e centrais, e as instituições que trabalham no sector, deveriam, junto dos hotéis, criar planos de remuneração de acordo com as categorias do hotel e também por departamentos”, opina.

Já para Darlene Sanches, 27 anos, de Castelão, na Praia, que tirou o mesmo curso que Hermes, a situação é outra, pois, a sua história é bem diferente da dele.

É que enquanto o jovem da Boa Vista optou por seguir a formação profissional logo a seguir ao 12º ano, Darlene já tinha praticamente concluído o curso de Estudos Franceses na Uni-CV, antes de decidir ir para a EHTCV.

Como contou ao A NAÇÃO, faltava-lhe apenas liquidar uma dívida nessa Universidade para poder defender a sua tese. Mas, a falta de dinheiro para liquidar a dívida levou-a a ingressar na EHTCV para tirar uma formação de “pouca duração”, pois, pensou que terminando essa formação em Turismo encontraria “trabalho mais rápido” e assim poderia saldar a dívida na Uni-CV e concluir a licenciatura.

Só que Darlene tem, agora, uma outra dívida de 61 mil escudos, na EHTCV, mesmo tendo sido bolseira do IEFP (Instituto do Emprego e Formação Profissional).

“Concorri a um fundo reembolsável do IEFP e consegui. Só que eles pagam uma metade e a outra eu é que tenho que liquidar”, conta a jovem, que ainda não sabe bem como irá saldar a dívida e só espera poder ir “para estágio, o quanto antes”.

GC

*Esta reportagem integra um Dossier especial Formação Profissional publicado na edição impressa nº572

 

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