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Ministro da Cultura insta municípios a apostarem nas suas “marcas identitárias” em vez de festivais

De acordo como governante, todos escolhem este certame musical “por ser o mais fácil e, supostamente, porque dá mais aplausos”.

O ministro da Cultura, Abraão Vicente, instou os municípios de Cabo Verde a apostarem numa “marca com forte impressão digital e identitária”, com vista a sua especialização como “evento marca” do concelho, em vez de festivais de música.

“Os festivais são uma perda de energias, porque gasta-se recursos, que próprios os municípios não têm (…). É uma perda de energias porque buscamos factores identitários, actores músicos que não fazem parte da identidade daquele município. É uma perda de energia porque, com este tipo de actividades, não temos estado a afirmar a impressão digital e identitária de cada município”, criticou Abraão Vicente.

O governante fez esta “crítica permanente” aos modelos de festivais de músicas que marcam as comemorações das festas dos municípios, durante a sua intervenção no Encontro Nacional de Tabanca que reuniu, os grupos de Tabanca de Santa Catarina no Museu da Tabanca de Chã de Tanque, sob lema “Konbersu sobri tabanka – Nu bem toma troga (em português, “Conversando sobre Tabanca – Vamos trocar experiências”).

Tendo em conta que cada ilha tem a sua “marca identitária” e num mundo globalizado, cujos municípios têm uma “marca identitária” para celebrarem as festas municipais, o ministro da Cultura questionou o porquê de todos estarem a realizar as mesmas actividades e em mesmos moldes, referindo-se aos festivais de música, realizados um pouco por todos os concelhos.

De acordo como governante, todos escolhem este certame musical “por ser o mais fácil e, supostamente, porque dá mais aplausos”.

“Construir uma marca identitária, como a Tabanca, dá mais trabalho, como é óbvio, mas, ao longo e a médio prazos, vai garantir-nos um cunho identitário e um valor cultural turístico que vai garantir-nos sustentabilidade do nosso município”, exteriorizou.

No caso de Santa Catarina, Abraão Vicente acredita que aquele município do interior de Santiago é um dos que tem “maior potencialidade” no futuro para garantir uma “marca identitária Santa Catarina”, através da Tabanca, do batuco e dos traços culturais e gastronómicos, e, ainda, através de figuras e marcos históricos, como a Revolta de Ribeirão Manuel.

Nesse sentido, aproveitando a presença do edil santa-catarinense, José Alves Fernandes, e da vereadora da Cultura, Jassira Monteiro, o ministro da Cultura propôs a criação de um evento dedicado àquela manifestação cultural.

Ainda tendo em conta que o Ministério que tutela, através do Instituto do Património Cultural (IPC), se encontra a trabalhar para que a Tabanca seja classificada como Património Nacional em 2019 – cujo objectivo final a sua candidatura a Património da Humanidade, lançou ainda um outro desafio à edilidade, para que esta construa um momento dedicado ao colectivo desta manifestação cultural, a situar-se no centro da cidade de Assomada.

No evento , que reuniu todos os grupos de Santa Catarina ((Achada Leite, Charco, Palha Carga, Ribeira Manuel, Ribeira Riba, Chã de Tanque)e da Cidade da Praia, estiveram ainda presentes o presidente da Câmara Municipal de Santa Catarina, José Alves Fernandes e equipa camarária e o presidente do IPC, Jair Fernandes.

Realizado pelo Ministério da Cultura e das Industrias Criativas, através do Instituto do Património Cultural (IPC), em parceria com a Câmara Municipal de Santa Catarina, o Encontro Nacional vai debater temas ligados à Tabanca (toque de salva, juiz de corte, rei de corte, rainha de gasadju e ladron).

C/Inforpress

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