Home » Actualidades » Praia: Agricultores de Fonton preocupados com praga que está a devastar as plantações

Praia: Agricultores de Fonton preocupados com praga que está a devastar as plantações

As terras de cultivo em Fonton, cidade da Praia, estão tomadas por uma mangra.

Os agricultores de Fonton, na cidade da Praia, enfrentam dificuldades para acabar com a acção de uma praga que está a atacar as suas plantas. As hortaliças e os frutos, principalmente, estão a ser devastados pela mangra que rapidamente se alastra por todos os cultivos.

As terras de cultivo em Fonton, cidade da Praia, estão tomadas por uma mangra. O único cultivo que parece escapar é a cana-de-açúcar. As hortaliças são perfuradas, os frutos perdem cor e a abóbora não se desenvolve. As papaieiras estão todas secas.

Os agricultores de Fonton estão preocupados com esta praga que lhes está a causar grandes prejuízos, sobretudo, no que toca à colocação dos seus produtos no mercado. Fonton é a “zona exclusiva agrícola” da capital, um espaço verde e um exemplo de agricultura urbana que ainda é “incompreendida” pelo poder público.

Em Fonton não falta água para a agricultura. Kulou é um dos produtores, que aposta mais no cultivo da batata e da cana-de-açúcar. “Tinha papaieiras mas, devido à praga, ‘morreram’ todas. Os produtos têm sido mais para o consumo familiar. O grogue é que vendo”, diz.

Segundo conta, para complicar ainda mais a situação, com as obras de drenagem de águas, realizadas pela Câmara Municipal da Praia, ele perdeu quase metade do seu terreno agrícola. “Não me disseram nada até hoje, nem que fosse só para me avisar. Vou desenrascando porque é a minha única forma de sustento”, confessa.

Um dos agricultores que se mostra mais preocupado com a praga é Txabana. Conta que já pediu ajuda aos responsáveis da Agricultura, mas, até hoje, sem retorno. “A praga está a acabar com as plantações e não temos nenhuma ajuda para combatê-la. Neste momento a cana-de-açúcar é que está a dar mais resultados, porque as outras plantas estão a ser devastadas”, lamenta.

Por exemplo, e como o A NAÇÃO pôde constatar no terreno, devido à mangra que cedo ataca as plantações, as abóboras começam a crescer e não se desenvolvem. São tomadas por lagartos e não servem para o consumo. A papaia fica preta e a papaieira fica seca. “Temos tido grandes prejuízos. Já não há nenhuma papaia por aqui. A mangra acabou com as papaieiras”, lastima Txabana, acrescentando que costumava colocar os produtos no mercado, mas de uns tempos para cá a praga não tem deixado.

Txabana pede a intervenção de quem de direito para pôr cobro à situação e alerta que, sendo um dos poucos espaços verdes da capital, outrora produtora de vários hortícolas, Fonton deve receber mais atenção do Ministério da Agricultura. “A praga tem sido o nosso maior problema. Tínhamos tambarina, limão, goiaba, romã, entre outros, que agora são atacados. Se conseguirmos combater a praga, podemos cultivar qualquer produto porque o terreno é fértil”, avisa.

Combate

Atanásio já tentou combater a praga, fazendo pulverização com aditivos químicos, mas não adiantou. Este agricultor tem uma pequena estufa e fez até planos para investir em outras culturas, mas não sabe se vale a pena. Com as obras de drenagem, a água teve que ser desviada e, por isso, este ano ainda a estufa não recebeu nenhuma plantação. Atanásio prevê que no final deste mês possa começar o cultivo.

“Vou colocar alface, pepino, tomate, entrou outros. Não sei se vai dar muitos resultados porque a praga está a atacar praticamente todas as plantações. Tenho pedido ajuda mas sem sucesso. A falta de chuva contribuiu para o surgimento da praga, porque, quando chove, a água limpa as plantas”, afirma, acrescentando que a acção devastadora acabou com vários pés de romã.

Todos os agricultores ouvidos por este jornal são unânimes em afirmar que a praga é o principal ou senão único problema que enfrentam. Olavo Gonçalves é outro homem da enxada que soma vários prejuízos. “Não tem aparecido nenhum apoio para a pulverização. Devido a este problema, não temos conseguido colocar os nossos produtos no mercado. O pouco que dá é só para o consumo”, diz.

Nené di Fonton, um dos mais antigos agricultores, também critica a falta de apoio para combater a praga que na sua propriedade tem atacado papaia, manga, pinhão e hortaliças. Também se queixa da política dos vales-de-cheque para comprar ração para os animais, estes que, na falta de pasto e ração, vão-se alimentando de cartões oriundos da lixeira.

Fonton está “mais bonito”

Fonton fica localizada na fronteira entre dois dos principais bairros da cidade da Praia, Palmarejo e Achada Santo António. É uma zona em crescimento, faltando, ainda, muita coisa por fazer, principalmente em termos de urbanização. Contudo, está em constantes obras e está com outra “pinta”… mais bonita.

Prosseguem, a bom ritmo, os trabalhos de drenagem de águas naquela zona que é um dos principais focos de doenças transmitidas por mosquitos, na capital. Para já, a primeira fase das obras de requalificação do bairro foi inaugurada, um investimento a rondar os 150 mil contos, aplicados em calcetamentos, arruamentos, valas de esgoto, drenagem de águas pluviais, espaços verdes e zonas de lazer.

O campo de futebol do Fonton que chegou a ser fruto de uma contestação cerrada por parte dos jovens desta localidade já se encontra a ser requalificado. Anexo ao campo, já foi construído uma placa para o “street basket”. Fonton já tem também pistas para a prática de desporto radicais, nomeadamente, patinagem e skate.

A zona vai ficar ainda melhor quando forem colocados os equipamentos de recreio na praça, para a alegria sobretudos das crianças.

Ter água canalizada é um grande desejo da comunidade e a associação local garante que está a trabalhar junto da Águas de Santiago (AdS) para resolver esta questão.

ACN

 

 

 

PartilheTweet about this on TwitterShare on FacebookShare on Google+Email this to someone

Comentário

Publicidade