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Fogo

Cabo Verde tinha dados suficientes para prever erupção no Fogo – especialista espanhol

O diretor do Instituto Tecnológico e das Energias Renováveis das Canárias (ITER) criticou hoje a “inércia” das autoridades cabo-verdianas na prevenção da erupção vulcânica em curso na ilha do Fogo desde 23 de novembro.
Nemesio Pérez Rodriguez, que se encontra na ilha do Fogo em missão do ITER, disse à Lusa que toda a informação recolhida desde março, que apontava uma situação “preocupante”, foi enviada ao Instituto Nacional de Meteorologia e Geofísica (INMG) cabo-verdiano, que nunca respondeu.
O diretor do ITER lembrou que foi informando, com frequência, as autoridades cabo-verdianas sobre todos os dados disponíveis e atualizados, que apontavam para uma “forte possibilidade” de se registar, a qualquer momento, uma erupção vulcânica na ilha do Fogo.
De acordo com um relatório da instituição espanhola a que a Lusa teve acesso, o Observatório Vulcanológico de Cabo Verde (OVCV) – um consórcio de várias parcerias, entre elas com o ITER – instalou em abril de 2012 uma rede de seis estações de rastreio na ilha do Fogo.
“Na madrugada de 12 de abril de 2012, cerca das 02:43, a rede sísmica registou um sismo na ilha do Fogo”, de magnitude 2,9 na escala de Richter, com epicentro no perímetro de Chã das Caldeiras, com um foco bastante superficial, localizado a uma profundidade de três quilómetros”, lê-se no documento.
A partir de março deste ano, após a atividade sísmica ter cessado os sensores começaram a detetar um volume anormal de dióxido de carbono expelido a partir de pequenas bocas vulcânicas em Chã das Caldeiras, valores que foram subindo gradualmente até agosto e que então pararam, configurando-se, na altura, a “típica probabilidade” de ocorrência de uma erupção vulcânica a qualquer momento.
Entretanto, o ITER deixou de ter acesso ao sistema que permite a transmissão de dados, em tempo real, para as sedes do OVCV, na Cidade da Praia, do Instituto Vulcanológico das Canárias (INVOLCAN), em Puerto de la Cruz (Tenerife), e do Instituto Andaluz de Geofísica da Universidade de Granada (Espanha).
“O Laboratório de Engenharia Civil de Cabo Verde (LEC-CV, parceiro do projeto) transferiu a responsabilidade da leitura dos sismógrafos para a alçada do INMG sem o consentimento dos outros parceiros do projeto MAKAVOL, integrado pela Uni-CV, ITER e SNPC (Serviço Nacional de Proteção Civil)”; lê-se no relatório.
A geóloga cabo-verdiana Sónia Silva Vitória, do OVCV, confirmou à Lusa ter sido detetado um “aumento significativo” na emissão difusa de dióxido de carbono na ilha do Fogo entre março e agosto deste ano.
Segundo Sónia Silva Vitória, presidente da comissão técnica e científica do OVCV, “o valor bastante elevado alertou para a expectativa de ocorrência de uma erupção vulcânica”, não se tendo, porém, conseguido quantificar ou prever a data precisa.
“O alerta deve ser permanente. Tendo em conta todas as erupções vulcânicas que já ocorreram em Chã das Caldeiras, esta é a 27.ª, devemos estar sempre preparados para uma nova e temos claramente a certeza de que se trata de uma zona de elevado risco vulcânico”, adiantou.
A Lusa está a tentar contactar a ministra da Administração Interna cabo-verdiana, Marisa Morais, bem como responsáveis do Instituto Nacional de Meteorologia e Geofísica (INMG) de Cabo Verde.
Fonte: Lusa

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