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Zimbabué: Candidatas às eleições enfrentam insultos e abusos 

Apesar das numerosas críticas, as candidatas procuram transformar os abusos em vantagens políticas, respondendo com inteligência.

As poucas mulheres candidatas às eleições da próxima segunda-feira, 30, no Zimbabué, enfrentam insultos e acusações de cariz sexual, num país ainda muito marcado por estereótipos de género, alertou a ONU, políticos e observadores eleitorais.

Apesar das numerosas críticas, as candidatas procuram transformar os abusos em vantagens políticas, respondendo com inteligência.

“O casamento, embora seja uma coisa bonita, não é uma conquista. Não qualifica ninguém para um cargo público”, disse Fadzayi Mahere, na sua conta da rede social “Twitter”, numa resposta às pessoas que expressam preocupação em serem liderados por uma mulher solteira.

Um membro da equipa de uma candidata já sugeriu uma “campanha sem roupa interior”, incitando as mulheres do país a irem às urnas, no dia 30 de Julho, sem roupa interior, num acto de apoio a todas as mulheres candidatas, que representam cerca de 15 por cento (%) dos mil e 600 candidatos ao Parlamento.

A ONU alertou, esta semana, para o uso de linguagem depreciativa sobre as mulheres candidatas, juntando-se a um número de pessoas que também já condenou a situação, como o líder da oposição, Nelson Chamisa, embaixadores e observadores estrangeiros.

“Isto não é aceitável de todo”, sublinhou a alta comissária dos direitos humanos da ONU, Mary Robinson, a primeira mulher Presidente da Irlanda, no início do mês, em resposta às alegações de que a responsável da Comissão Eleitoral do Zimbabué mantinha um caso extra-conjugal.

Violência, intimidação e falta de recursos são as principais razões que afastam a candidatura de mulheres a cargos políticos, apesar de constituírem mais de 54% dos eleitores registados do país, segundo Margaret Sangarwe-Mukahanana, presidente da Comissão de Género do Zimbabué.

Apesar dos obstáculos, O Zimbabué conta, pela primeira vez ,com candidatas Presidenciais, num total de quatro, desde a sua independência em 1980, sinal da abertura política que o país experiencia desde a saída do antigo Presidente, Robert Mugabe, que liderou o país durante 37 anos.

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