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Morte de jovem grávida na Boa Vista: Binter CV rejeita responsabilidades e aponta o dedo ao Governo

A companhia diz que nunca recebeu requisição para realização da evacuação e por isso considera "injusto" que a responsabilidade tenha sido focada na empresa. O Governo diz que vai apurar o sucedido.

A Binter CV rejeita quaisquer responsabilidades na morte da jovem Eloisa Teixeira, de 30 anos, residente na ilha da Boa Vista, e que faleceu sábado,23, já no hospital do Sal.

Ao que tudo indica, na quinta-feira passada, 21, alegadamente depois de não ter sido evacuada pela Binter CV de avião, conforme indicação médica, a jovem foi transportada de barco da Boa Vista para o Sal, acabando já por ser operada de urgência no Sal, nessa mesma noite.

Eloisa Teixeira sofria de uma gravidez ectópica e acabou por não resistir às complicações da operação, falecendo então no sábado,23.

O caso chocou as redes sociais, onde se multiplicaram às críticas quer à Binter, quer ao Governo, e veio por a nu, mais uma vez, a inexistência de um sistema de evacuações internas capaz de dar respostas urgentes e eficazes.

Ontem o Governo em comunicado lamentou o sucedido e disse que ia avançar com um inquérito para apurar o que aconteceu.

Hoje foi a vez da Binter CV se manifestar também via comunicado dizendo que as “informações” que estão a circular dando conta que a Binter CV se negou a fazer o transporte “não correspondem à verdade”.

Nesse comunicado a companhia diz que recebeu uma chamada telefónica da Delegacia de Saúde da Boavista, a solicitar uma evacuação de uma grávida para a ilha de Santiago e que indicou os procedimentos a seguir.

“Foram informados que iríamos verificar o voo, apesar do mesmo estar cheio, mas que como sempre deveriam seguir os procedimentos habituais e enviar requisição para os devidos efeitos (confirmação de lugar, documentação médica do paciente, verificações de segurança, Incad, entre outros)”.

Após essa comunicação, a Binter CV diz que “não recebeu nenhuma requisição” e que “com o check-in encerrado, os passageiros embarcados e o voo já fechado, e com a saída iminente do mesmo”, voltou a ser contactada, mas “ainda sem ter enviado nenhuma documentação oficial acerca da evacuação”.

“Voltamos a informar que deveriam enviá-la urgentemente para procedermos à reserva no voo do dia seguinte, já que nesse dia já não havia mais voos a sair da Boavista”.

Depois disso, a companhia diz que “nesse dia, não fomos mais contatados pelos serviços de saúde, nem recebemos qualquer documentação referente a essa evacuação”.

A empresa diz que só teve conhecimento do estado da paciente pelos média e redes sociais, e considera  “inacreditável”, as responsabilidades amputadas à companhia “considerando os esforços que fazemos todos os dias para ajudar neste tipo de situações”.

Responsabilidade é do Governo

No mesmo comunicado a Binter CV diz ainda “que a responsabilidade das evacuações corresponde ao Governo de Cabo Verde, ao INPS e ao Ministério de Saúde” já que a empresa “só tem autorização da AAC para o transporte de passageiros e de carga”.

Além disso, prossegue o documento, “apesar de estarmos a fazer todas as evacuações solicitadas quando estas são precisas, os aviões que deveriam ser utilizados para estas situações deveriam ser específicos, com equipamento médico, isto é, aviões ambulância ou helicópteros, tal como se faz em outros territórios compostos por ilhas”.

A empresa esclarece também que “os aviões da Binter CV são aviões apenas preparados para o transporte regular de passageiros”.

Em conclusão, em empresa reforça que tendo em conta que “nunca recebeu requisição para realização da evacuação”, considera “injusto que a responsabilidade tenha sido focada na empresa”, a qual “tem sempre vindo a fazer todos os possíveis ao nosso alcance para solucionar os problemas de mobilidade e de saúde em Cabo Verde”.

 

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