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“Tubarões Azuis” no CAN: Mirar quartos de finais e sonhar com mais

Quando o hino de Cabo Verde soar na Guiné Equatorial este domingo, dia 18 de Janeiro, a Selecção Nacional de Futebol estará prestes a matar no peito todas as nossas angústias e nos fazer sorrir no Campeonato Africano das Nações (CAN). Sim, porque estes “Tubarões Azuis” há muito nos ensinaram a acreditar no possível e sonhar com mais, sempre mais pois vão até ao limite.
Quis a ironia do sorteio que a estreia dos “Tubarões Azuis” neste CAN 2015 se materializasse contra a Tunísia; aquela Tunísia cuja queixa contra o defesa Fernando Varela deixou Cabo Verde sem realizar o sonho de ir ao seu primeiro Mundial. Episódio dramático, mas agora reservado à História. Os caminhos são outros e fazem-se nos relvados do CAN da Guiné Equatorial onde a nossa Selecção já não se apresenta mais como flagelados de vento leste do futebol, mas com créditos firmados depois do brilharete no CAN da África do Sul, em 2013. Logo, um time a ser encarado com o máximo respeito.
Nas terras de Mandela, chegámos aos quartos de finais na primeira participação, e o mundo parou para prestar a atenção se era apenas sorte de principiante. Não era. Eram méritos de suor e categoria dos bravos ilhéus que se firmaram nos últimos dois anos. Agora, na Guiné Equatorial, a Selecção mira repetir o feito e ganhar engrenagem para mais.  Implica isso que Cabo Verde fique no primeiro ou segundo lugar do grupo B do CAN, na qual, além da Tunísia, tem como adversários República Democrática do Congo e Zâmbia.
O seleccionador nacional, Rui Águas, diz e repete que começar bem frente à Tunísia mostra-se fundamental. E começar bem significa, neste caso, uma vitória, pois isso não só incute mais moral à equipa, como também faz-se primordial num grupo que muitos comentaristas apontam como equilibrado. Ganhar três pontos logo no primeiro jogo significa concretizar um passo firme rumo às quartas. Depois é gerir os dois jogos seguintes contra a República Democrática do Congo, no dia 22 de Janeiro, e a Zâmbia, quatro dias posteriores.
Mais experiente do que no CAN 2013, Cabo Verde está de novo sob o olhar do mundo do futebol. Não mais como a surpresa que vem de 10 grãozinhos de terra perdidos no meio de um Atlântico enorme, mas como uma Selecção com uma imensa capacidade de sacrifício, uma força mental de espantar, com um ataque rápido e de meter respeito. Provou isto mesmo no último jogo de preparação antes do CAN, que se realizou no Senegal. Os “Tubarões Azuis” estiveram a perder por 0-2 contra o Congo Brazzaville, mas deram a  volta ao resultado na segunda parte e fecharam o encontro por 3-2.
A equipa não se deixa abalar, pode até vergar em um ou outro momento do jogo, mas consegue fazer reavivar as suas forças e sempre o avançado Heldon “Nhuck” aparece com o seu golo salvador e glorificante. Foi assim na fase de apuramento  para o CAN da África do Sul, também para este CAN e que continue a ser assim nos relvados da Guiné Equatorial. Heldon faz-se presente no momento certo, mas sabe que não está sozinho nessa empreitada de marcar e de dar a marcar. Lá está também o extremo-avançado Kuca, jogador em grande forma e motivado ainda mais agora que conseguiu uma transferência para o futebol turco onde vai jogar em Karabukspor.
Na defesa, há segurança dos centrais Gegé e de Fernando Varela; no meio de campo a experiência  do capitão Babanco a caminho da internacionalização número 50, da juventude de Nuno Rocha e da disponibilidade de Calú; na frente, além de Kuca e Heldon, a Selecção conta com a velocidade de Ryan Mendes, a força de Djaniny e Júlio Tavares, mas também com a capacidade técnica de Odair Fortes e Gary. E o guarda-redes Vozinha apresenta-se como o porto seguro.
A equipa mostra valores bastante equilibrados e faz os cabo-verdianos acreditarem. E vai à luta num CAN em que quase todos apostam na Argélia como favorita, mas não deixam de mencionar Cabo Verde como uma Selecção forte e motivada.  Os relvados da Guiné Equatorial podem revelar um Cabo Verde tomba “gigantes”. Assim esperamos.
CONVOCADOS
Guarda-redes: Vozinha, (Progresso Sambizanga/Ang), Ivan Cruz (Gil Vicente/Por) e Kevin Sousa (Nacional/Por).
Defesas: Kay, Carlitos (Limassol/Chp), Nivaldo Santos (FC Teplice/Che), Fernando Varela (Steaua de Bucareste/Rom), Stopira (Videoton/Hun), Jeffrey Fortes (Dordretch/Hol) e Gegé (Marítimo/Por).
Médios: Babanco (Estoril-Praia/Por), Sérgio Semedo (Olhanense/Por), Platini (CSKA Sofia/Bul), Nuno Rocha (Universidade Craiova/Rom), Tony Varela (Excelsior/Hol), Calú Lima (Progresso Sambizanga/Ang).
Avançados: Djaniny (Santos Laguna/Mex), Júlio Tavares (Dijon/Fra), Ryan Mendes (Lille/Fra), Heldon (Sporting/Por), Garry Rodrigues (Elche/Esp), Kuca (Estoril-Praia/Por), Odair Fortes (Reims/Fra).

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