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Prémio Camões é hoje entregue ao escritor Germano Almeida

Distinção foi instituída por Portugal e pelo Brasil, em 1988, com o objectivo de distinguir um autor "cuja obra contribua para a projecção e reconhecimento do património literário e cultural da língua comum".

O Prémio Camões é entregue, esta terçsa-feira, 4,  ao escritor cabo-verdiano Germano Almeida, numa cerimónia a decorrer na Biblioteca Nacional do Brasil, no Rio de Janeiro, com a presença dos ministros da Cultura do Brasil, de Portugal e de Cabo Verde.

O escritor foi escolhido, por unanimidade, no passado mês de Maio, na reunião do júri do Prémio Camões, em Lisboa (Portugal), tendo sido destacada “a riqueza de uma obra” na qual “se equilibram a memória, o testemunho e a imaginação”.

Nascido em 1945, na Ilha da Boa Vista e a viver, actualmente, no Mindelo (na Ilha de São Vicente), Germano Almeida é autor de obras como “A Ilha Fantástica”, “Os Dois Irmãos” e “O Testamento do Sr. Napumoceno da Silva Araújo”, tendo publicado, este ano, “O Fiel Defunto”, pouco depois do anúncio da atribuição do Prémio, facto que considerou uma “coincidência interessante”, em entrevista à agência Lusa.

“É natural que, após vencer o Prémio Camões, suscite mais interesse das pessoas, levando-as a comprar mais livros”, manifestou na ocasião à Lusa, numa entrevista por telefone.

Assumidamente um “contador de histórias”, Germano Almeida considerou, então, “O Fiel Defunto” o seu “primeiro romance”, embora títulos como “O Testamento do Sr. Napomuceno…” e  “Os Dois Irmãos”, já adaptados ao cinema, tenham sido classificados como tal.

“Sempre (me) defini um contador de histórias, mas, pela riqueza de pormenor do livro (‘O Fiel Defunto’), é capaz de ser um romance e não apenas ‘contar história'”, notou.

Germano Almeida explicou que é “uma história que se passa em São Vicente, uma história um bocadinho maluca, de um fulano que dizia ser um escritor compulsivo”.

“Deixou de escrever durante alguns anos e toda a gente protestava. Ele recomeçou a escrever e (…) todo o mundo fica contente. Mas no dia do lançamento, é morto por um amigo”, resumiu.

Trata-se, “sobretudo, de brincar com a literatura, que deve ser uma forma lúdica”, referiu.

“Acho piada aos escritores que se torturam para escrever. Se não tenho nada para escrever, não escrevo. Não tenho angústias existenciais”, salientou à Lusa.

O júri da 30.ª Edição do Prémio Camões foi composto pelos professores Maria João Reynaud e Manuel Frias Martins (Portugal), Leyla Perrone-Moisés e José Luís Jobim (Brasil), Ana Paula Tavares (Angola) e pelo poeta José Luís Tavares (Cabo Verde).

Formado em Direito, em Lisboa (Portugal), Germano Almeida foi procurador da República de Cabo Verde. É o segundo autor deste país distinguido com o Prémio Camões, depois do poeta Arménio Vieira, em 2009.

A cerimónia de hoje terá início pelas 18:30 locais (20:30 em Cabo Verde), com a participação dos ministros da Cultura de Cabo Verde, Abraão Vicente, do Brasil, Sérgio Leitão, e do ministro português Luís Castro Mendes.

O Prémio Camões foi instituído por Portugal e pelo Brasil, em 1988, com o objectivo de distinguir um autor “cuja obra contribua para a projecção e reconhecimento do património literário e cultural da língua comum”.

Foi atribuído, pela primeira vez, em 1989, ao escritor português Miguel Torga.

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