Home » Opinião » Domingos Pereira Leal (Banda Polícia) e a sua fascinante história de vida

Domingos Pereira Leal (Banda Polícia) e a sua fascinante história de vida

Domingos, um nome cujo significado não parece assim tão estranho: Significa “do Senhor”, “o que pertence ao Senhor”.

Por: Nataniel Vicente Barbosa e Silva

Domingos Pereira Leal (Banda Polícia)

Origem: Tem origem no nome em latim Dominicius, que significa literalmente “pertencente ao Senhor”.

Traços característicos de Domingos Pereira Leal

Os seus quase 2 metros de altura o caracteriza como uma pessoa de uma vantajosa compleição física. Calmo, alegre, pacifico, culto, sociável, dado com tudo e com todos.

Principais preferências de Domingos Pereira Leal:

Dias de semana: Domingo

Mês: Novembro

Cor: Amarelo

Animal de estimação: Cão

Estilo de música: Funaná

Artista: Chando Graciosa

Desporto: Futebol

Equipa: Benfica

Companhia: Mulher

Prato preferido: Guisado de peixe com arroz

Pais que gostaria de conhecer: França

Que mais detesta na vida: Mentira

Que mais aprecia: Seriedade

Domingos Pereira Leal ou se preferir,” Banda polícia” como é popularmente conhecido nasceu exactamente com o seu nome na localidade de Pilão Cão-Janiane do interior de Calheta São Miguel num Domingo a 30 de Novembro de 1952 no dia do Santo André Apóstolo no seio de uma família de rabelados. O primogénito de Pedro Pereira Leal e de Emília Pereira de Oliveira um humilde casal de origem camponesa. Dentre os 7 irmãos apenas um é falecido, os restantes: três rapazes e três raparigas todos se encontram hoje com a sua família constituída. Recorde-se que a mãe se enviuvou com a morte do marido em 2000 com a idade de 74 anos.

Domingos Pereira Leal e o seu percurso escolar

Domingos Pereira Leal, só veio conhecer os banquinhos da escola na idade de 9 anos dado que os pais como já mencionamos eram rabelados. Estudou 1ª, 2ª e 3ª classe com os professores: Vasco Firmino, Mateus Aurora de Pina e mais tarde com Adelino da Veiga o mais novo de todos com o qual concluiu a instrução primária em 1970 já adulto. Recuando um pouco no tempo Domingos na idade de adolescência ainda imberbe em companhia dos pais foi um rapaz muito calmo (continua a ser) empenhado nas lides do campo. Trabalhava e divertia-se como qualquer moço da sua idade.

Domingos Pereira Leal entra no mundo do trabalho

Em plena flor da mocidade na casa dos seus 18 anos, idade em que os sonhos de qualquer jovem começam a desabrochar, o jovem Domingos recorda ter passado pela primeira experiência do trabalho a soldo. O FAIMO foi a sua primeira prova de fogo como ganha-pão com um salário diário de 15$00.

Domingos Pereira Leal e a vida militar

Aos 21 anos de idade o jovem Domingos foi chamado ao serviço militar. Decorria então o ano de 1973 Domingos deixa pela primeira vez os laços paternos e os aconchegos da casa familiar rumando para São Vicente. Ali permanece mais exactamente em Mouro Branco por um período de 13 meses, e, de lá regressa directo à casa. Relata que um grupo de colegas seus (militares cabo-verdianos) deixaram de tolerar os abusos de militares portugueses pelo que o clima de convivência com os mesmos era muito tenso e em consequência deste mal-estar muitos foram mandados para casa antes do fim do tempo de serviço militar e o soldado Domingos fazia parte do grupo. Estávamos no ano de 1974 a luta na Guiné se aproximava do fim e a situação era crítica, os militares estavam perplexos com o desfecho dos acontecimentos. Sublinha: “Na altura parti di Guine-Bissau dja staba libertadu pa PAIGC lideradu pa Amílcar Cabral. Na kuartel tropas di Purtugal staba kada vez mas iritadus. Adianta: “Nos era un grupu di militaris ki dja ka sa setaba abusus di tugas pur isu nu fika markadu comu “indisciplinados” nu mandadu pa kaza antis di fin di tenpu di sirvisu militar. Logo se vê evidentemente que a luta armada na Guiné-Bissau já se ressentia em Cabo Verde e o seu fim estava à vista e o cheiro da independência também já se sentia no arquipélago, os “tugas” mais atentos, diga-se de passagem: já preparavam a mala.

