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Cultura

“A Forma da Água”, Oldman e McDormand são os grandes vencedores dos Óscares

Não houve muitas surpresas nos vencedores dos prémios mais cobiçados da grande noite dos Óscares em Hollywood. Veja a lista de vencedores
Se é possível identificar um grande vencedor da noite dos Óscares em Hollywood, é o mexicano Guillermo Del Toro. Não só recebeu a sua primeira estatueta para Melhor Realizador como também arrebatou o Óscar de Melhor Filme para A Forma da Água. A vitória marca um feito notável para uma cerimónia que até há bem pouco tempo era acossada com a hashtag #OscarsSoWhite: é a quarta vez em cinco anos que um realizador mexicano vence o Óscar para Melhor Realizador.
O próprio Del Toro fez uma referência aos “The Three Amigos”, ele, Alejandro G. Iñarritú (que ganhou em 2015 com Birdman e em 2016 com The Revenant) e Alfonso Cuarón (que ganhou em 2014 com Gravity).
Ainda assim, a nada disto é surpreendente, já que A Forma da Água foi considerado o filme favorito desde o início. Apesar de alguma incerteza nas últimas semanas, devido à força que ganharam os nomeados Foge e Lady Bird, o filme de fantasia que tem Sally Hawkins como protagonista acabou mesmo por ser considerado o melhor do ano. Era o mais nomeado de todos, com 13 indicações para os prémios da Academia, e levou quatro estatuetas: Melhor Design de Produção, Melhor Banda Sonora Original, Melhor Realização e Melhor Filme.
Sally Hawkins, que foi nomeada para o Óscar de Melhor Atriz com um papel em que não fala, estava visivelmente emocionada com a vitória em Melhor Filme. A atriz perdera a estatueta dourada para Frances McDormand, que era favorita numa categoria onde também estavam Meryl Streep e Saoirse Ronan. O discurso de McDormand, cuja performance em Três Cartazes à Beira da Estrada já lhe tinha valido inúmeros prémios, foi o mais aplaudido da noite.
“Estou a hiperventilar um bocado”, disse a atriz de 60 anos, no seu conhecido tom forte, “por isso se eu cair alguém me levante porque tenho umas coisas para dizer.” Frances McDormand pediu às mulheres nomeadas em todas as categorias para se levantarem, desde as atrizes às produtoras, escritoras, compositoras e outras. “Olhem à vossa volta, senhoras e senhores, porque todas temos histórias para contar e projetos que precisamos de financiar”, afirmou. “Não nos falem disso nas festas de hoje à noite. Convidem-nos para o vosso escritório, ou venham aos nossos, e vamos contar-vos tudo.”
McDormand terminou com duas palavras, que mostram bem o espírito que está a tentar quebrar barreiras em Hollywood: “inclusion rider”, referindo-se à abertura para mulheres e minorias dentro e fora do grande ecrã.
Esta foi uma cerimónia recheada de referências aos movimentos Time”s Up e Me Too, com muitas celebridades, incluindo o apresentador Jimmy Kimmel, a chamarem a atenção para o trabalho que é necessário fazer para dar mais poder às mulheres e corrigir o desequilíbrio salarial vigente.
O ator inglês confirmou o seu favoritismo e venceu o Óscar de Melhor Ator pela interpretação de Winston Churchill em A Hora Mais Negra, um drama poderoso sobre a Segunda Guerra Mundial.
“Vivo na América há muito tempo, e estou muito agradecido pelos amores e amizades que fiz e as prendas que me deu: a minha casa, o meu ganha-pão, a minha família, e agora um Óscar”, disse Gary Oldman no discurso de vitória. Chegou a ponderar-se se o facto de Oldman ter sido acusado de violência doméstica em 2001 poderia afetar negativamente a sua consideração para os Óscares na era do #MeToo, mas tal não sucedeu.
Três Cartazes à Beira da Estrada perdeu muitos dos prémios para os quais estava nomeado, mas levou dois Óscares em categorias fundamentais: Melhor Atriz e Melhor Ator Secundário, que foi até a primeira estatueta a ser entregue. Sam Rockwell levou o Óscar e disse que Frances McDormand e Woody Harrelson eram os seus “heróis” (Harrelson estava nomeado na mesma categoria pelo mesmo filme, algo muito raro.)
Na corrida por Melhor Atriz Secundária a vencedora foi Allison Janney, com a sua interpretação brilhante em Eu, Tonya, que muitos consideraram ter ficado injustamente de fora das nomeações para Melhor Filme.
James Ivory também confirmou as previsões ao ganhar o Óscar para Melhor Argumento Adaptado com Chama-me Pelo Teu Nome, enquanto Jordan Peele recebeu a estatueta de Melhor Argumento Original por Foge. Peele foi o primeiro afro-americano a receber esta estatueta, num filme que era um dos favoritos dos críticos e do público. No final, saiu-se melhor que Lady Bird, que tinha cinco nomeações e não levou uma única estatueta para casa. Acabou por ser o grande perdedor da noite.
Em termos técnicos, Blade Runner 2049 e Dunkirk limparam quase tudo. Coco levou duas estatuetas, Melhor Filme Animado e Melhor Canção Original.
Fonte: Diário de Notícias
 
Confira a lista completa de vencedores:
Melhor Filme
A Forma da Água
 
Melhor Realizador
Guillermo del Toro – A Forma da Água
 
Melhor Atriz
Frances McDormand – Três Cartazes à Beira da Estrada
 
Melhor Ator
Gary Oldman – A Hora Mais Negra
 
Melhor Atriz Secundária
Allison Janney – Eu, Tonya
 
Melhor Ator Secundário
Sam Rockwell – Três Cartazes à Beira da Estrada
 
Melhor Argumento Original
Foge
 
Melhor Argumento Adaptado
James Ivory – Chama-me Pelo Teu Nome
 
Melhor Banda Sonora
A Forma da Água (Alexandre Desplat)
 
Melhor Canção Original
Remember Me – Coco
 
Melhor Filme Animado
Coco
 
Melhor Filme Estrangeiro
A Fantastic Woman – Chile
 
Melhor Documentário
Icarus
 
Melhor Documentário Curta-Metragem
Heaven is a Traffic Jam on the 405
 
Melhor Curta-Metragem
The Silent Child
 
Melhor Curta-Metragem Animada
Dear Basketball
 
Melhor Edição
Dunkirk
 
Melhores Efeitos Visuais
Blade Runner 2049
 
Melhor Design de Produção
A Forma da Água
 
Melhor Caracterização
A Hora Mais Negra
 
Melhor Guarda-Roupa
A Linha Fantasma
 
Melhor Edição de Som
Dunkirk
 
Melhor Mistura de Som
Dunkirk
 

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