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Brasileira realiza estudo sobre cabo-verdianas que cursam engenharias em Portugal

Luciana Lima é uma professora brasileira, a leccionar em Portugal, que desenvolveu uma tese de doutoramento sobre a mobilidade das mulheres cabo-verdianas que cursam engenharias naquele país. Ao todo foram entrevistadas 34 estudantes em Lisboa, Coimbra, Porto e Guimarães. A tese deverá ser apresentada entre Setembro e Outubro, na Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação da Universidade do Porto (em Portugal).

“Estudar e Circular entre Fronteiras (In) transponíveis: a Mobilidade de Mulheres Cabo-Verdianas que Cursam Engenharia em Portugal” é o título da tese que Luciana Lima desenvolveu e que, segundo revelou ao  A NAÇÃO, visa, essencialmente, “identificar e caracterizar” quem são as caboverdianas que buscam diplomação na área das engenharias em Portugal, bem como analisar quais são os factores que influenciaram a saída de Cabo verde, e as dificuldades enfrentadas.

No total, foram entrevistadas 34 alunas, em Lisboa, Coimbra, Porto e Guimarães. A maioria estuda engenharia do Ambiente, mas há também algumas em Biomédicas, Mecânica, engenharia Civil, Informática e Computadores e Engenharia e Gestão Industrial, num total de 14 cursos.

Das 34 alunas, a maioria (18), concentra-se na cidade de Lisboa, enquanto as restantes estão distribuídas pelas outras cidades. Dessas 34, 17 são da ilha de Santiago, e as demais vieram de outras seis ilhas: Fogo (5), Santo Antão (3); São Vicente (3); Sal (3); São Nicolau (2) e Maio (1).

O estudo permitiu constatar que, relativamente à condição socioeconómica, sete estudantes declararam pertencer à classe baixa e apenas uma relatou pertencer à classe alta, enquanto todas as outras disseram ser da classe média. “O que nos interessava era perceber como se autodeclaravam do ponto de vista socioeconómico e tentar cruzar esses dados com outras informações disponibilizadas pelas estudantes, visto que consideramos que um dos “marcadores” de distinção que pode influenciar as possíveis vantagens e desvantagens da mobilidade estudantil é a classe social”, explica Luciana.

Durante a sua pesquisa, a investigadora, pode analisar ainda que o projeto de estudar fora de Cabo Verde era idealizado por algumas estudantes desde a infância. “Ao falarem sobre os motivos da saída do país para estudar, era frequente recorrerem a uma “Mobilidade Estudantil Imaginada”. Esta refere-se a um conjunto de expectativas lançadas no projecto de residir e estudar em terras estrangeiras. Neste processo, havia expectativas e idealizações feitas em torno de uma educação de maior qualidade em um lugar imaginado. Um lugar que era frequentemente referenciado pela população emigrada como sendo “um paraíso”, que tinha melhores escolas, melhor ensino e maiores oportunidades”.

GC

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