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Fogo

Vulcão do Fogo continua “adormecido”, mas imprevisibilidade mantém-se

O vulcão que há 21 dias entrou em erupção na ilha cabo-verdiana do Fogo mantém-se, pelo quinto dia consecutivo, “adormecido”, com as emissões de gases “quase nulas” e a lava “estagnada”, disse hoje à agência Lusa fonte oficial.
Aleida Monteiro, coordenadora do Gabinete de Comunicação do Governo cabo-verdiano, que se encontra em São Filipe, advertiu, porém, que a imprevisibilidade do vulcão está sempre presente e que, pelo sim pelo não, continua a ser implementado o plano de emergência, sobretudo no norte da ilha, caso a situação se agrave.
Segundo Aleida Monteiro, a “acalmia” nas erupções vulcânicas, a “significativa diminuição” da emissão de gases e cinzas e a “estagnação da lava” tem permitido aos responsáveis pelas operações de emergência e de segurança “respirar um pouco”.
A lava mantém-se a pouco mais de 600 metros de Bangaeira, povoação que, tal como Portela, foi destruída pela torrente, e está praticamente parada há cinco dias, distando 3,5 quilómetros de Fernão Gomes, o “ponto crítico”, uma vez que, a partir desse local, desabitado, segue-se a encosta da grande montanha até Mosteiros (norte).
Se a atividade vulcânica se agravar e a lava ultrapassar Fernão Gomes, situado a uma altitude de quase 1.900 metros, a torrente não encontrará quaisquer obstáculos em descer a encosta até ao mar, percurso onde se situam duas povoações – Cutelo Alto e Fonsaco -, cujos cerca de 2.300 habitantes estão em alerta para uma eventual evacuação.
Entretanto, procedentes de Angola, chegaram sexta-feira à noite à ilha do Sal dois aviões de carga com seis toneladas de equipamentos destinados a apoiar as operações de assistência humanitária, e um de passageiros, com 50 lugares, que poderá, se as condições assim o permitirem, operar de e para São Filipe, cujo aeródromo está encerrado desde o início das erupções vulcânicas, a 23 de novembro.
O facto de os aparelhos angolanos aterrarem no Sal tem a ver com as grandes dimensões de um deles, um “Ilyushin 76”, um dos maiores aviões cargueiros do mundo, pois o aeroporto Amílcar Cabral é o único do arquipélago com capacidade para receber aeronaves desse porte.
O “Antonov 72”, outro “cargueiro”, é o que fará a ligação direta entre o Sal e o Fogo para transportar os equipamentos e alimentos trazidos pelo “Ilyushin 76”, que ainda hoje deve regressar a Luanda para voltar a Cabo Verde com mais ajuda.
A caminho de Cabo Verde, procedente ainda de Angola, está um navio com mais de 9.000 toneladas de ajuda alimentar e “kits” para a construção de habitações, cuja data prevista de chegada é ainda desconhecida.
Aleida Monteiro adiantou à Lusa que, para hoje, está prevista uma cerimónia simbólica de entrega dos primeiros equipamentos e géneros alimentares, ato que será presenciado pela ministra da Administração Interna cabo-verdiana, Marisa Morais, que se mantém há mais de duas semanas em São Filipe a acompanhar as operações.
A ajuda destina-se a apoiar as operações de construção e de reconstrução de habitações e na alimentação dos cerca de 1.500 desalojados das povoações de Portela e Bangaeira, em Chã das Caldeiras, totalmente consumidas pela lava.
Até agora, 21 dias após o início das erupções, que não provocaram quaisquer vítimas, a lava destruiu as povoações de Portela e Bangaeira, obrigando à retirada dos quase 1.500 habitantes, parte deles, cerca de 850, instalados nos três centros de acolhimento entretanto criados e os restantes em casa de familiares ou amigos.
Grande parte da vasta área agrícola de Chã das Caldeiras, planalto que serve de base aos vários cones vulcânicos da ilha do Fogo, também foi devastada e a prioridade do Governo cabo-verdiano está agora focada na reinstalação dos desalojados e na geração de fontes de rendimento para as famílias.
Fonte: Lusa

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