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Política

Governo de Cabo Verde realiza auditoria aos TACV para estabilizar empresa

O Governo está a realizar uma auditoria aos Transportes Aéreos de Cabo Verde (TACV) e na próxima semana anunciará as medidas para estabilizar a empresa da atual situação financeira, informou hoje o primeiro-ministro, José Maria Neves.
“A TACV está a passar por uma grande turbulência, o que exige a conjugação de esforços do Governo, do conselho de administração e de todos os colaboradores da empresa. O que nós estamos a fazer é uma auditoria para identificar a situação real de tesouraria e a partir daí tomar medidas para estabilizar a empresa”, sustentou o primeiro-ministro.
José Maria Neves reconheceu que a companhia de bandeira cabo-verdiana está “numa situação muito difícil e muito complexa”, por causa da rotura de tesouraria, tendo em conta que os gastos são muito superiores às receitas da empresa, que tem um passivo de 10 mil milhões de escudos (cerca de 90 milhões de euros).
O chefe do Governo falava em conferência de imprensa para abordar questões relativas à sua deslocação na quinta-feira à Angola, indicando que as medidas serão anunciadas após uma “reunião alargada” com o conselho de administração, liderado por João Pereira Silva.
Para o primeiro-ministro, a prioridade neste momento é estabilizar a situação financeira e garantir que a empresa funcione, continue a voar e proteja os postos de trabalho. Quanto aos trabalhadores, pediu uma “forte cooperação” para “salvar” os TACV.
José Maria Neves disse que uma das soluções passa pela reestruturação da empresa ou eventualmente pela privatização da gestão, mas disse que o Estado, único acionista, não tem conseguido encontrar parceiros interessados.
“Nós temos feito um esforço muito grande para encontrar um parceiro de modo a permitir a privatização da empresa, não temos conseguido encontrar parceiros interessados ou parceiros estratégicos ou financeiros, tendo em conta à situação da TACV”, lamentou.
“Mas também tendo em conta que é uma pequena empresa e que não suscita muito interesse de outras empresas e, precisamente por isso, e em função da situação atual, vamos ver as medidas que teremos de tomar para estabilizar, garantir os voos, os postos de trabalho e ir reestruturando gradualmente a empresa para que haja um equilíbrio entre as receitas e as despesas e haja resultados positivos na gestão nos próximos tempos”, acrescentou.
Em Cabo Verde, já se noticiou o alegado interesse de investidores angolanos na compra da TACV, mas o primeiro-ministro garantiu que os assuntos relacionados com a transportadora não farão parte da sua agenda na visita de quatro dias a Angola.
Os TACV, com 57 anos de existência são a única transportadora inter-ilhas, têm enfrentado vários problemas, com o acumular de dívidas e cancelamentos e atrasos recorrentes nos voos.
Para o Sindicato dos Pilotos, que já foi ouvido pelo Governo e pelo maior partido da oposição (Movimento para a Democracia – MpD), a situação atual da empresa é fruto do acumular dos problemas ao longo dos últimos anos pelos sucessivos conselhos de administração.
Já o MpD responsabiliza o Governo pela “má gestão” e pela “situação caótica” da companhia aérea cabo-verdiana, considerando que a solução passa pela privatização da empresa.
Fonte: Lusa

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