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Santo Antão: Estudantes de arquitectura criam projecto para requalificar Povoação

A ideia surgiu, em Fevereiro deste ano, quando os estudantes visitaram Santo Antão, durante uns dias de férias.

Um grupo de estudantes de arquitectura da Uni-Piaget, na cidade da Praia, tem em curso um projecto para a requalificação de alguns pontos da Povoação (Ribeira grande de Santo Antão). O projecto, que propõe uma urbanização mais moderna para aquela cidade, será apresentado à Câmara Municipal em Agosto.

Unir a cultura e o lazer à preservação ambiental. Este é um dos objectivos de um projecto criado por estudantes do 5º ano do Curso de Arquitetura da Universidade Jean Piaget, na cidade da Praia, buscando dar vida ao Centro Sete Sois Sete Luas (CSSSL) e a toda a cidade de Povoação, no concelho da Ribeira Grande de Santo Antão.

A ideia surgiu, em Fevereiro deste ano, quando os estudantes visitaram Santo Antão, durante uns dias de férias. A caravana sugeriu, então, “juntar o útil ao agradável”, como forma também de colocar em prática o papel social do arquitecto. “Resolvemos não ir só passear, mas sim demonstrar o que somos capazes, qual a nossa importância para a sociedade enquanto arquitectos”, diz Juary Santos, em representação do grupo.

Depois dos primeiros contactos com o terreno, o grupo reuniu-se com a Câmara Municipal da Ribeira Grande para saber como poderia actuar. Então, a edilidade explicou que pretende requalificar o Centro 7Sois 7Luas, assim como algumas áreas da cidade de Povoação.

De se realçar que o CSSSL foi inaugurado há poucos anos, projectado para ser “um ponto de referência para Ribeira Grande, uma infraestrutura que favoreça o seu desenvolvimento cultural e económico: novas oportunidades de emprego, possibilidade de acesso a uma oferta cultural vária e estável, ocasião de coesão social para toda a população da ilha de Santo Antão”. Contudo, tais pressupostos nunca foram alcançados durante esse tempo.

No início era só para trabalhar o CSSSL, mas decidiu-se abranger outros pontos da Povoação. “Se vamos ‘mexer’ numa infraestrutura cultural importante para uma cidade, temos que pensar logo nos arredores. Fizemos toda a análise do terreno para sabermos onde há os pontos negativos e positivos”, nota Juary Santos.

O arranjo do CSSSL, o principal alvo deste projecto, não englobava todas as áreas, porque, segundo os estudantes, não se pensou em outros problemas como o acesso ao mercado da cidade que fica bastante escondido. Uma das ideias é construir, também, um auditório, anexo ao centro, com capacidade para 200 pessoas. “Estamos a propor uma nova requalificação para a zona junto ao centro. É preciso descongestionar aquela área. A população não está a usufruir daquele espaço”, admite o finalista do curso de arquitetura.

Requalificação moderna  

Um dos aspectos em conta é que há vários edifícios históricos em Povoação, conservando ainda a arquitectura colonial, que têm que ser restaurados, mas o grupo está a trabalhar principalmente a rede rodoviária. Da sua observação, notou que o movimento de viaturas tem estado a aumentar exponencialmente no local e praticamente não há lugares de estacionamento – por exemplo, na avenida principal, em frente ao Hospital, está sempre abarrotada de carros, sobretudo os que fazem o trajecto para Porto Novo.

“Nesta avenida, constatamos que a rua é bastante larga (mais de 5 metros) e há falta de espaços de estacionamento para os carros de transporte público. No projecto, criamos estacionamentos ao longo da avenida, bem como pequenos lugares para as pessoas se sentarem”.

O projecto também prevê espaços de recreio. Povoação tem muita falta de espaços públicos, há apenas pequenas pracetas. Para o efeito, as áreas de lazer foram divididas em faixas etárias: 0-5 anos, 6-9 anos, 10-16 anos e espaços destinados a adultos e idosos. Esta sugestão engloba ainda quiosques, fitness parks, espaço para aeróbica, e uma rua pedonal junto ao mercado.

Na visão dos futuros arquitectos, com a rua pedonal evita-se o uso desnecessário de automóveis, o mercado e restaurantes ficam com mais visibilidade e de fácil acesso para os clientes. “As pessoas podem ir vender na rua pedonal durante os dias de feira, porque o sucupira que fica junto ao CSSSL, segundo o presidente, vai ser extinto”, revela Juary.

Os estudantes propõem, ainda, fazer algumas alterações no Terreiro, uma rua histórica que, afirmam, é bem trabalhada em termos de pavimento, mas falta a arborização, não há árvores. “Propomos criar alguns pontos verde ao longo daquela rua. Povoação precisa ter uma urbanização mais moderna e ampla, sem modificar o património histórico. Assim, fica mais actrativa para o turismo, com um mapa de sítio mais agradável”, acreditam.

Um presente

Este projecto vai ser apresentado e entregue à Câmara Municipal da Ribeira Grande, em Agosto, para a sua possível execução. Para já, o vereador Francisco Dias afirma-se “satisfeito” com os primeiros resultados (ver caixa).

“Podemos dizer que é um presente que estamos a oferecer à Câmara, porque não estamos a cobrar nada. Já começamos a executar mais ao pormenor para depois fazermos o orçamento e a Câmara buscar patrocínio”, conclui Juary Santos.

ACN

Texto original publicado na edição nº 565 do jornal A Nação impresso

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