Home » Santiago » Tarrafal: jóia de Santiago

Tarrafal: jóia de Santiago

No topo da ilha, Tarrafal é a jóia da coroa de Santiago. É a sua primeira referência turística e principal estância balnear.

No topo da ilha, Tarrafal é a jóia da coroa de Santiago. É a sua primeira referência turística e principal estância balnear.

Uma distância de 74 quilómetros e uma hora e meia de caminho de carro separam o Aeroporto Internacional da Praia Nelson Mandela da cidade do Mangue, no Tarrafal. O caminho mais fácil, e confortável, é pela estrada asfaltada que atravessa Santa Catarina e Serra Malagueta. Pela via do mar, leva-se mais tempo e a estrada de calceta tem vários trechos irregulares e acidentados. Porém, a vista da praia do Mangue e da pitoresca cidade capital do município do Tarrafal fazem valer a travessia.

Todas as ruas levam ao mar, numa teia de ruas e calçadas que costuram a encosta que se insinua sobre a praia do Mangue, a única em toda a ilha rodeada de coqueiros, conferindo-lhe o epíteto de “paradisíaca”. Contra o horizonte, impõe-se o recorte do Monte Graciosa, o ponto mais elevado do Tarrafal, com 642 metros de altitude.

Com o sol a pique, praticamente o ano todo, entende-se a proliferação de árvores de sombra, acácias sobretudo, nas ruas e varandas das casas. O tempo é pachorrento, quebrado pela azáfama das feiras populares da semana, onde se vende de tudo um pouco, de vestuário e calçados a todo o tipo de alimentos.

 

Resistência e futuro

Mas nem tudo brilha no percurso das gentes do município tarrafalense. Durante quatro décadas, o Campo de Concentração do Tarrafal manteve sob grades primeiro os opositores do regime de Salazar e depois os nacionalistas africanos, antes de ser encerrado em 1974, após a Revolução do 25 de Abril em Portugal e às vésperas da independência de Cabo Verde.

O chamado “campo da morte lenta” foi tombado como património nacional e transformado em Museu da Resistência. É este sítio histórico um dos pontos de visita obrigatória no roteiro do Tarrafal, cuja economia deposita no turismo toda a expectativa de desenvolvimento para os seus 24 mil habitantes.

Outra chave de um futuro menos dependente de ajudas externas é a agro-pecuária. Atrás da antiga colónia penal, reside o principal perímetro irrigado do Tarrafal. O colonato é um centro de produção agro-pecuária, com 66 hectares de extensão, que na década de setenta do século passado acolheu uma experiência agrícola de regadio. Actualmente, os agricultores lutam para superar as dificuldades no acesso à água, por isso o Colonato não consegue produzir em pleno.

Quem sai do Colonato em direcção aos antigos armazéns da EMPA, na estrada que dá acesso ao cemitério, passa pela antiga pista de aviação de Chão Bom do Tarrafal, construída pelo governo colonial para a força aérea portuguesa. Como não oferecia segurança, foi desactivada após a independência nacional, em meados da década de oitenta. Agora, mal se vêem os vestígios da pista de aviação, por causa da proliferação de casas construídas na última década.

 

Casas Tradicionais

Além do turismo de praia, Tarrafal tem condições para desenvolver uma oferta de turismo de montanha, nas zonas altas do município. Biscainho, por exemplo, é um miradouro para o imenso Atlântico que banha a costa norte de Santiago. A aldeia, guardada pela padroeira Santa Rita, é terra de pastores e agricultores. Entre a faina do campo e a lida da casa, as mulheres trabalham arduamente. Na retina fica a imagem de um grupo a descer a encosta, em fila indiana, com lenha e sacos de feijão à cabeça. As camponesas protegem-se do frio com camadas de calças, saias e pano-de-terra. Em Biscainho, onde residem não mais do que cerca de 300 pessoas, as casas têm uma configuração particular – geralmente, os cómodos são dispostos ao redor de um quintal, desenhando um quadrado perfeito, encimado por telhas ou telhados de concreto. É onde se seca o milho, o feijão e o pasto dos animais.

 

Terra de oleiras

A olaria de Trás-os-Montes é uma actividade tradicionalmente dominada por mulheres, caracterizada pela modelagem do barro de forma artesanal. A tradição, que esteve em perigo de desaparecer, ganha novo fôlego com a instalação do Centro de Artes e Ofícios. Perto dali, na aldeia de Ponta Furna, há também um grupo de 18 oleiras, lideradas por Maria Varela, que produzem peças de cerâmica na aldeia de Ponta Furna. São peças decorativas e utilitárias. Um detalhe característico da olaria desta região é o acabamento – antes da cozedura, as peças são polidas com pedra de mar.

 

Praias de contraste

Na orla do Tarrafal, situam-se as praias-gémeas: a dourada Praia do Mangue e, a cinco minutos dali, a baía negra de Ribeira Prata. A água cristalina descansa no bordo de uma magnífica praia de azeviche, cuja fronteira é desenhada por um oásis de coqueiros e canaviais. A praia maior de Ribeira Prata tem cerca de 500 metros, enquanto a Prainha, de não mais de 30 metros, fica isolada na maré alta. É um pequeno recanto, para quem estar longe dos olhares do mundo. Por seu turno, Mangue é a praia mais procurada da ilha de Santiago. Por aqui, a pressa perde-se rapidamente nas areias mansas da praia dourada do Mangue. Nessa mesma baía, fica a praia de Ponta de Atum, ideal para a prática de surf e bodyboard.

PartilheTweet about this on TwitterShare on FacebookShare on Google+Email this to someone

Comentário

Publicidade