 

 

Domingos Pereira Leal e a sua vida depois da tropa

Após o cumprimento do serviço militar muitas coisas se mudaram na vida do Domingos com reflexos evidentes na sua vivência e convivência com os seus mais próximos: deixou de ser aquele rapaz tímido e acanhado embora reservado para um tipo aberto, dinâmico, desinibido e determinado para enfrentar os desafios da vida.

Domingos P. Leal e a sua vida romântica: as suas ilusões e desilusões

Nesta fase da vida como se sabe aprende-se a viver, a gerir sentimentos, sensações e o próprio corpo. É-se confrontado com um turbilhão de novas ideias.

Ora, no que se relaciona à vida romântica do nosso “entrevistado” confessa sem papas na língua que antes da sua ida à tropa a sua “vida amorosa” não foi assim tão fácil já que as garotinhas do seu tempo tinham um certo preconceito a seu respeito devido à sua elevada estatura e magreza. (Facto que se constata realmente através da foto na sua caderneta militar) conservado impecavelmente. Ironizando um pouco no nosso bom crioulo: “tamanhu y magru” passo o termo. De sorrisos nos lábios não esconde a sua emoção: “ Ami era tamanhu y magru anton ez pon nomi di “sanbu” otus ta txomaba mi di “Txutxuli” nomis ki na altura krian txeu difikuldadis na ranja pikenas.Sanbu e Txutxuli” são nomes pejorativos. Mas, uma coisa é certa: Se “tamanho” era na verdade um dos obstáculos na vida romântica de Domingos Leal paradoxalmente esse “adjectivo” viria a ser um atractivo na conquista “di mininas” logo à sua vinda da tropa. (Provavelmente teria o nosso Domingos nessa altura já uma estatura mais bem ajustada resultante da prática de intensos exercícios militares como é evidente). Depois da tempestade veio então a bonança. Ressalta com um ar muito satisfatório: “Kez pikenas ki ta koreba di mi pur kauza di kez nomis ku nha tamanhu bira tudu go ta kori nha traz. Caso para citar a Bíblia: A pedra rejeitada tornou-se a pedra angular. Coisas do ambiente e da época! Ultrapassado o cabo das tormentas o terreno estava desbravado para o lançamento da primeira pedra. Assim, aos 22 anos “saboreou” o seu primeiro romance. “Son premier flirt” começou exactamente com uma rapariga da zona mas entretanto foi sol de pouca dura abrindo contudo as portas às outras tantas que se seguiram fechando este ciclo amoroso com o seu casamento em 1978 com quem o destino teria já planeado.

Domingos Pereira Leal muda o seu estatuto social

Com a idade de 26 anos Domingos muda então o seu “status começando uma nova fase de vida. O enlace aconteceu na Igreja Paroquial de São Miguel Arcanjo em 26 de Janeiro de 1978 com uma jovem rapariga de Calheta São Miguel. Dessa união resultara: 5 filhos, infelizmente um dos quais não sobreviveu mais de que 6 meses. Os 4 vivos: uma rapariga e 3 rapazes se encontram hoje todos com a sua vida organizada. Como na vida nem tudo são rosas o desenlace desse casamento foi uma tremenda desilusão para o Domingos deixando algumas sequelas na sua vida. Recorde-se que essa sua primeira consorte acabou infelizmente por falecer há poucos anos.

Entrementes, alguns anos depois deste episódio Domingos veio refazer a sua vida com uma nova companheira segundo o qual hoje se sente mais feliz. Mas, deste “affair” tratar-nos-emos mais a frente neste trabalho por enquanto vamos debruçar sobre a entrada do nosso entrevistado à vida policial.

