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RDCongo: ONU acusa forças de segurança e milícias de crimes de guerra

Saldo dos confrontos aponta para mais de três mil mortes e 1,4 milhões de deslocados.

Os especialistas da ONU (Organização das Nações Unidas) que investigaram as atrocidades cometidas contra a população civil na região de Kasaï, na República Democrática do Congo (RDCongo), acusam as forças de segurança e milícias locais de crimes contra a humanidade e crimes de guerra.

“É urgente a criação de uma política de desarmamento para as milícias e um processo de reconciliação a fim de evitar uma nova onda de violência e permitir o regresso das pessoas deslocadas e refugiadas”, declararam os investigadores da ONU, que foram mandatados em Junho de 2017, pelo período de um ano, pelo Conselho de Direitos Humanos das Nações Unidas para realizarem a investigação.

A região de Kasaï, no Sudoeste da RDCongo, foi palco, entre 2016 e 2017, de um conflito violento que começou após a morte, em 12 de Agosto de 2016, do líder tribal Kamuina Nsapu.

O saldo dos confrontos entre milicianos Kamuina Nsapu e as forças de segurança, apoiadas de acordo com o relatório dos especialistas da ONU pelas milícias Bana Mura, é de mais de três mil mortes e 1,4 milhões de deslocados.

De acordo com investigadores da ONU, que foram autorizados a visitar a RDCongo, “algumas das atrocidades cometidas pelas forças de defesa e segurança, milícias Bana Mura e milícias Kamuina Nsapu constituem crimes contra a humanidade ou crimes de guerra, bem como violações dos direitos humanos”.

Segundo o relatório, os ataques por parte das forças de defesa e segurança, das milícias Kamuina Nsapu e Bana Mura, “foram realizados contra a população civil de forma generalizada e sistemática, como política de Estado ou de organização que tinha como fim tais ataques”.

Esses factos constituem crimes contra a humanidade, de acordo com especialistas, que citaram assassínios, violações, escravidão – inclusive sexual -, perseguição e outros atos desumanos.

Os investigadores lamentam que “um problema muito sério de impunidade persista diante da escala e da gravidade dos crimes”.

O relatório será apresentado ao Conselho de Direitos Humanos a 3 de Julho.

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