PUB

Economia

Assomada: Jovem transforma cozinha em laboratório de cerveja

Keven Gonçalves, engenheiro químico e biólogo, nas horas vagas cultiva a sua paixão pela cerveja artesanal. E já produziu dois lotes de 20 litros, a partir da cozinha da sua casa, na Assomada, que transformou num “alambique” e laboratório. Este é, muito provavelmente, o primeiro caso de produção caseira de cerveja em Cabo Verde.

O processo é minucioso e requer tempo e trabalho. Até que os grãos sejam cozidos, o malte adicionado, a panela ganhe fervura, o fermento seja acrescentado e a maturação alcançada.

Mas isso é um procedimento apaixonante para o mais novo “alquimista” da cevada, Keven Gonçalves, o primeiro cabo-verdiano, ao que se sabe, a experimentar os segredos da cerveja artesanal por estas paragens. “Cerveja boa mesmo é a feita na cozinha da própria casa”, garante.

Keven Gonçalves, 26 anos, é natural da Assomada. Licenciou-se em Engenharia Química e Biológica na Uni-CV e é mestre em Química Tecnológico e Ambiental pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Brasil. O gosto pela cerveja artesanal é recente, graças a uma formação que recebeu naquele país sul-americano.

“Hoje posso fazer a minha própria cerveja, mas, claro, por enquanto sou eu é que a posso beber, ainda não posso colocá-la no mercado. Já fiz dois lotes de vinte litros, estou ainda na fase experimental”, revela.

Segundo nos ensina, para produzir cerveja caseira há seis estágios: brassagem, lavagem dos grãos, fervura, fermentação primária, trasfega e carbonatação. Como instrumentos de trabalho são necessários um caldeirão, balde fermentador, termómetro e densímetro. “É um processo relativamente simples de dominar. Mas é preciso esperar 21 dias para o primeiro gole, por isso é que a cerveja artesanal tem melhores aromas do que as industriais”, garante.

Keven conheceu vários tipos de cervejas produzidos de forma artesanal no Brasil e, rapidamente, passou “de bebedor a produtor”. Normalmente, explica, o modelo comercializado em Cabo Verde é a cerveja “Pilsen” (nome de cidade da República Checa), que é “mais suave” e muito consumida mundialmente.

Keven já produziu dois lotes de vinte litros. No primeiro lote obteve uma cerveja de “Trigo Weissbier”, inspirada nas cervejas de trigo alemãs. “Produzida a partir da composição de maltes especiais de trigo e cevada, é uma cerveja clara, de espuma densa e com turbidez ao servir”, explica.

A outra produção foi uma cerveja “Índia Pale Ale (IPA)”, uma receita de cerveja inglesa que era levada pelos navegadores para as Índias, e, por isso, era-lhe acrescentado mais lúpulo para a conservação durante as longas viagens. “É uma das minhas preferidas. É uma cerveja de cor âmbar, com sabor vigoroso, marcante e fortemente lupulada, ou seja, o seu aroma se destaca”, explica o jovem com o mesmo entusiasmo.

As vantagens da produção caseira

Keven Gonçalves garante que confeccionar cerveja artesanal, em casa, apresenta inúmeros benefícios e vantagens, que vão muito além do divertimento e encantamento em criar o seu próprio rótulo. Um deles é a beleza do processo artesanal, que mantém as características originais de sua receita, mas dificilmente garante um processo de repetitividade em cada garrafa.

“Ou seja, enquanto em uma cervejaria é fácil manter o mesmo sabor em todas as cervejas, a produção em casa conserva o estilo manual: cada lote possui um sabor, textura e aroma únicos”, explica. Outro diferencial, esclarece, “está na facilidade em criar novos tipos de encontro entre amigos”.

Divididas em processos quentes e frios, para cozimento dos grãos e maturação da cevada, as cervejas caseiras demoram três semanas para ficarem prontas. O momento de maior euforia, conta o nosso interlocutor, é quando o produto está no ponto para ser degustado. Nesse dia, Keven reúne os amigos. “É aí que se percebe que vale a pena todo o exercício”, diz.

Neste aspecto, Keven avalia que quem já experimentou a cerveja que produz “ficou admirado e gostou muito”, mas, por enquanto, não pensa na sua comercialização. “É uma questão de técnica e aprendizado. Pode dar certo ou errado. É o experimento que faz parte da brincadeira”, conclui.

ACN

Adicionar um comentário

Faça o seu comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

PUB

PUB

To Top