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Emigrantes descontentes com “situação de insegurança” e serviços alfandegários em São Vicente

A falta de segurança e demora nos serviços mostram-se como os maiores problemas apontados por emigrantes em São Vicente, que tentam encontrar algumas respostas no segundo “Encontro de emigrantes em férias”, realizado hoje no Mindelo.

Rita Duarte, residente na Holanda, revela-se uma destas e que, conforme avançou à Inforpress, decidiu participar no encontro com a finalidade de “tirar algumas dúvidas” sobre algumas coisas que “não estão a funcionar muito bem” no Mindelo.

Esta emigrante residente em Holanda apontou o exemplo de alguns “contratempos” deparados nos serviços da Electra, mas mostra-se “muito descontente” com a demora registada na Alfândega do Mindelo onde, apesar de estar em São Vicente desde 15 de Julho, até agora não conseguiu reaver todos os seus pertences.

“E vou sem os tirar porque disseram que dão as cargas só na segunda-feira e eu viajo no mesmo dia”, adiantou Rita Duarte.

Um constrangimento também anotado por Francisco Neves, residente em Portugal, que lamentou o facto desta demora reverter para os seus bolsos, quando pagam a armazenagem dos produtos por 250 escudos/dia.

“Onde está a tal prioridade que dizem que os emigrantes têm. Onde estão os nossos direitos”, questionou o emigrante para quem revela-se “muito triste” querer investir em Cabo Verde, depois de mais de 20 anos no estrangeiro, mas com condições “zero”.

“E depois o que ouvimos dos nossos governantes é só festival”, criticou.

Ainda mais crítico, Francisco Neves falou da “falta de segurança”, que disse ter sentido na pele, com um carro que por alguns minutos tirado da garagem, foi logo apedrejado.

“As autoridades têm que ver a segurança dos emigrantes. Nós trabalhamos vários anos lá fora, para depois estes bandidos vir tirar-nos a nossas coisas sem qualquer respeito”, lançou.

Esta insegurança com que tentam combater, por exemplo, com os serviços da Compusav, empresa de videovigilância, cujo proprietário-gerente, Casimiro Rocha, garantiu trabalhar “na maioria” com clientes que vivem lá fora.

“Temos tido muitas solicitações dos emigrantes e tentamos satisfazer com a oferta de alguns serviços de videovigilância inteligentes que podem ter acesso em qualquer parte do mundo”, explicou este que é também emigrante.

Da parte da Câmara Municipal de São Vicente, representada pelo vereador Rodrigo Martins, e que promove o evento, juntamente com a Câmara de Comércio de Barlavento e o Banco Africano de Investimento (BAI), assegura ser o “principal objectivo” deste encontro tirar dúvidas aos residentes na diáspora.

“Tentamos disponibilizar todas as informações sobre os problemas identificados pelos emigrantes”, garantiu Rodrigo Martins, que menciona o serviço de “Apoio ao emigrante” criado “especialmente” para facilitar as solicitações dos emigrantes.

“Os problemas são resolvidos dentro de um prazo razoável, mas sabe-se que existem determinados aspectos legais que temos que ter em conta, para o seguimento dos processos”, acrescentou o governante para quem “não há dúvida” da importância que os emigrantes têm para Cabo Verde e para São Vicente em particular, mas, como assinalou, “nem todos os constrangimentos que enfrentam dependem da câmara e nem todos podem ser resolvidos com brevidade”.

O segundo “Encontro de emigrantes em férias” decorre nesta sexta-feira, num dos hotéis da cidade do Mindelo, com momentos de debates e apresentações, seguidos do habitual almoço e animação cultural. 

Fonte: Inforpress

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