Domingos Leal entra na corporação policial

Um ano depois do seu primeiro casamento, ou seja, em 1979, Domingos entra na corporação policial e trabalha exactamente na Praia lugar onde se formou.

Domingos Leal em Calheta São Miguel

Após dois anos de serviço na Capital Domingos foi transferido para Calheta São Miguel. Estávamos então no ano de 1981. A sua transferência para Calheta foi um alívio para população micaelense que se encontrava confrontada com uma delinquência juvenil sem precedente na história da freguesia de São Miguel com incidência particularmente na pacata povoação de Calheta considerada pelos mais antigos como uma das zonas mais calma da ilha de Santiago. A situação era tão gritante que nem a própria igreja paroquial foi poupada pelos desordeiros. Ironicamente a própria casa do Chefe da Esquadra foi visada. Domingos Pereira Leal no auge da sua carreira policial muito temido pela rapaziada em companhia do seu colega de serviço hoje infelizmente falecido conseguiram os dois contornar a situação. Após uns escassos dois anos de permanência na freguesia onde o viu nascer foi transferido para a Vila do Tarrafal onde a situação não era assim tão diferente a de Calheta São Miguel. Em companhia de colegas mais antigos em pouco tempo o seu nome era já sinónimo de respeito e admiração. Em lugares mais conflituosos da Vila Banda nome pelo qual era mais conhecido dado a sua robustez física e o seu estilo de enfrentar os desacatos era sempre destacado. Nunca se recuava perante os mais obstinados, não trocava “fla ku fazi” apesar da sua forma muito pedagógica de lidar com os provocadores. Entretanto, alguns anos depois Banda foi enquadrado na polícia marítima onde trabalhou com afinco em companhia de um outro colega até 1992 altura em que passaram os dois a incorporar à Policia de Ordem Publica hoje Policia Nacional ali permaneceu culminando com a sua reforma há poucos anos.

Domingos Pereira Leal e a sua nova vida de reformado

Na casa dos seus 57 Domingos Leal finalmente se aposentou deixando para trás marcas indeléveis na memória ao longo da sua carreira profissional. Uma vida dedicada inteiramente à causa nacional demonstrando toda a sua “performance” tanto como cidadão quer como policia. Naturalmente como se pode calcular nem tudo na vida de um polícia são rosas. Costuma-se dizer que carreira policial é uma das profissões mais ingratas que podem existir pelo que, na nossa perspectiva julgamos que há mais abrolhos no caminho de que satisfações. Domingos Leal é peremptório em afirmar que uma das suas maiores satisfações na vida foi sem dúvida a sua reforma. Acrescenta por outro lado que a sua maior insatisfação é o seu estado de saúde. Mas, afora estes condicionalismos da vida julgo que Domingos se sente feliz, vive pois, em casa própria numa situação confortável em companhia da sua segunda mulher e sua “codé” de 15 anos. Na verdade saúde não deixa de ser satisfação de qualquer pessoa. Urge pois salientar que este seu último casamento oficialmente declarado ocorrido há volta de 2 ano ofereceu-lhe ainda mais uma prole de 3 filhos. Um rapaz e duas raparigas encontrando-se uma das filhas no Brasil no último ano de medicina razão mais que suficiente para que o Domingos se sinta ainda mais feliz. Costuma-se dizer que neste mundo a felicidade nunca é completa.

Formulamos votos de que o nosso Domingos recupere a sua saúde tão breve quanto possível.

Para terminar: Domingos Pereira Leal é pai de 7 filhos vivos: 4 rapazes e 3 raparigas e conta também na linhagem: 6 netinhos.

Com isto ficamos por aqui agradecendo ao nosso entrevistado a penhorada atenção que nos tem dispensado esperando ter proporcionado aos leitores alguns momentos de descontracção com a promessa de que voltaremos proximamente neste espaço com mais figuras da nossa praça se Deus assim o entender.

Hasta lá próxima

 

Tarrafal de Santiago, aos 27 de Julho de 2018

 

PartilheTweet about this on TwitterShare on FacebookShare on Google+Email this to someone

Comentário

Publicidade