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Economia

Cabo Verde vai sobrevivendo à crise

Apesar da crise, a verdade é que Cabo Verde lá vai sobrevivendo ao “mau tempo”, mesmo com o desemprego a rondar os 16%. A prová-lo estão os 900 milhões de escudos que os consumidores movimentaram nas caixas automáticas de pagamentos (ATM´s) e outros 670 milhões de escudos nos estabelecimentos comerciais via 24, na semana antes do Natal. Mesmo assim, as previsões para 2015 são de contenção, alerta o Fundo Monetário Internacional (FMI) e o Gabinete de Apoio Orçamental (GAO).
É o comércio, os serviços e o turismo que vão fazendo girar a economia em Cabo Verde. A quadra festiva é prova disso. Mesmo com as queixas de comerciantes a dizerem que a “seca e o vulcão” diminuíram o poder de compra, o certo é que, segundo informações de Antão Chantre, diretor geral da Sociedade Interbancária e Sistemas de Pagamentos (SISP), à RCV, as movimentações de pagamentos automáticos registaram um aumento na ordem dos sete por cento (%), em Dezembro, comparativamente a 2013. Ou seja, mais dinheiro a circular.
Só que a economia é muito mais. É feita de processos macroeconómicos que trazem outras preocupações ao Governo. Inclusive, ao nível da dívida pública. Segundo o GAO, a mesma deverá chegar aos 107,3 % do Produto Interno Bruto (PIB) em 2014. Daí os conselhos irem no sentido de revisão da política fiscal expansionista, criando condições para que a economia possa amortecer e absorver os choques externos em 2015. Cabo Verde precisa continuar a procurar novos modelos de financiamento, diminuído o investimento público.
Mesmo assim, o Orçamento de Estado 2015 prevê um crescimento entre 3 e 4%, com cerca de 7,5% de défice. Descrente, o líder parlamentar do MpD, Fernando Elísio Freire, diz que o OE “não traz esperança para Cabo Verde” e “não prevê a resolução do problema de desemprego”.
ANO DAS BARRAGENS
A estratégia de desenvolvimento social do Governo de José Maria Neves tem passado pelo fomento do agro-negócio, através da criação de barragens e aumento da disponibilidade de água para a agricultura. O ano que finda foi o ano das barragens, mesmo sem chuva. A ilha de Santiago viu nascer mais uma barragem, a de Figueira Gorda, em Santa Cruz, considerada a maior infra-estrutura hidráulica do país, com capacidade para armazenar o triplo de água da Barragem de Poilão, e que vai beneficiar directamente 500 agricultores. Custou 575 mil contos e foi financiada pela linha de crédito cedida por Portugal. A Região Norte viu nascer também a sua primeira barragem – no Canto de Cagara, no concelho de Ribeira Grande de Santo Antão. Em curso estão a Barragem de Flamengos e de Principal, ambas no concelho de São Miguel, ilha de Santiago e a Barragem de Banca Furada, no concelho da Ribeira Brava, em São Nicolau.
CVT – PT
Em termos de desenvolvimento económico, o ano de 2014 ficou ainda marcado pela quebra da parceria estratégica entre Portugal Telecom (PT) e a Cabo Verde Telecom (CVT). Em causa a polémica despoletada pela venda dos activos da OI em África, que veio pôr a nu a suposta alienação dos 40% das acções da CVT detidas pela PT, sem permissão do Estado de Cabo Verde. O país considera que foram violados os princípios plasmados no contrato de compra e venda, em que tais acções são indivisíveis. Muita tinta deverá ainda correr sobre esta ponte em 2015, sendo certo um mal-estar e instabilidade no seio da CVT.
GOVERNADOR POLÉMICO
Não menos controvérsia trouxe a nomeação de um novo Governador para o Banco de Cabo Verde. Primeiro João Serra, ex-PCA da Sociedade de Desenvolvimento Integrado para as ilhas da Boa Vista e Maio (SDTIBM), recusou por motivos de doença, tendo sido nomeado Humberto Brito, ex-ministro do Turismo, Indústria e Turismo. A oposição contestou alegando incompatibilidade e o Governo recuou. Entretanto, Serra, já recuperado resolveu aceitar de novo o cargo. Indigitado em Dezembro, avançou já que a situação do BCV é “algo difícil”, antevendo um 2015 nada fácil.
PRIVATIZAÇÕES
Nada fácil tem sido a situação da ENAPOR, empresa de gestão portuária e da TACV, transportadora aérea nacional. A segunda, apesar dos avultados prejuízos cíclicos, registou um crescimento de 7 por cento (%) no primeiro semestre de 2014 em relação ao período homólogo de 2013. Segundo a administração da empresa, “são os melhores” dos últimos três anos. Aliás, comparativamente a 2012 e 2011, a mesma diz que “é notória a melhoria de resultados com a redução de perdas entre 66 e 50%, respectivamente”.  Entretanto, a ministra das Infra-estruturas e Economia Marítima de Cabo Verde, Sara Lopes, garantiu que as duas empresas “deverão ser privatizadas até meados de 2015″.
 

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