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Perspectivas e incidências da cooperação em Cabo Verde

Cabo Verde está mergulhado em dificuldades económicas e sociais crescentes e o próprio processo de desenvolvimento está comprometido, devido à enorme dívida pública

Por: José Valdemiro Lopes

Nesta análise, põe-se, em relevo alguns aspectos e incidências da cooperação, União Europeia – Cabo Verde, tendo em conta que o Espaço Económico Europeu, foi parceiro de sempre deste pequeno país insular de parcos recursos. O interesse vital da União Europeia, como principal potência exportadora, é sem dúvida alguma, a abertura comercial, que é contrário a tendências proteccionistas. É verdade que a Europa depende muito mais que outros países, do comércio mundial e tem interesse em desenvolver mais e defender, o livre-câmbio, neste mundo muito hierarquizado, onde se constrói os destinos das nações e todas elas, são, em larga medida interdependentes legitimando existências de acordos e perspectivas de cooperação. Temos o ACP, estados da África, Caraíbas e do Pacifico, ligados à Europa pelo acordo de Lomé, os países dessas regiões, geográficas têm ligações e laços com o continente europeu, de natureza históricos e culturais, que ultrapassam as contingências da economia, como no nosso caso e podemos afirmar sem reservas, que a europa, tem interesse de ver seus parceiros se desenvolverem e essa posição, não é neutra, sobretudo no domínio comercial, como no conjunto da cooperação multilateral. Este conjunto de factos, é contrário a tendências protecionistas, ultimamente desenvolvidas, pela nova administração política americana, liderada pelo conservador Donald Trump, cujos efeitos colaterais, fragilizarão mais ainda, países pequenos e pobres, como nosso caso, que são muito dependentes, com políticas internacionais e posicionamento político, sem real impacto, influenciador na instalação de um novo redimensionamento das relações internacionais…, aliás ainda não esquecemos que o líder americano, classificou, verbalmente, os países africanos, como países de merda! (sic)

Cabo Verde está mergulhado em dificuldades económicas e sociais crescentes e o próprio processo de desenvolvimento, está em certa medida, comprometido, devido entre outros à existência da enorme dívida pública herdada do anterior regime político, que geriu sucessivas injecções de meios financeiros e empréstimos que mesmo adicionando os dois milénios challenge account e às remessas da diáspora cabo-verdiana, a esses activos, todas essas mais-valias financeiras, não se revelaram suficientes, para impulsionar progressos significativos, independentemente da atribuição do título prémio como país de rendimento médio, ao arquipélago. Se no principio dos anos 90, podia-se falar da “década de arranque para o desenvolvimento” em Cabo Verde, utiliza-se, agora, se calhar com exagero, referente ao período das três legislaturas do regime político, anterior, esses quinze anos são analisados, como “tempo de regressão, sem expressão no crescimento económico”, portanto uma verdadeira época de “esperanças perdidas”, o país dispondo de mais meios financeiros, engendrou mais pobreza e injustiça social, cada vez, mais visível, quando mais nos afastamos do centro burocratizado, um sistema ineficaz, vivendo a situação até então preocupante da acumulação de uma das dividas soberanas das mais elevadas do mundo, com o agravamento, erro e falha de não se ter podido resolver o problema de unificação deste pequeno mercado, com barcos e aviões, com ligações regulares, entre as nove ilhas habitadas, possibilitando a circulação normal de bens e pessoas!     

O certo é que, a Cooperação, em si, nunca desenvolveu país algum, nem seus mecanismos de ajustamentos estrutural (Lomé IV), não contribuíram para a resolução dos problemas dos países mais pobres. A Cooperação não fez que acentuar a dependência e criar novos-ricos…

Devemos seriamente, rever e alterar, nossas perspectivas políticas e económicas, instalando, uma verdadeira “mudança de atitude”, orientada para o desenvolvimento, real acautelada e humilde de todas as nove ilhas habitadas, que possuem, cada uma delas, suas próprias potencialidades,

Foi preocupante, a retirada de empresas da zona industrial do Lazareto, em São Vicente, que deixa dúvidas, se o mercado criado, em desaparecimento, foi solúvel.

Cabo Verde continua, apesar das declarações de princípio e de ter hoje um Ministério a fim, longe de formalizar a sua integração na CEDEAO, condição sine qua non da formação de espaços e mercados, necessários ao nosso crescimento e expansão. As nossas dificuldades nas produções agrícolas são acentuadas, o problema de falta de chuvas, teve seu impacto negativo favorecendo o aumento de importação de bens alimentares; a nível industrial, a situação é de marasmo e devemos impor harmonização das normas de fabrico e obedecer às exigências de normalização. A administração pública, deve ser descentralizada e reformada, para ficar ao serviço do desenvolvimento de todas as nove ilhas habitadas. O ponto positivo a destacar, em tudo isso, é a paridade e ligação estável, monetária, ao Euro, um factor de equilíbrio e de segurança, para esta pequena economia de subsistência. Cabo Verde tem futuro! E é seguramente, questão de vontade politica e cultural…

miljvdav@gmail.com

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