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Estado da Nação 2018, será tudo negro?

(...) é normal que 63% avalie o governo positivamente sendo que são as classes sociais mais baixas que melhor avaliam o governo. Mas também o facto de 65% considerar que a sua vida pessoal vai melhorar no próximo ano, é de realçar. Mas o mais importante é que 66% considera que o país vai estar melhor ou muito melhor no próximo ano.

Por: Miguel Monteiro

Quando se fala em avaliação da Nação vem sempre à tona a figura de um quadro, pintado a várias cores. Para a oposição tudo está mal… Será efetivamente assim? Será tudo tão negro? Para mim, existe um quadro multicolor, em que o negro existe sim, mas claramente não é maioria!

Começo por dizer que numa avaliação de 0 a 20, avaliaria o estado da nação, com um 13. Ou seja um suficiente, principalmente pelo facto de saber que ainda muito está por vir, e que muitas das (boas) medidas tomadas, os seus efeitos se sentirão no futuro a curto, médio e longo prazo. Basicamente, muito já foi feito, mas muito mais está por vir! Mas o que os dados dizem? Sim, porque devem ser os dados a ditar as avaliações, e não os “achómetros” de cada um!

Em Maio de 2018, saíram os dados relativos ao EMPREGO. Os dados indicam que a taxa de desemprego desceu de 15%, para 12,2%.

Ainda segundo o INE as ESTATÍSTICAS DAS FAMÍLIAS E CONDIÇÕES DE VIDA 2017 que saíram em Maio de 2018, em vários indicadores como seja o acesso à água da rede publica, o acesso à eletricidade, o acesso ao saneamento, a utilização do gás para cozinhar, ou o acesso à internet, continuamos a melhorar paulatinamente, em todos esses indicadores.

Relativamente às ESTATÍSTICAS DO TURISMO 1.º TRIMESTRE que também saíram em MAIO de 2018: “No primeiro trimestre de 2018, o número de hóspedes e de dormidas nos estabelecimentos hoteleiros do país evoluíram positivamente, respetivamente, 10,3% e 10,6%, face ao mesmo período de 2017.”

Ainda o INE relativamente às CONTAS NACIONAIS ANUAIS que saíram em Julho de 2018: “Em 2016, o Produto Interno Bruto (PIB) registou um aumento de 4,7%. Esta evolução resultou dos aumentos nas despesas do consumo final (0,7%) e no investimento privado (29,1 %). Por sua vez, a aceleração do consumo final decorreu principalmente do aumento das despesas do consumo final das famílias (2,5%). A aceleração do investimento é resultado da retoma no sector da construção (5,9%).”

Sobre a questão do rendimento das famílias, o relatório de política monetária do Banco de Cabo Verde, emitido em Abril de 2018 referiu o seguinte: “o fortalecimento do poder de compra das famílias estará a refletir o aumento das remunerações de trabalho, em função do crescimento da população empregada nos ramos do comércio, construção, administração pública, no turismo e industria transformadora”. Ou seja, o crescimento económico já começou a ter impacto no rendimento das famílias/empresas. Contudo, como qualquer aluno principiante de economia saberá, o maior impacto ainda estará para vir, pois as famílias/empresas não gastam/investem logo quando têm ao seu dispor mais rendimentos/proveitos.

As empresas estão mais satisfeitas, conforme demonstra o INE, através do INQUÉRITO DE CONJUNTURA AOS OPERADORES ECONÓMICOS, relativo ao 2.º TRIMESTRE de 2018, emitido em Julho. Segundo esse documento: “O ritmo de crescimento económico voltou a acelerar no segundo trimestre 2018, o indicador situa acima da média da série e evoluindo positivamente face ao trimestre homólogo, a conjuntura económica é favorável.”

O Banco de Cabo Verde veio reconfirmar que o Protocolo assinado entre o Governo, as Câmaras de Comércio, e os diversos bancos, começa a ter efeito na economia, porque houve um “aumento do crédito à economia em 2017 em 7,5%”, contrariando os últimos anos em que chegou a haver decréscimo nessa rubrica.

