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Economia

Exportação para os Estados Unidos: SUCLA com encomenda de 252 mil latas para 2016

Apesar dos constrangimentos que assolam o sector pesqueiro nacional, a fábrica SUCLA (Sociedade Ultramarina de Conservas) tem conseguido sobreviver às intempéries e, hoje, é uma das poucas empresas nacionais que conseguem exportar produtos made in Cabo Verde para o mercado dos Estados Unidos da América. A celebrar 80 anos de existência, a empresa não poderia comemorar da melhor forma, já com encomendas de 252 mil latas de atum e cavala fechadas só para o primeiro semestre de 2016.
Intimamente ligada ao espaço que o Tarrafal de São Nicolau ocupa na memória colectiva da importância que o sector pesqueiro teve e tem em Cabo Verde, e no contexto da história mundial da pesca, a SUCLA é, uma das empresas nacionais que mais espelham e traduzem a cultura das populações costeiras, que têm na exploração das potencialidades marítimas a sua maior fonte de riqueza.
A celebrar 80 anos de existência, a empresa tem conseguido sobreviver às intempéries do sector e mesmo com a falta de matéria prima, para satisfazer as necessidades do mercado interno e externo, entre outras dificuldades, a SUCLA parece não baixar a guarda.
“Apesar de, desde 2004, até este ano, termos feito investimentos a rondar os 200 milhões de escudos, para aumentar a nossa capacidade e qualidade de produção, a produção anual de tunídeos reduziu consideravelmente provocando um desequilíbrio entre a procura e a oferta do nosso produto no mercado interno”, explica Francisco Spencer gerente da empresa.
A falta de pescado, especialmente de atum, acaba também por ter implicações na capacidade de exportação da empresa. É que, o aumento da procura interna e a escassez de matéria-prima acabam por reduzir a disponibilidade de produtos que poderiam ser canalizados para o mercado externo. “Para o primeiro semestre de 2016 temos solicitações de encomendas no montante de 60 milhões de escudos, que podem estar comprometidas por falta de matéria-prima”, revela apreensivo o empresário.
Encomendas em ascensão nos EUA
Essa encomenda para o próximo ano equivale a 252 mil latas, entre Atum em Óleo Vegetal nas espécies Katsuwonus Pelamis e Auxis Thazard, e Cavala em Óleo Vegetal, as variedades que a empresa exporta para os Estados Unidos da América, o único destino das suas exportações.
Em 2013 a empresa conseguiu exportar 58 mil 140 latas, equivalentes a receitas na ordem dos 12 milhões de escudos. Receitas essas que sofreram uma queda acentuada em 2014, altura em que só conseguiram enviar 17 mil e 64 latas, equivalentes a cerca de dois milhões e 700 mil contos.
De acordo com os números avançados por Francisco Spencer, 2015 tem-se revelado um ano promissor para esta conserveira, que conseguiu retomar algum fôlego no mercado externo. Até agora, já foram exportadas 46 mil e 188 latas, equivalentes a cerca de 11 milhões de escudos, mas, até final deste ano serão ainda exportadas, em Dezembro, mais 72 mil latas, equivalentes a uma receita de cerca de 17,5 milhões de escudos.
Constrangimentos
Apesar de uma retoma nas exportações, em relação aos anos anteriores, o certo é que a SUCLA enfrenta vários constrangimentos, que se sanados, poderiam desenvolver muito mais a empresa e contribuir para o aumento fixo do número de postos de trabalho, que ronda os 35, e os 145 sazonais. Aliás, a empresa é actualmente a maior empregadora da ilha de São Nicolau, o que faz com que Spencer seja muitas vezes crítico em relação à política marítima e ao estado do desenvolvimento do sector no país e, em especial na ilha de Chiquinho.
“Para além da nossa localização, em São Nicolau, da indiferença dos sucessivos governos (excepto o ministério das Finanças!!), o que mais nos constrange neste momento é a falta de matéria-prima, o que nos obriga a ser outra vez uma empresa com duas valências. Ou seja, investir para ser operadora de pesca, ao mesmo tempo que somos uma empresa transformadora”, desabafa Francisco Spencer.
Mesmo assim, a certeza de que é preciso continuar a batalhar pelo crescimento da empresa e desenvolvimento sócio económico da região, faz com que o futuro da SUCLA passe por vencer novos e “velhos” desafios. “O nosso maior desafio é recuperar os níveis de captura de pescado, que perdemos a favor dos barcos estrangeiros licenciados para pescar nas nossas águas, sem obrigação alguma de colocar uma quota das suas pescas no mercado nacional, e a preços razoáveis”, conclui o empresário. Actualmente, a SUCLA conta com dois adquiridos recentemente ao Estado de Cabo Verde e compra também matéria prima a outros pescadores nacionais.
GC
 

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