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Economia

BCN “imune” à crise do Banif

O processo de venda do Banif, que deveria ser concluído esta quinta-feira, 31 de Dezembro, não terá implicações directas no Banco Cabo-Verdiano de Negócios (BCN). Esta garantia é dada pela administradora Ana Vicente, do BCN, que afirma ser essa uma das instituições financeiras “mais eficientes” no sistema bancário nacional.

Ana Vicente explicou ao A NAÇÃO que, com a venda do Banif (Banco Internacional do Funchal), que detinha 51 por cento (%) do BCN, só a estrutura acciconista desse banco cabo-verdiano é que muda. “E nem tanto, porque o Estado português já detinha 60% do Banif e agora passa a deter 100% desse banco e, indirectamente, os 51% do BCN”.

Segundo a mesma fonte, a operação de venda do Banif, pelo Estado português ao Santander, de Espanha, em nada afecta a actividade do BCN em Cabo Verde. Além disso, recorda Ana Vicente, “situação não é nova, porquanto, desde 2012, quando o Estado Português injectou dinheiro no Banif, o accionista maioritário passou a ser o Tesouro português”.

NEM BANCO BOM NEM BANCO MAU

Perguntada se o BCN fica no “banco bom” ou no “banco mau”, em resultado do fecho do Banif, Ana Vicente é peremptória: “Não há ‘banco bom’ nem ‘banco mau’, o que há é que o Santander comprou a rede comercial do Banif e a outra parte ficou com o Estado português para alienar. O BCN já estava em processo de alienação desde 2012, isto no âmbito do cumprimento de uma das directivas da União Europeia no sentido de se vender todas as participações no exterior”.

Em relação ao mercado financeiro cabo-verdiano, Ana Vicente garante que o BCN é um banco “sólido e eficiente”, que respeita todos os rácios impostos pelo Banco de Cabo Verde (BCV), enquanto banco central. “Estou em crer que temos o rácio de solvabilidade mais elevado do sistema, este ano próximo dos 17% e o mínimo é 10%. Em termos de liquidez, nós respeitamos todos os rácios. O BCN é um banco que respira saúde por todos os poros”, sublinha.

Aquela administradora não vê por isso qualquer implicação directa em Cabo Verde relacionada com a venda do Banif ao Santander. E explica: “O BCN tem uma gestão autónoma, não depende do Banif nem na parte financeira, nem na parte operacional, e, como já disse atrás, o accionista maioritário do BCN já era o Estado português, o que reforça a sua posição no BCN”.

Ana Vicente assegura, entretanto, que os níveis de rentabilidade do BCN se deverão manter “em linha com o verificado em 2014, tendo havido um significativo reforço dos indicadores de liquidez e solvabilidade”.

Segundo a mesma fonte, em 2015, registam-se ganhos de “eficiência”, com a relação entre o custo de estrutura e o produto de atividade a situar-se nos 44 por cento (%), o que “posicionará o BCN como o banco comercial mais eficiente do mercado em termos do referido rácio de Cost to Income”.

E para 2016, o BCN definiu como principais objectivos o aumento da concessão de crédito à economia e a dinamização da venda de imóveis, propriedade do banco.

FIM DO BANIF

De referir que o Banif, banco com sede em Funchal, ilha da Madeira, foi intervencionado pelo Estado português, como forma de o salvar da falência absoluta. A saída foi a sua venda, a preço de saldo, ao Banco Santander, uma decisão do executivo de António Costa duramente criticada pelos seus aliados de esquerda. De resto, o colapso do Banif veio deixar a nu a política do anterior Governo, de Pedro Passos Coelho (PSD) e Paulo Portas (CDS/PP), que injectou largos milhões de euros no banco fundado por Horácio Roque, sem os resultados pretendidos. Para os críticos, uma vez mais, os contribuintes portugueses foram chamados a pagar pela incompetência da banca privada, quando o melhor seria deixar o Banif falir, simplesmente.

REGULAÇÃO PRECÁRIA

Entretanto, no caso de Cabo Verde, tendo em conta a ligação do Banif e o BCN, há quem aconselhe o máximo de cautela nos seus investimentos. Isto porque a regulação – a cargo do BCV (Banco de Cabo Verde), como é sabido – padece de fragilidades em muito semelhantes às verificadas em Portugal, neste caso, por parte do Banco de Portugal. “O nosso sistema de regulação bancária enfrenta inúmeras dificuldades, desde logo de natureza técnica, os bancos privados sabem disso e aproveitam”, afirma a fonte deste jornal.

Para o mesmo observador, se é verdade que, em termos de gestão, o BCN se tem mostrado o banco “mais ousado” em Cabo Verde, isso não invalida, porém, os cuidados a ter com algumas das suas operações. Por exemplo, questione se o BCN tem realmente vocação para entrar no mercado da imobiliária, como deixa a entender o relatório e contas de 2014 desse banco.

 

 

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