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PGR abre instrução sobre evacuação de doentes da ilha da Boa Vista

Segundo o Ministério Público, em causa estão factos suscetíveis de indiciar a prática do crime de omissão de auxílio

O Ministério Público vai investigar a morte de uma mulher grávida transferida de barco da Boa Vista para o Sal e a quem foi alegadamente recusado o transporte aéreo, anunciou a Procuradoria-Geral da República, em comunicado.

Segundo o MP, em causa estão factos suscetíveis de indiciar a prática do crime de omissão de auxílio.

“O Ministério Público ordenou a abertura de instrução face a informações tornadas públicas, dando conta do falecimento de uma mulher grávida, residente na ilha da Boavista, que havia sido evacuada, em virtude do estado de saúde, e transportada numa embarcação para a ilha do Sal porque, alegadamente, não obstante a indicação médica para evacuação por via aérea, tal foi recusada”, adianta.

A investigação decorre na comarca da Boa Vista, onde, segundo o comunicado da PGR, se encontram também em investigação “outros autos de instrução, registados na sequência da evacuação de um jovem e de uma gestante, no mesmo percurso e nas mesmas condições, em que o feto veio a ser considerado nado-morto”.

Em causa está a morte, no sábado, de uma jovem, grávida, que foi transferida da Boa Vista para o Sal, por via marítima, depois de, segundo versão de familiares, a companhia aérea Binter CV ter alegado não poder fazer o transporte devido à lotação do voo.

Recebida no Hospital Ramiro Figueira, na ilha do Sal, na madrugada de sexta-feira, a mulher, de 30 anos, que sofria de uma cardiopatia mitral, viria a morrer no sábado, depois de ter sido operada e da sua situação clínica se ter agravado, segundo comunicado da unidade hospitalar.

A companhia aérea rejeitou, em comunicado, quaisquer responsabilidades no caso e lembrou que a transferência de doentes entre ilhas é uma obrigação do Governo.

A morte da jovem é o terceiro caso, no espaço de pouco tempo, em que dificuldades no transporte de doentes por via aérea entre as ilhas cabo-verdianas tem levado à necessidade de fazer esse transporte por via marítima, uma opção mais demorada e, muitas vezes, em condições precárias.

No mês passado, outra grávida transferida da Boavista para o Sal de barco acabou por perder o bebé, enquanto um jovem baleado foi enviado para o Sal da mesma forma.

 

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