Em Julho de 2018 o Grupo de Apoio Orçamental emitiu um comunicado dizendo que: “o défice fiscal se aproximou de 3,1% do PIB em 2017, em linha com o resultado de 2016. No entanto, o montante da dívida pública caiu, pela primeira vez, em dez anos, diminuindo 4,0 pontos percentuais para 126,0 porcento do PIB em 2017 (…) e sublinhou a expectativa que a dívida continue a diminuir no médio prazo, com a retoma do crescimento e a reestruturação das empresas públicas (EP).”

Ou seja, conseguimos tudo o que referi anteriormente, e ainda CONSEGUIMOS DIMINUIR A DÍVIDA, relativamente ao PIB.

Ao nível das Infraestruturas e ordenamento do território, o 1.º Ministro já anunciou que o Governo vai investir 11 milhões de contos na requalificação dos centros urbanos nos próximos três anos. Aliás algum desse investimento já começou a ser efetuado. Segundo o 1.º Ministro: “Estamos a preparar um grande pacote de 100 milhões de euros cerca de 11 milhões de contos para que nos próximos três anos possamos fazer fortes investimentos a nível da requalificação dos centros urbanos, das localidades, dos bairros, nas acessibilidades, reabilitação de patrimónios cultural, histórico e religiosos, no desencravamento das localidades e nas infraestruturas de pescas de modo a aumentar a criação de valor”. Ou seja, vai-se fazer em todo o país, o que já se fez na Praia… Ao contrário do anterior governo que criou 22 cidades no papel, este Governo está a criar condições de habitabilidade e investimento em todo o país, sem discriminação, demonstrando que estamos sim a construir um país melhor!

Ao nível dos TRANSPORTES, aconteceram alguns episódios que levaram a oposição a “embandeirar em arco”, mas seja na TACV, seja na Binter a situação irá melhorar substancialmente no curto prazo. Para a Binter, o mês de Agosto, será O MELHOR DE SEMPRE, com o incremento de mais 10.368 lugares, face ao mês de Julho. No caso da Cabo Verde Airlines, já existe uma proposta da Icelandair, para a aquisição de 51% da empresa, demonstrando que o Governo fez um trabalho extraordinário. Quem não se lembra do avião arrestado?

Na SEGURANÇA o foco passou a ser a PREVENÇÃO. É neste sentido que foi inaugurado o Centro de Comando do projeto “Cidade Segura”, com que se pretende ter uma diminuição de 30% na criminalidade. Entretanto, as diversas medidas já tomadas, já permitem dizer que melhorámos a segurança efetivamente. Os dados indicam: Menos ocorrências, com uma diminuição a nível nacional, superior a 14%, em dois anos. Uma redução da criminalidade em todo o país, entre janeiro e junho de 2018, na ordem dos 19% de ocorrências criminais. Menos 47% de homicídios na Praia em 2018. Há dois anos atrás registavam-se em média 4 a 5 homicídios/mês na Praia, este ano registaram-se 4 homicídios (em 6 meses). São factos!! Naturalmente que não se pode baixar a guarda, mas já há ganhos palpáveis!

A oposição tem vivido na base de “balões”, que se vão esvaziando pouco a pouco. A título de exemplo, falo da proibição de 12h que a Cabo Verde Airlines teve em viajar para Itália, ou por exemplo do pré-aviso de greve da polícia, que culminou no acordo histórico com o Governo.

Face a estes dados é normal que 63% avalie o governo positivamente sendo que são as classes sociais mais baixas que melhor avaliam o governo. Mas também o facto de 65% considerar que a sua vida pessoal vai melhorar no próximo ano, é de realçar. Mas o mais importante é que  66% considera que o país vai estar melhor ou muito melhor no próximo ano. Ou seja, o país considera que está a ser feito um bom trabalho, mas principalmente tem CONFIANÇA no futuro do país. Bem haja Cabo Verde!!

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